Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Rotina
3:00 da madrugada em ponto.
Um duende me acorda.
Ou anjo...
Às vezes vou ao banheiro, às vezes tomo um pouco de água.
Viro de lado, ajeito a orelha no travesseiro ( bom se pudéssemos guardar no copo, como nossos avós guardavam os dentes), e volto a dormir.
Devagar vou longe.
Divagar me leva onde?
De vagar, devagar, divagando
Percebi...
Minha imaginação
É muita areia pro meu caminharzinho!
Não vou dizer a vocês para qual igreja devem ir. No entanto, de acordo com os evangelhos, direi em qual não devem permanecer.
Hoje e amanhã
Hoje!
Somente hoje,
vou me desligar
do exterior.
Hoje,
somente hoje,
vou me afogar
no interior.
Amanhã,
se houver o amanhã,
vou me enxugar
e me recompor.
Amanhã,
se eu viver o amanhã,
vou pedi desculpa
pelo o meu erro.
Hoje não!
Hoje é dia do coração
sofrer calado
com os pedaços no chão.
Vou mochilar até às extremidades internas do silêncio: escuto a minha alma e o vocabulário da Natureza.
Vou fazer zapping com as tuas palavras até chegar ao canal onde verbalizas o silêncio que sentes por mim.
O Mar Traz-me o Teu Beijo
Não vou à terra estranha de mim
vou vazio de espera e condenado
de esperança
o horizonte puxa a minha estrada.
Todas as estrelas apagaram o sonho
envolto no teu cheiro a atestar
o meu pensamento
o meu coração enuncia as lágrimas.
Não me deixam ficar
sem pão e sal
rebento o momento
escorrem lembranças
que alagam as horas
neste exprimido suspiro
queima o silêncio
escuto os meus passos
cingidos pelo vento
perto da distância
longe da tua boca
os dias não amanhecem
as noites não adormecem
suavemente abre-se a janela
e o Mar traz-me o teu Beijo.
Sempre
Não prometo amar-te para sempre.
Sempre é pouco tempo.
Quero amar-te para lá do sempre.
Vou amar-te todos os dias e noites
sem a ajuda do sempre.
Irei beijar-te constantemente
até ultrapassar todo o sempre.
Não serei sempre o mesmo,
porque sempre que amanheço: amo-te
e sempre que te amo anoitece apenas no mar.
Como não posso ver-te: vou amarrotar a distância.
Como não posso beijar-te: vou escrever os teus lábios.
Como não posso anoitecer contigo: vou sonhar-te até ser dia.
Como não posso existir sem ti: vou ser eternamente existência neste cósmico amor.
Hoje sei que não vou morrer.
Vou aproveitar esta imortal certeza, para imortalmente amar-te. Vou sugar todos os indesatáveis infinitos e colocá-los no teu abraço, nesse lugar que me faz viver. Respondo a todos os indecisos outonos, com este frondoso pulsar, onde as árvores vestem a indumentária dos poentes.
E todos os dias vou morrer a amar-te.
