Eu Vou Errando e Acertando
Existe uma linha tênue entre amar e se perder.
Se eu amo, amo pela forma que sou tratada ou pela forma na qual me desprendi de mim mesma para me entregar a esse amor?
Será que o amor que sentem por mim e pelo meu amor ou a falsa ilusão de quem posso ou não ser?
Amar é projeção, espelhamento.
Eu amo o que me vejo ou amo como me veem?
Queria tanto que me conhecessem verdadeiramente, sem mentiras, sem máscaras sociais, apenas eu.
Será que gostariam de saber quem sou de verdade?
Eu gostaria tanto de me apresentar novamente, me abrir, chorar e sorrir livremente.
Me abandonariam novamente? Ou se afastariam fugazmente?
Eu tento tanto medo…
Mas poderiam abrir a porta para que eu me mostre confortavelmente e me amem?
Será que estou pronta para ser eu mesma?
Eu queria muito viajar, ir à praia e ficar em paz.
Viajei com meu pai, por muitos anos fora algo que sempre sonhei.
Porque não sinto nada? Me tornei vazia?
Minhas mágoas podem ter enrijecido meu coração e a minha alma.
Quero um dia poder libertar-me desse imenso vazio, me sinto um buraco negro.
Não quero me engolir mais.
Quero poder me permitir a sonhar.
Me permitir viver, a cada dia, mais e mais.
Eu, particularmente, nunca vi uma pessoa chegar muito longe na vida, menosprezando o seu próprio caráter.
A experiência do coração aquecido: “Eu senti que o meu coração ardia de uma forma estranha. Senti que confiava em Cristo, somente em Cristo para a salvação”. John Wesley, 24 de Maio de 1738.
E que toda energia que não me pertence
retorne para o tempo de onde veio,
para que eu siga leve, inteira, desperta.
Assim é,
assim será.
E assim se cura.
06/06...
Ela vendia linhas — era onde eu ia buscar remendo pro que a vida rasgava.
Eu, que me achava costureiro do mundo, alinhando tudo com calma…
mal sabia que, no silêncio dos encontros,
era ela quem, ponto a ponto, me costurava por dentro.
Com licença mundo, eu superei minhas dores, desacelerei minhas angústias, vesti meu maior sorriso e decidi arrastar para dentro de mim, tudo que é bom.
"Louco!
Loucos são esses loucos que pensam que eu sou louco!
Louco por ter a maior sorte do mundo em ser louco
Louco não é gênio e nem todos gênios estão loucos
Louco por fazer loucuras não significar ser louco
Louco por contagiar minha coragem de ser louco
Louco por reagir a uma sociedade decadente e doente de louco
Louco por não seguir padrões sociais vista como louco
Louco por não deixar de ser quem sou, louco
Louco, pode-me chamar que ficarei alegre em ser louco
Louco por gostar de mim e ser egoísta louco
Louco por sonhar acordado, então pode-me chamar de louco
Louco pelo prazer da loucura, então prefiro ser louco
Louco por sonhar acordado e criar a minha realidade de louco
Louco é ter a liberdade de ser louco e não ser um estranho no ninho dos loucos.
Louco por tentar adquirir capacidade de ser normal, gênio ou louco."
(Bichara, R. G.)
Meu Eu Que Sobrou.
A minha mente fala comigo,
mas já não sei se é comigo que ela fala.
Ela diz que há um Eu…
um que sobreviveu ao naufrágio,
que não se afogou com os outros eus
que criei pra não doer tanto.
Já fui tanta coisa que não era,
pra caber em lugares onde ninguém me queria por inteiro.
Me desfiz em pedaços pequenos,
só pra alguém me aceitar
e me perdi de mim.
A verdade?
Nem sei mais se esse Eu verdadeiro ainda existe,
ou se é só mais uma ilusão
tentando me manter de pé.
Minha mente está cansada…
cansada de lutar contra o vazio que ela mesma criou.
Cansada de prometer que vai passar,
quando tudo só se repete — mais frio, mais fundo,
mais só.
Se esse Eu que sobrou ainda vive,
ele não grita.
Ele chora baixo.
Ele sente tudo calado,
como quem sabe
que nem o próprio coração
escuta mais.
Bem poderia ser o Atlântico a nos separar, em vez daqueles seis quilômetros: eu não tinha como transpor aquela distância!
Eu te amo tanto que este amor
não cabe dentro de mim...
e mesmo que um dia tu
deixes de amar-me...
nada mais sintas por mim
ainda assim, eu vou continuar te amando!
