Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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⁠Graças a Deus que estou doido...
Que se sabe da vida?...
Dizem que finjo ou minto...
Eu simplesmente sinto...

Tudo o que sonho ou passo...
Nem sentes...
O vento levará os meus mil cansaços...

Ainda correm lágrimas...
Na soledade pensativa...
Escondida...
Disfarçada em sorrisos...

Sei que nada me é pertencente...
E lá fora na estrada...
Pensando coisas profundas...
Compreendo que sou livre...

Livre ando de enganos...
Mas de olhos postos nas coisas, distraído...
Aberto por um vento muito brando...
Acolhendo sempre um pouco de mim mesmo...

Mistério maior é este
que liga a liberdade e o homem...
Acendendo a Deus este segredo...
Fazendo-me feliz eternamente...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Que lucrei, eu, Senhor com o tempo perdido?
Num e noutro despojo me achando o que a vaidade me propôs...

Nunca mostramos o que somos, senão quando entendemos que ninguém nos vê...
Mas se ninguém nos vê o que importa afinal ser ou parecer?

Escoar-se é um desperdício...
Assim como aprisionar o vento...
Pouco se ganha...
Tanto se perde...
Tantas coisas sem sentido...

Homem que sou...
Ó divina esperança onde estás que comigo brinca...
E não me convida à dança...

Tu que transforma os sombrios pedadelos em sonhos dourados...
Que nos inflige e nos obriga a levantar da cama...
Virgem de eterno devaneio...
Que hoje minhas mãos não alcançam...

A rotina é tão pesarosa...
As mesmas pessoas enfadonhas...
Dentro de mim, a noite escura e fria se anuncia...

Que me olhar não se perca...
Entre tantos outros que passam...
E farto de fadigas...
E de fragilidades tantas...
Que amanhã...
Em outro dia...
Então...
Eu floresça...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Desconheço...
Sou eu poeta?
Cenário dolente...
Embora me divirta...
Aqui, coração que andou entre os homens, arranco...
Ando à deriva na fonte de muitos olhos...
Movendo-me aqui e agora entre contornos vivos...
A minha prisão de viver são perfumes de pecado...
A grande inteligência é sobreviver...
Entre o murmúrio dos esgotos...
Rotina...
De longos braços estendidos...
Velhos desejos recalcados...
Espantos e receios...
Escondidos em leitos sangrentos...
Disfarçados em diálogos sonolentos...
Provisórios dias do mundo a ti pergunto:
Sou eu poeta?
Desculpai-me esta face...
Serei eu só mais um fantasma de tudo?

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Perfumes de pecado...
Oras eu os sei...
Minha prisão de viver...
Inúteis as noites da minha rua…
Sem antes conhecer você ...

Rituais que previ...
Pleno de desejo e de ciúme...
Abismo do seu ser.
Sou saudade do longe donde vim...
Sou esperança por estar junto a ti...

No caminho da vida...
Fui outro, e, outro sendo...
Outro serei...
Tenho fantasmas não tão educados...
Que não sei eu...
Se são casados com o diabo...

Perguntaste-me outro dia
Enquanto olhava-me admirado...
Se a vida me comprazia...
Se eu desejava mudar meu fado...

Menti naquela hora...
E disse que não sabia...
Que te importa afinal...
O bem que me acalenta...
Ou que me fustiga o mal ?

De olhos vagos e perdidos...
Nos olhamos sem nos ver...
Quase tudo passa...
E tão pouco fica...
Dê-me alívio às minhas feridas...

De que são feitos os dias...
Pequenos desejos...
Ou mágoas sombrias?

O bem que nunca fora...
É o mal que se avizinha...
Mas enfim no que me é guardado...
São meus sonhos conturbados...
Alguns se perderam...
Outros na sarjeta foram jogados...

Anda, vem...
Nem todo prazer é pecado...
Da vida não tenho muitos jeitos...
Só saudades e embaraços...
Junto ao teu peito...
Me perco e me esqueço...

Olhando todos os céus...
Choram em mim os seus presságios...
O maior sonho que acalento...
É por ti ser amado...

Tudo que sou, sou prelúdio...
O resto foi o que eu não quis...
Como se o tempo fosse um sentimento...
Entre os teus braços enlaçar-me mais...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠O que não daria eu...
Num dia sem data...
A sentar-me em uma mesa...
Com aqueles que um dia me amaram...

Hoje tenho os lábios secos...
Os olhos marejados...
E arde-me a cabeça...
Do tempo passado...

O presente é todo o passado...
E também é todo o futuro...
Prossegue a música...
Entra mais na alma da alma...
E a lembrança é que entristece...
Essa terra de ninguém...

Espreito então pelas janelas de outrora...
Coisas que sempre soube mas que nunca quis olhar...
Tal a sorte às cegas...
Da nossa existência...

Ter e não perceber o valor que tem...
Perder e então compreender...
Feliz é aquele...
Que sabendo o que tem...
Ama e não se enlouquece...
Quando tudo se vai...
E nada mais vem...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Com dura e branda cadeia...
Já esqueci-me de quem eu fui...
E nesta incessante lida...
Já nem sei quem ou o quê serei...

Com o mal, e com o bem...
Já não me dá beijos qualquer passageiro...
Entre o que vai e o que vem...
Entre lágrimas, um sorriso faceiro...

Anjos ou deuses, sempre nós tivemos...
Nossa vontade é o nosso pensamento...
Tão pouco me agrada...
O ardor do inferno...
Ou a paz do céu verdadeiro...

Se eu fosse tão feliz...
De viva voz eu diria:
Que pouco ou muito é dito...
Mas é certo tudo terminar um dia...

Há fogo que devora…
Há frio que abraça...
Há amor que entre nós volteia...
E também o descaso que se semeia...

Eu te abençôo...
Não desejando amaldiçoar...
Mas se o faço...
Não permito ninguém me julgar...

O coração que vive ainda...
E pulsa e quer pulsar...
Ainda sonha...
Em sua metade encontrar...

Oh...
Pudesse durar sempre...
As venturas por quais passei...
Mas compreendo que assim o mundo não seria o que é...
Só lamento por quem tolamente me entreguei...

Tive soluços, febre, e absurdos desejos...
De nada me arrependo...
Mas quisera eu...
Poder voltar no tempo...

Façamos nossa vida um dia...
Que há noite antes e após...
O pouco que duramos...
Ninguém sabe o que vai por esse mundo...
Na eternidade - não é mais que poucos segundos...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Eu sou o reflexo de mim mesmo...
Fragmentos de sonhos...
Um espelho quebrado...

O que fui, o que não fui, tudo isso sou...
Um mosaico de erros e acertos, em movimento...

A vida me moldou, com mãos de vento...
E eu me dei conta, de que sou frágil e flexível...

Aceito as curvas, os altos e baixos...
E aprendo a dançar, com os pés descalços...

No alento da existência, eu me encontro...
Alma flutuante, entre engano e desengano...

Mas ainda assim, eu sinto,
Que há uma luz, que me guia e me sustenta...
A rir, desnudo de sonhos não realizados...
No cais de onde nunca parto...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Se me deixares, eu te digo...
Que neste mundo de enganos...
Eu não fui enganado...
Mas tive contigo um bom tempo...
E neste tempo fui amado...

Mas tenha para comigo...
Assim como terei para contigo...
Somente boas lembranças...
E de um novo recomeço...
Que agora, com fé, persigamos...

Falei e tudo fiz de quanto amei...
Das coisas que recebi e também dei...
O sonho passa...
E após a insistente dor...
Novos sentimentos nascem...

Se tanto me dói que as coisas passem...
É porque cada instante em mim foi
muito vivo...
E o tempo já passado...
Por nós nunca seja esquecido....

Sandro Paschoal Nogueira

''O Claudicar Ingênuo''
Eu não quero ser o príncipe,
sem sentimentos, sem personalidade, sem cor,
prefiro ser um plebeu,
com desejos e sonhos somente meu,

e mesmo que o mundo venha e me bata,
nunca ansiarei ser um príncipe,
preferirei ser um saco de batata.

Inserida por cazzubat

#Quem #é #capaz #de #amar...

E trair ao mesmo tempo ?

Será eu ?...

Será você ?...

Talvez o vento...



Responda quem puder...

Essa minha indagação...

Doar sem receber...

Receber sem merecer...



Alguém merece a confiança ilimitada?

Acreditar que dali não viria...

A cruel punhalada...



Trai com um sorriso...

Em ato banal...

Sentindo alegria...

Enquanto faz o mal...



Colecionar decepção...

Para mim não é normal...

Aperta meu coração...

Perco a fé ...

Desistimula a crer...

Nas pessoas por final...



Em mais um dia...

Compreendo então...

Embora não aceite...

Tamanha ilusão...



De onde menos se espera...

Na alma se recebe a punhalada...

Ao traído um triste ai...

Para quem traiu ...

Não foi nada...



Sandro Paschoal Nogueira

"-Viva eu ignorante e ignorado..."


Dizia assim o ogro...

Que não era amado...



Corpulento e desajeitado, de maus bofes e mal apresentado...

Vivia, diziam, em pântano assombrado...

Sonhar ele não sonhava...

Tinha, nas madrugadas e em horas dos dias...

Única companhia...

Eterna agonia...



Todos os olhares desviavam de sua face...

Nenhuma mão lhe era estendida...

E em total desenlace...

O ogro sofria...



Seu espírito tal qual criança perdida...

Tinha na solidão o abrigo...

Grande coração não compreendia...

O porquê daquele castigo...



Tantos belos rapazes de almas vazias...

De vidas abastadas, luxuosas e perdidas...

E ele fadado pela aparência...

Ter nessa existência...

Condenado a resiliência...



Sua única alegria...

A qual foi talhado...

Era do pântano em que morava...

Retirar do lodo em que chafurdava...

As mais belas flores que colhia...



Mas não se engane meus amigos...

O ogro também amava...

Linda donzela de aldeia vizinha...

E nas madrugadas....

Em surdina...

Sob a cumplicidade da senhora da madrugada...

A lua se escondia...

Favorecia assim...

Ao ogro do pântano...

Colher de seu jardim...

A mais bela flor...

E na escuridão que o cercava....

Cantava as mais lindas melodias...

Ofertava desse modo, junto com as flores, todo o seu amor.



A linda donzela não sabia...

Que seu pretendente era o ogro enjeitado...

Que para ela o ogro colheria...

Não só as mais belas flores da terra...

Mas que também lhe daria...

As estrelas para lhe fazer companhia...



Um dia...

Em desejo...

A donzela se escondeu...

Queria descobrir quem era seu amado...

Que no manto da escuridão...

Se apresentava...



Enfim...

Naquela noite fria...

Pela estrada prateada...

O ogro ia...

E como sempre levava em seu bojo...

Do seu amor o encanto...



As estrelas brilhavam mais que tudo...

E quando o ogro começou a cantar...

Desceram do céu para festejar...

A mais bela melodia...



A donzela pode então ver...

Que seu amado não era belo...

Mas seu coração singelo...

A encantou....


E assim termino minha história.

Acreditando no que digo....

Podemos não ser belos por fora...

Mas é na alma...

Que Deus mora...



Sandro Paschoal Nogueira

Não...

Eu não sou uma árvore velha e seca...


Cuja morte me ronda...

Cerca e cumprimenta...


Posso não ter mais a beleza de outrora ...

Posso não mais ter o vigor de antigamente...


Porém, tenho comigo a vitória dos anos vividos...

Felizes...

Sofridos...

Histórias para contar...

Tanto para compartilhar...

Se assim desejar...


Muito disse sim...

Sem vontade de dizer...

Foi quando mais sofri...

Mais me anulei...

Em favor de alguém...


Quando aprendi a dizer não...

Incompreendido me tornei...

Desprezado...

Odiado...

Me calei...

Porém assim tem que ser...


Amar é doar...

Mas também é negar...


Tantas lágrimas caíram...

Tantas outras escondi...

Tantas, e muitas, ainda escondo...

Nem contigo...

Nem com ninguém...

Posso dividir...


Não me julgue...

Se pouco, ou nada, me compreende...

Aceite...

Meu jeito de ser...

Um pouco diferente...

De muita gente...

Que se vê por aí...




Sandro Paschoal Nogueira

#Me #diga #uma #palavra...

Para que eu possa fazer os sinos dobrarem...

A dança das horas pararem...

O tempo não escoar...

Me diga uma palavra...

Para que o céu seja sempre azul...

Para que eu possa criar asas...

Brincar com o vento...

E nas auroras douradas moldar as nuvens...



Me diga uma palavra...

Para que as flores sejam sempre viçosas...

Os caminhos sejam sempre floridos...

Pássaros e cotovias cantem em uníssono...



Me diga uma palavra...

Para acalmar os rios...

Refrescar a terra...

Trazer a bonança...

Acabar com as guerras...



Me diga uma palavra...

Que contenha o universo...

Que o mistério da vida seja revelado...

Para que o verdadeiro amor seja um fato...

Para que eu possa dançar em meus sonhos...



Sandro Paschoal Nogueira

— em Valença (Rio de Janeiro).

#Se #isso #não #é #um #sonho...
Então me diga o que é...
Feliz eu sou...
Aprendi o valor que se tem em sonhar...
Fogo que consome a alma...
Que devora a solidão...
Não sei onde meus sonhos foram parar...
Bate mais forte meu coração...
Já não me emocionava tanto como antes..
Mas tudo mudou assim que lhe vi...
Ao passar por aqui...
Mentalmente comecei a lhe despir...
E em sorriso disfarçado...
Necessidade senti...
Em lhe seduzir...
Conquistar não é suficiente...
Quero a felicidade...
De amar eternamente...
Desperta em mim pensamentos..
Inimagináveis desejos...
Tormenta de sentimentos...
Que tento esconder...
Seu olhar é o bastante...
Para minha alma perder...
Quero me embriagar em lábios...
Todo seu mel sorver...
Esquecido das noites frias...
Em seu corpo irei encontrar...
Uma razão para a vida...
Motivo para amar...
Eu só quero lhe confessar...
Minhas palavras em declaração...
Doce sedução...
Acho que me perdi...
Totalmente em ti...
Para mim... você significa muito...
Ate aquando vai me resistir?



Sandro Paschoal Nogueira

Eu sou um #poeta #vivo...
Escrevo porque preciso...
Porque no céu a lua tece...
O seu vagar...
Sua magia...
Que me faz sonhar...
A Deus agradecer...
O meu viver...

Escrevo juntando pedras...
Construindo poemas...
Recriando a vida...
Sempre, sempre...
Amando o silêncio...
Escutando o vento...
Vendo a flor crescer...
O arrebol despontar...
Madrugada chegar...
Sonhando com você...

Tenho alma para sentir...
Coração a entregar...
Deitar-me ao seu lado...
Pronto para lhe amar...

Ah pudesse eu...
Colher todas as estrelas...
E lhe enfeitar...
Doce são seus olhos...
Em seus lábios puro mel...
Prontos a me embriagar...

Seu cheiro me inebria...
Desperta em mim fantasia...
Fecho os olhos e sinto...
Que por ti, nessa hora...
Me entrego todo....
Alma e espírito...

Mesmo que você fuja de mim...
Sei que não deseja...
Saiba amor meu...
Que os poetas...
Podem ver na escuridão...

Ah...
Tantas coisas lindas que eu gostaria de falar...
Queria lhe mostrar o mundo que tenho dentro de mim.
Descortinar seus sonhos e desejos...
Poder sentir...
Me permita lhe poder amar....
Ser só seu...

Sandro Paschoal Nogueira

Hoje eu quero o bar de esquina, petiscos duvidosos, velhos amigos e construir lembranças...

Inserida por almir_junior

⁠Uma simples elegia

Caminhozinho por onde eu ia andando
E de repente te sumiste,
– o que seria que te aconteceu?
Eu sei... o tempo... as ervas más... a vida...
Não, não foi a morte que acabou contigo:
Foi a vida.
Ah, nunca a vida fez uma história mais triste
Que a de um caminho que se perdeu...

Mario Quintana
Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
Inserida por pensador

⁠Uma coisa eu aprendi bem. Que nunca se deve viajar com uma pessoa a quem não se ame.

Ernest Hemingway
Paris é uma festa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2024.
Inserida por pensador

⁠Poema

Oh! aquele menininho que dizia
“Fessora, eu posso ir lá fora?”
Mas apenas ficava um momento
Bebendo o vento azul...
Agora não preciso pedir licença a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem lá fora:
Somente cimento.
O vento não mais me fareja a face como um cão amigo...
Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.

Mario Quintana
Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
Inserida por pensador

⁠A oferenda

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio.

Mario Quintana
Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
Inserida por pensador