Eu Vou Errando e Acertando
Vou me despedindo, despindo do meu ser
A cada lapso temporal, desprende fragmentos, sem que possa mensurar. Sim, vou me despindo de meu eu, depreendendo da razão, esvaindo a emoção, até que em dado momento, satisfaça a extinção.
Estou de partida, não sei para onde vou. Sem rumo estou, sem chão sem razão, apenas aflito e ferido o coração.
Desistir? Nem pensar. Enquanto vivo vou lutar, se não vencer, continuo lutando, porque não tem como recuar. Assim é a vida, não tem volta, só ida.
Existo e estou vivendo.
Insisto e sigo envelhecendo.
Resisto mas vou morrendo.
A vida e a morte digladiando, alguns nem vê a luz do sol, outros nem aprendem a falar, e outros chegam a andar e viver um pouco mais, e tantos outros chegam a envelhecer. Mas, cedo ou tarde, sabemos o suceder.
E assim ansiamos, em algum lugar da eternidade, ver vencida a morte e toda a maldade.
Vou indo, mesmo sem querendo, viajando ao desconhecido, a cada instante me surpreendendo, até onde possa ter vivido.
Vou indo, na estrada da vida, seguindo em frente, em constante partida. Porque o corpo continuamente se refaz, até o dado momento que não mais, terá a capacidade de restaurar a vida, mesmo até, em seus tecidos epiteliais. Sim, os corpos seguem à extinções, e o que fica nesta vida são as memórias, principalmente, as que marcaram os nossos corações.
A cada instante vou me despedindo dessa vida. Não me levem a mal, faz parte do natural. E cada momento único vou vivendo, tendo grande responsabilidade ante minhas ações e omissões. Não sou perfeito, tento levar do melhor jeito. E entre erros e acertos, procuro errar no varejo, e acertar no atacado, para não ser achado em falta quando aferido for pela metrologia do destino, quando prestarei contas, dos últimos atos, desde quando era menino.
Então, vou seguindo, entre lagrimas e risos, plantando e colhendo, esperançoso de ter feito o máximo de boas ações e ter garantido meu reservado e diminuto espaço em muitos corações.
O que queremos mais? Se temos paz e força voraz?
Vou lutar e vencer, ir adiante sem retroceder.
Se temos família e amigos leais, é tudo que precisamos e nada mais.
O bem faço constrangido pelo Senhor. Não o faço como deveria fazer, mas vou tentando, de alguma forma buscando dar sentido ao meu viver. Se não faço o que deveria, apenas ignoro a oportunidade que me é dada, em ser útil a alguém, a cumprir o propósito da vida, onde ninguém é auto-suficiente, e independente o bastante, capaz de não depender de ninguém.
Não sou melhor do que meus semelhantes. Apenas sou o que posso ser. Cheio de falhas vou sendo o que consigo. Mas tento a cada dia melhorar e alcançar sabedoria no viver.
Vou continuar com minhas insignificantes opiniões, não vou mudar o mundo, mas de uma coisa tenho certeza, encontrarei milhares de opiniões iguais, e isso diferença fará, pois como diz o dito popular e sem hesitação: "uma andorinha voando sozinha não faz verão".
Na estrada dessa vida, vou seguindo meu caminhar.
Pode ser longa a jornada, não posso parar.
Entre rosas e espinhos, eu preciso prosseguir.
Até chegar o findar do meu ir.
Até findar, minha vida aqui!!!
