Eu te Amo do Amanhecer ao Anoitecer
Quem sou eu para escrever o que escrevo?
Escrevo há vinte anos. Para jornais, para sites, para quem quiser ler.
Há quinze anos, vivenciei a prática: atuei em associações culturais, comunitárias, presidi grêmio estudantil, estive em movimentos sociais — inclusive na luta LGBT — e comuniquei, com voz firme, em rádio comunitária.
Trago na pele e na palavra a marca das experiências políticas e ideológicas que atravessam minha existência desde sempre.
Tenho 38 anos de vida. E esta é, talvez, minha maior formação.
Sou inquieto. Busco, pesquiso, observo, anoto.
Gosto do que é difícil de compreender — não por vaidade, mas por necessidade. Porque há beleza no que exige mais da mente e do sentir.
Não temo a sombra: ela é natural.
Não fujo do vazio ou do silêncio: convivo com eles. E sei que são territórios que só os corajosos atravessam sem desviar os olhos do espelho.
O que escrevo nasce disso tudo.
Da coragem de pensar.
Do risco de sentir.
Da ousadia de encarar o que muitos evitam.
O preço que eu pago por ser intensa e reivindicar o que não é natural, é a perseguição e o ódio.
- Ouvidos que não me ouve é o que me mata.
O que eu acho sexy é ter inteligência emocional.
Ser modinha de rede social é no mínimo uma realidade longe de ser vivida.
A falta de consciência revela os desejos mais profanos do ser humano.
A única diferença é que eu tenho as mesmas intenções com ou sem consciência.
Assim como as águas se entregam às correntezas, eu me entrego às estranhezas pouco entendidas, mas profundamente sentidas.
Eu vejo a coerência na imprudência de um ser ardiloso.
Mas não vejo a coerência na prudência de um desabafo que pede por socorro.
O DIREITO
Eu tive a liberdade de escolher o que eu quero, mas o Direito decidiu que eu sou a escolha dele!
Esse ano eu quero poemas orgânicos
Sem mistura trans nos versos
Quero uma poesia feita de linhaça
Cheia de prosa e caloria equilibrada
Quero proteínas nos meus versos
Quero uma poesia natural
Feita de arroz de integral
Tão doce como rapadura
Pra botar nos meus sonhos de laranja
Cenoura e beterraba nos meus versos
Que seja escrita em papel reciclado
E de verdade não tenha Gluten nem outras besteiras
E no entardecer um gole de propolina
Pra deixar mais linda a metáfora
Espinheira divina na minha palavra
Gengibre e semente de chia nos meus versos
E que seja eterno o poético
Que o poético não seja enlatado
Envenenado por conservantes
Maquiados de tanta gordura.
