Eu Trocaria a Eternidade por essa Noite
“O avião não corta apenas o céu — ele rasga o impossível e deixa na eternidade a prova de quem teve coragem de voar.”
"O Grêmio não disputa o jogo, ele trava um pacto com a eternidade; é o lugar onde o azul do céu encontra o metal da armadura para provar que a vitória não é um golpe de sorte, mas a recompensa de quem aprendeu que o espírito só se torna Imortal quando descobre que cair é apenas o impulso para conquistar o que o mundo julgava impossível."
Na busca pela eternidade, Deus permitiu que o homem inventasse a fotografia para eternizar os breves momentos da vida.
Todo ser humano tem um instinto de eternidade, por isso, o seu desejo de encontrar o sentido da vida aponta para Jesus.
Jesus é a ponte para a reconciliação do homem com Deus, levando-o a viver eternamente com o Pai.
Os poetas não conhecem o tempo
eles são a eternidade evanescente
do tempo em sí...
Os poetas não olham o mundo
eles refletem a imensidão
do mundo em sí...
Os poetas não se reconhecem como tais
a poesia se reconhece neles...
✍©️@MiriamDaCosta
Foi ontem, quando começou nossa eternidade! Quando nos reconhecemos, assim o amor se fez, de uma vez para nunca mais se repetir igual e tão perfeito!
Letícia, Literatura e o Mar
Chegamos ao Rio numa tarde que parecia prometer eternidade.
A cidade tinha essa qualidade enganosa — como se tudo ali fosse durar mais do que realmente dura.
Era a semana mais aguardada da turnê. Três eventos. Três palcos. Três oportunidades de repetir o mesmo ritual: tocar, seduzir, partir.
A carreta estacionou perto da Urca, com o mar logo ali, como se observasse.
Foi no segundo evento que a vi.
Letícia.
Nada nela chamava atenção de imediato — e talvez fosse isso. Enquanto o resto gritava presença, ela permanecia. Morena clara, cabelos soltos, um livro aberto nas mãos como se fosse uma extensão do corpo.
Clarice Lispector.
Aproximei-me sem estratégia. Apenas curiosidade.
— Você lê no meio disso tudo?
Ela levantou os olhos, demorou um segundo antes de responder.
— É o único jeito de não desaparecer.
Sorri.
— E funciona?
— Às vezes. E você? Toca para aparecer ou para sumir?
Não respondi. Pela primeira vez em dias, não havia resposta pronta.
Naquela noite, o show aconteceu como sempre.
Luzes. Som. Gente. Movimento.
Mas algo havia mudado.
Eu tocava — e sabia exatamente onde ela estava.
Na lateral do palco.
Olhando sem pressa.
Não como quem admira.
Mas como quem analisa.
Depois, ela me esperava.
Sempre com um livro diferente.
Bukowski.
Pessoa.
Florbela.
Não me oferecia o corpo primeiro.
Oferecia linguagem.
— Leia isso — dizia, abrindo uma página ao acaso.
Eu lia.
Às vezes entendia. Às vezes não.
Mas entendia ela.
Caminhávamos pela orla como se não houvesse destino.
Falávamos de coisas que não cabem em conversas rápidas:
amor que não se sustenta
verdades que chegam tarde
gente que finge sentir
Ela já tinha amado um poeta.
— Ele escrevia bem — disse —, mas mentia melhor.
— E você sabe a diferença?
Ela me olhou como quem já decidiu.
— Sei quando alguém usa palavras para esconder. E quando usa para sobreviver.
O beijo não veio por impulso.
Veio por acúmulo.
Lento. Contido. Preciso.
Como se ambos soubéssemos que aquilo não era começo —
era intervalo.
Na segunda noite, me levou ao apartamento.
Ladeira do Leme.
Um quarto simples, mas habitado. Livros espalhados. Discos antigos. Um silêncio confortável.
Fizemos amor.
Sem pressa.
Sem espetáculo.
Havia desejo, claro. Mas havia outra coisa — uma tentativa de tradução.
Ela dizia coisas durante o ato.
Frases soltas, quase literárias.
Como se estivesse escrevendo enquanto sentia.
E eu respondia do único jeito que sabia: ficando.
No dia seguinte, escrevi algo no livro dela.
“A Hora da Estrela”.
Não foi um gesto pensado.
Foi necessidade.
“Você carrega o mundo como quem não percebe que ele já é seu.”
Ela leu.
Não reagiu.
Apenas guardou.
Como quem entende mais do que diz.
Na última noite, toquei diferente.
Menos intensidade.
Mais precisão.
Quando comecei “Tocando em Frente”, nossos olhos se encontraram.
E ali ficou claro.
Não havia continuidade possível.
E, pela primeira vez, isso não doeu.
Na despedida, ela não chorou.
Me abraçou com calma.
— Você é como os livros que não terminam bem — disse.
— Eu gosto desses.
Assenti.
Porque também gostava.
---
Voltei para o caminhão em silêncio.
Boca me olhou, sem perguntar.
— Foi diferente?
— Foi mais.
Ele riu, como quem já sabia.
Seguimos estrada.
Mas o que ficou não foi o corpo dela.
Nem a voz.
Foi outra coisa.
A sensação rara de ter sido lido
antes mesmo de tentar me explicar.
Aquele que pega a mulher do próximo será pego e preso pelo diabo no inferno, onde a eternidade está no futuro próximo.
Existe alegria, gratidão e contentamento espiritual; mas, o que dura para toda a eternidade é mesmo a felicidade de ouvir a voz de Deus no coração.
“Há sentimentos que não têm nome, mas têm raiz na eternidade. São feitos de silêncio, de presença invisível e de um amor que a alma reconhece mesmo sem entender. É assim que a fé começa — onde as palavras não chegam, mas o coração permanece.”
Roberto Ikeda
Citação do Livro: Tobias: O Elo Invisível - por Roberto Ikeda
Capítulo 18.
“A presença é o instante em que o ser se revela inteiro; cada momento é um sopro de eternidade que nos convida a existir não como quem passa, mas como quem permanece na essência do agora.”
Roberto Ikeda autor
"A vida não termina, apenas muda de capítulo; quem questiona, escreve junto a eternidade."
Roberto Ikeda
"O verdadeiro sentido da eternidade não está em durar para sempre, mas em viver de tal forma que cada instante se torne infinito na memória do mundo."
Roberto Ikeda
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