Fale de seus Sentimentos se Nao Quiser Adoecer
NATAL DA REVOLUÇÃO
Natal. Que revolução
Vai dentro de mim, agora:
Porque não veio o nevão
Da neve cinzenta de outrora?
Falo pelo país de mim,
Gente pobre e tão feliz,
De ser pobre e mesmo assim,
Numa esperança sem raiz.
Mesmo sem o tal nevão,
Do frio da nostalgia,
Eu prefiro ser chorão,
Que profeta da idolatria.
Haverá Natal de conceito
Sem aquela representação
Dum presépio tosco e feito,
Pela minha própria mão?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2023)
TALVEZ UM POEMA MEU DOS MAIS CURTOS
Para mim, não há ano novo
Civil, religioso ou profano,
Quando a fome ataca o povo
No pântano em que me movo,
Neste mundo demais insano.
Quem elaborou o plano
Das horas e do calendário
Que rege o mundo, afinal?
Dizem que foi um mortal
Quiçá um gregoriano,
Papa, de certeza com papa
Garantida todo o ano.
Vieram os contadores dos tempos
Em épocas bem mais remotas,
Babilónias, Egípcias e Chinesas
E para maiores certezas
Perguntem lá ao Hiparco,
O grego que não Aristarco,
Nas matemáticas catedrático,
Se há justiça no relógio
Que marca sem sortilégio
Eu ter de me levantar,
Às três e meia da matina
Há trinta anos volvidos,
Matadores dos meus sentidos
Feita já minha doutrina.
Pobre o povo que continua
Sem ver o sol nem a lua,
Em dias e noites sem nevoeiro.
Não há cesto sem cesteiro,
Um dia, irá ser o primeiro
Da revolta
Presa ou solta,
Do teu ano, por inteiro.
Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-12-2023)
RESISTÊNCIAS sei lá quantas já escrevi
Resisto,
Porque quero
E não por acaso mero,
Porque sou tão teimoso
Que até as pedras da rua
Quando me sentem mancando
Pelas dores negras e cruas
Que me vão martirizando,
E mostrando que nada valho,
Dizem em jeito jocoso:
- Que resistente bandalho!
Resisti,
A promessas de riquezas vãs,
Prometidas por gentalhas
Canalhas, com olhos de rãs;
Seres avaros, repugnantes
Com cartões de governantes,
Sei lá por graça de quem
Foi o santo que os pôs na cripta
De donos de tantas parvónias
Que mencioná-las irrita
E revolta até também
Algumas orquestras sinfónicas.
Continuo a resistir,
Ao meu relógio sem horas
Porque só me traz a desoras,
Sem saber que mal lhe fiz,
As notícias mais pandoras
Deste meu ledo País.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 17-11-2024)
MISTÉRIOS DE VIDAS
Só agora soube, soube mesmo agora -
Não ser o tal - o outro, quando nasci;
Enganei a mãe e meu pai pela vida fora,
Face à razão de uma vida que já vivi
E desta outra minha que tão triste chora
Por aquela já passada que nunca senti.
(Carlos De Castro, In Há um Livro Triste Por Escrever, em 15-05-2025)
ABRENÚNCIO Ó ALMAS PENADAS E OUTRAS PANADAS
Naquele tempo
De um tempo
Em que não havia tempo
Para pintar,
Eis que veio uma mão suja
Com bico de coruja
Das tintas dos tempos
E dos tormentos
Que dava só em pensar...
Teimosa mão pintou
Na tela do meu peito
Uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito
Num sentido único que ficou
A ser como que metamorfose
De um destino feito osmose
Mesmo sem água,
Só mágoa
Ao natural,
Nada de solvências de sal...
Ainda hoje eu mostro este peito
A quem queira ver a pintura
Que aquela mão suja e impura
Gravou para sempre sem jeito
Este quadro malfeito
De uma vereda de árvores negras
Onde copulavam pegas
A torto e sem direito.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Tão Triste Por Publicar, em 08-07-2025)
AI, SE A MORTE NÃO FOSSE VIDA
Já pouco falta para descer à cova fria
Do campo santo da minha freguesia
Uma irmã minha em Cristo estimada
Velhinha anciã por todos amada
A sempre esbelta senhora Maria.
Jamais quis a idade dos Profetas
Que eram seres de outros planetas
Mas ela ia subindo a escala da vida
Que agora acabou mas já comprida
A cumprir as promessas de suas metas.
Do pó nasceste, ao pó voltarás na fé
De ti e daqueles que acreditam que é
A nova semente que cria a Ressurreição
De um dia na mais gloriosa e pura União
Vivermos todos em harmonia talvez até
Com Cristo, o Messias, mesmo ao pé.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 18-03-2026)
O raiar
Ó noite que insiste em findar.
Ó dia que teima em recomeçar.
Um eterno querer não acordar.
Balbucio: cadê você ò sossego?
Há quem acredite no pega
pra capar.
No correr mais que no descansar.
E eu no que acredito?
Há depende o dia,
certamente na alegria.
O prazer é o agora,
não espera a aurora.
E o sofrimento cadê?
Há este parece brotar.
Suor, lágrimas, tristeza pra que?
O que vale é o que se vê.
Sinta o sabor, deixe-se vagar pelo
frio e calor, doce ou amargo?
Não julgue, apenas sinta o sentir.
Abra-se ao viver,
pule, busque o saber,
este sim um eterno acordar.
A religião é uma ponte que permite aos que não conseguem atravessar de um lado ao outro do abismo sozinhos.
Os ateus acreditam na não existência de Deus.
Penso que já é um bom começo acreditar em algo que não se pode provar.
Da-se a isso o nome de fé, que é acreditar no que não se pode provar.
Muitos buscam a felicidade, mas não percebem que isto é impossível, pois ela não é um destino em si, ela é o caminho.
Deus é onipresente, não tem começo e nem fim e o universo também não...
Deus é onipotente, pode criar tudo, e o universo também, inclusive você é prova disso.
Deus é onisciente, tem sabedoria infinita, e o universo também, através da física, matemática, química, das leis da natureza.
Estou agora numa dúvida: Deus e o universo são irmãos gêmeos univitelinos?
Toda vez que chorar não ajudar à resolver seu problema, sorria. Você verá que sua vida é maravilhosa, pois vai rir a maior parte do tempo.
Quem sabe que não sabe, é sábio.
Quem não sabe que não sabe, é ignorante, porém se este achar que sabe, aí é burro mesmo!
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