Eu Vou Errando e Acertando
Eu senti sua falta o dia todo.
E todo o dia penso em você..
É uma agonia silenciosa a me devorar,
Um colapso do tempo onde apenas a tua imagem ousa reinar.
Tudo ao redor se reduz a pó, a uma nulidade contínua,
Enquanto minha mente naufraga, num salto cego, para te alcançar.
O cotidiano tornou-se um mero ruído de fundo, um rascunho sem cor. Entorpecido pela tua ausência, percebo que não possuo mais o domínio sobre mim mesmo; meus pensamentos foram tomados pela ideia magnífica da tua essência. Há uma insônia crônica na minha alma, uma vigília constante por alguém que está além do meu alcance físico.
A ciência poderia chamar isso de obsessão, a filosofia talvez classificasse como loucura, mas para mim é o único estado de espírito digno de quem encontrou o verdadeiro sentido de amar.
Descobri que a pior das distâncias não é a geografia implacável que nos separa, mas o espaço tortuoso entre o meu desejo de te pertencer e a impossibilidade do teu toque.
Ainda assim, tentar fugir desse pensamento seria um sacrilégio à minha própria essência. A saudade, que para a maioria dos homens é um mero castigo, para mim ergue-se como a prova irrefutável de que, enfim, despertei. Pois a dor cortante de não te ter agora é infinitamente mais sublime do que a paz inerte e cinzenta de jamais ter cruzado com a tua existência.
E assim me deito, entregue ao desamparo,
Esperando que os sonhos ousem transpor
Esse abismo terreno, cruel e avaro,
Para enfim te encontrar, meu imaculado amor.
Eu passei muito tempo acreditando na ideia de que o amor era algo que nos cegava, algo que nos fazia perder o rumo. Eu me convenci de que ser forte significava caminhar sozinho e que eu não precisava colocar meu coração em risco por ninguém. Mas aí, eu olhei para você.
Sabe, eu poderia tentar mentir para mim mesmo, mas a verdade é que não dá mais para negar.
Sempre que olho nos seus olhos, vejo algo que nunca encontrei antes: um futuro. Aquelas velhas promessas de independência agora parecem ecos distantes, sem sentido, porque a ideia de seguir sem você não me parece mais um sinal de força, mas de vazio.
Desta vez é diferente. Não há aquela sombra de dúvida que costumava me perseguir. Tudo em você — seu jeito, seu rosto, sua presença — me diz que finalmente cheguei onde deveria estar.
Eu só queria que você soubesse:
Meu coração, que eu guardei por tanto tempo, agora é seu.
Não quero mais caminhar sozinho.
Enquanto eu viver, esse sentimento vai durar.
É para sempre. Desta vez, eu sei.
Antes eu achava que fazer o que eu sinto vontade era egoísmo; hoje percebo que egoísmo é quem dita o que eu deva fazer.
Se você fosse música, eu te cantaria baixinho, como quem canta para ficar. Se fosse poesia, eu te recitaria sem pressa, com a voz cheia de intenção.
Se fosse bebida, eu te beberia em goles lentos, saboreando o risco e o prazer, pois você é como aquele gole da bebida proibida, que a gente evita todos os dias, porque sabe que basta um só gole para se viciar.
Se fosse erro, eu erraria sem medo, mas sendo acerto, eu te acertaria todas as vezes.
Se estivesse à venda, eu te compraria sem pechinchar. E se estivesse perdido, eu te encontraria, mesmo sem mapa, sem GPS, mesmo no escuro.
Você traz movimento ao meu tédio, e os seus olhos são o remédio que cura qualquer dor de um dia ruim.
Se você fosse um livro, eu te leria devagar, uma frase por dia, repetindo cada sílaba, bem lentamente, para nunca chegar ao fim.
E se alguém te pedisse emprestado, eu sorriria e diria: lamento, esse é especial. Não empresto, não confio ele a ninguém, e ainda não terminei e não quero terminar de ler, nunca.
À Flor da Alma
Às vezes eu queria ser perfeita.
Não por vaidade,
mas pra ser mais sábia
pra entender e reagir ao mundo
com mais clareza,
pra reagir com serenidade
sem me deixar abalar tanto
quando a vida me fere com palavras duras
e o coração sangra em silêncio.
Queria ser elevada o bastante
pra não me abater com a maldade alheia,
pra não acumular mágoas
como pedras nos bolsos da alma.
Mas o espelho não mente.
Sou falha demais.
Ciumenta demais.
Desastrada demais.
Tola demais.
O mundo desaba e eu tropeço
às vezes o raio cai, sim,
no mesmo lugar.
Mesmo assim, eu agradeço.
Peço perdão a Deus,
tento me redimir das culpas
que me seguem como sombras.
Vivo atenta aos passos,
pra não gerar mais erros e carmas
nas próximas vidas.
Porque há arrependimentos
que não se desfazem,
palavras que ficam presas no tempo,
manchando o que fomos,
sem chance de apagar.
E quando o peso aperta,
eu sinto demais e escrevo.
Escrevo pra libertar meus bichos
os ferozes e os mansinhos.
Escrevendo, eu voo.
Toco o céu com as pontas dos dedos,
descubro o meu avesso,
o eu oculto que mora trancado,
protegido por senhas que ninguém sabe decifrar.
Não busco quantidade, busco verdade.
Escrevendo, converso comigo, me ouço e
respondo o que o mundo não pergunta.
Me perco em sílabas,
exagero nas reticências,
fugindo dos pontos finais,
porque nunca paro de imaginar,
de me corrigir, de me reinventar.
Quando escrevo, espanto a melancolia.
É minha forma de rezar.
De traduzir o que sinto,
o que me rasga e o que me cura.
Só escrevendo digo o que grita no meu olhar,
que ainda sei amar e mereço, cuidado, amor.
Ando à flor da pele
mas fraca não sou.
Sou teimosa.
Sou guerra e paz, sou alma antiga.
E, mesmo myitas vezes cansada,
ainda tenho esperanças e sonhos.
Ainda acredito.
Ainda escrevo..
Estranha Dança
Eu sou estranha, e o meu espelho sabe disso,
meus passos desenham labirintos
do meu modo de ser,
enquanto o mundo corre em fila indiana.
Minha música é feita de compassos
dos meus pedaços quebrados.
Carrego constelações desalinhadas,
tempestades que brilham, silêncios que ardem.
Meu caos é morada, não ferida
um fogo que aquece quando o chão some.
Eles dizem "seja reta", eu rio e giro,
minha dança é um mapa de cicatrizes vivas.
Ser diferente é como ter asas invisíveis
que voam mesmo quando o céu pesa.
Não me moldo, me reinvento,
sou feita de recomeços e perguntas.
Minha estranheza é minha armadura,
minha língua fala em raios, marés,
e idiomas que transformo em poemas.
Num mundo de cópias, ser original dói,
mas quebrei o molde antes de nascer.
Minha verdade é um animal selvagem,
não se domestica, só se entende.
Sou estranha, sim, e abraço esse abismo,
nesse meu lugar torto onde a luz é mais viva.
Aqui, onde os espelhos me reconhecem,
minha alma dança e nunca se despede...
Eu sinto falta da sua voz
como quem entra num quarto vazio
e percebe o eco da própria solidão.
Sua voz não é só som
é abrigo.
É casa.
É o lugar onde meu caos se aquieta.
Sinto falta do seu cheiro…
e isso me desarma.
Não sei explicar a fragrância,
mas meu corpo reconhece.
É química, é memória, é desejo.
É vontade de fechar os olhos
e me perder no seu pescoço
até esquecer o mundo.
Sinto falta do seu beijo
da pressão, da entrega,
do calor da sua boca encontrando a minha
como se fosse a única verdade possível.
Sinto falta do seu corpo junto ao meu,
da sua temperatura misturada na minha,
do jeito que você me puxa
e me faz sentir
inteira, viva, escolhida.
Escrever é a única forma que encontrei
de tocar você sem tocar.
Porque quando não estou com você,
o que me resta
é transformar saudade
em palavra.
Primeiro eu acordei, depois de sonhar com você, no eco do sonho que te vestia de luz.
O mundo era silêncio, só o teu nome ecoava,
um sussurro que me atravessava a alma.
Depois, descrevi o sonho, como quem pinta o céu, teu corpo era mapa, teu beijo, bússola.
Tua voz cantava uma melodia que me embalava, e eu, perdida em teus abraços, esquecia o tempo.
Voltei a dormir, mas o teu cheiro persistia,
como um fantasma de ternura, suave e quente.
Ao despertar, a saudade já habitava meu peito,
um vazio que só tu poderias preencher.
Passei a manhã suspirando seu nome, vendo teu rosto em cada canto, tua boca, um doce enigma que me consome.
Teu olhar, um farol que me guia na escuridão,
teu calor, um fogo que me aquece por dentro.
Lembrei de tua respiração, ritmo de vida e paixão, da expressão que te invade quando me entrego a você.
Cada suspiro teu era um verso, cada gesto, poesia, e eu, apenas uma refém do teu infinito.
Agora passo as horas querendo saber de você onde estás, como estás, se ainda me lembras.
A saudade é um rio que corre dentro de mim,
e eu, à margem, espero que tu voltes a sorrir para mim.
E eu seria o vento que te envolve,
a sombra que te segue descalça,
o nome que te escapa dos lábios,
quando a noite se faz mais densa.
E eu sou o rio que não se cansa,
a margem que te espera quieta,
o segredo que guardas no peito,
mas que nunca confessas.
E eu seria o aroma da terra,
após a chuva que te refresca,
o brilho que se perde no espelho,
quando te olhas e não te enxergas.
E eu não sou a luz nem a escuridão,
só o crepúsculo que te confunde,
"Você sente o que eu não digo?"
Mesmo quando te calas.
E eu seria o eco da tua voz,
a falta que não se explica,
o abraço que nunca se desfaz,
mesmo quando te afastas.
E eu não sou o sonho nem o despertar,
só o instante que te suspende:
"Você lembra do que fomos?"
Mesmo quando não respondes.
OH NOITE
A NOITE veio
e eu achei tão bela.
Veio para acalentar.
Veio com a LUA
brilhar para os amores incompreendidos
e em silêncio, traz o gosto do VENTO.
Placilene Rabelo
Reintegre-se
Reintegre sua vida com sua essência, com seu eu,
com sua verdade .
Não se deixe para trás.
Não se deixe para depois.
Agradeço por poder fazer tantas ações boas sem necessidades de contar, é eu e Deus e em sua força não precisa se auto-afirmar.
