Eu te Amo do Amanhecer ao Anoitecer
Não consigo caber nos limites que você supõe que eu seja e esteja. Não consigo caber no seu amor. E eu não sinto muito.
Aí como eu queria
Poder fazer isso
Pois a vida ainda não me deu esse privilégio
De sumir sem fazer gestos
E nem ter que ir para o cemitério
Pois é
Os que morrem são os privilegiados
Por que deixaram todo esse sofrimento do lado.
As vezes odiamos ser usado
As vezes procuramos ser usado
As vezes amamos ser usado
Eu particularmente estou procurando e sei que vou amar ser usado por você, mesmo sabendo que depois das 12 horas você some.
O vazio que eu sinto
Não é preenchido
Com alimento ou qualquer coisa do tipo
Pois esse vazio
Cada vez mas vai se expandido
E tenho medo de ser engolido.
Já procurei muitas coisas
Coisas essas que nunca encontrei
Por que não me dei conta
Que eu já tinha todas.
E por falta de atenção
Fui perdendo uma por uma
Até me dar conta
Que eu tinha tudo
E hoje procuro sobreviver sem nada.
O que estou sentindo
Faz muito tempo
Que vivia querendo
Sentir isso por dentro
Se eu falar que te amo
Vão falar que é engano
Se eu falar que estou apaixonado
Vão falar o encanto tá acabando
Aí eu afirmo
Que, o que sinto não se resume nisso
Pois todos os dias venho construindo
O sentimento que muito por anos
Não tem obtido
Um lugar complexo e lindo
É assim que desejo você comigo
Sem explicação, sem ritmos criados
Por que não entendem o nosso lado
Vamos nos amar
Vamos se entregar sem ter que se preocupar.
Te falei dias atrás
Que seria melhor com você
Eu teria razões para escrever
Mas não imaginava escrever
Palavras triste e sim de felicidade
Por encontrar minha outra metade
Vejo que me enganei com essa realidade
Passei a ter certeza da realidade
Você não senti nada por mim
Tudo é apenas vaidade.
Já procurei muitas coisas
Coisas essas que nunca encontrei
Por que não me dei conta
Que eu já tinha todas.
E por falta de atenção
Fui perdendo uma por uma
Até me dar conta
Que eu tinha tudo
E hoje procuro sobreviver sem nada.
Passei a viver pensativo
E sempre procurando
Estudar cada passo que terei que tomar.
Pai e mãe sempre me falaram
Que a vida é uma escola
Depende de cada um de nós
Querer passar de ano.
Logo logo estarei jogando tudo para o ar
E esse meu eu vai deixar de existir
Minha historia esta preste a mudar
Estou saindo da pagina de pesadelo
Para a pagina de conquistas
Nessa pagina muitos nao vao estar
Nem mesmo eu
Pois esse eu morre ao virar a página.
Desculpa querer sua atenção
É por que se eu conseguir sua atenção por alguns minutos
Eu consigo qualquer coisa nesse mundo.
Depois que Deus me deu você
Ele me disse que não preciso de mais nada
Porque o que eu mais precisava
Ao meu lado já se encontrava.
É mais fácil Eu acreditar em Saci perere, mula sem cabeça e até em papai Noel, de que acreditar em promessa de políticos.
Que, ao contemplar o céu estrelado,
Eu possa ver além das nuvens cinzentas,
E saiba que, mesmo com o coração apertado,
A vida é uma sinfonia, complexa e lenta.
Realidade Indigesta
O quê que eu vou comer?
O brado retumbante cravado nas ondas sonoras do universo, meu estômago que fez gemer.
Como pode a clava forte a mão de um povo, linchar o meu direito de comer?
O quê que eu vou comer?
Se só me restaram essas lágrimas amargas pra beber.
Pegue o chão de cabeceira,
As estrelas de cobertor,
O frio por companheira,
A prece por um clamor.
Não reconheço esse bicho,
Atrás do dulçor da maçã revira lixo,
Pra não desmamar o menino e vê-lo crescer
Come, mesmo sem ter o que comer.
O quê que eu vou comer?
Uma reza
Me desperta na matina um banho de água fria,
Quem perdura na miséria não merece nem um bom dia.
O vazio e o soluço, queima mais do que azia,
Cadê aquele povo meu Deus?
Que tanto dizem ser dos seus e só falam de empatia?
O quê que eu vou comer?
Os rosto antes desnudo se veste na sujeira,
Os poucos dentes que restam só servem pra roer o osso,
Quem caiu no fundo do poço,
Não sorri pra qualquer bobeira.
O quê que eu vou comer?
Se até quem come, não consegue comer bem.
Quem muito tem, nada divide.
Quem pouco tem, partilha e transgride.
Quem nada tem, que a sorte duvide.
É difícil acreditar na invisibilidade que se constrói,
Parece que o ser em mim aos olhos deles se corrói,
Não sou visto, não sou quisto, nem parece que sou gente.
Mas se tem bom coração,
Joga um pão meu irmão,
Minha fome é urgente.
O quê que eu vou comer?
Um foguete no espaço
A adefagia em mim me iguala a um animal,
A miopia deles não os fazem especiais.
Quem sabe eu fique rico, ganhe um tostão a mais
Pra queimar em combustível das corridas espaciais.
O quê que eu vou comer?
Um pão ou uma poesia?
A Deus eu somente peço,
Que todo irmão tenha acesso ao pão,
Não enfrente um dia o quinhão
De não ser visto e virar verso.
Aleksandro Silva
Olhos piégas
Eu choro para ver o mundo girar em torno de mim
Choro pois a faca fincada no peito magoa
Choro triste, choro à toa
Choro pois o destino quis assim.
Me perco entre corizas, náuseas
E vertigens, imagens do passado
Em minha infelicidade debruçado
Escorro em lágrimas as vias aéreas.
Eu choro porque o céu deságua em meus olhos
Desabo quando a dor não cabe em minh'alma
Suspiro quando a tormenta se acalma
E com o travesseiro recupero os sonhos
Esse meu fiel escudeiro
Sabe tudo sobre o paradeiro
De como meu coração se perdeu
Daí eu choro quando a noite cai
E quando minhas vistas cansarem de ser um espetáculo a Perseu
Prometo que serei só seu
Juntarei meus pedaços e me farei inteiro
Para nunca mais ter que chorar em seus braços
(sem compromisso com a métrica)
Aleksandro Silva
Vírgula
Moça,
Que eu seja vírgula na poesia da tua vida,
Melodia nas canções que entoa,
Cor nos desenhos que dá traço,
Eterno enquanto seu abraço,
Que eu seja calor na luz que banha a cena em que brilhas,
Lugar tão firme quanto as tábuas em que voa,
Tão suave como as palavras que pronuncia,
Tão desejável quanto a vida leve soa,
Que eu seja carinho enquanto houver saudade,
Proteção enquanto houver maldade,
Sonho bom que mata o pesadelo,
Beleza nua através do
espelho,
Que eu seja incerto como teu horário,
Cheiro bom no seu incensário,
Fogo no olho, improviso no ensaio,
Dramaturgia que leio ao contrário,
Que eu seja paz em tua jovem vida artista,
E vírgula em tua poesia,
Porém, que não seja modernista,
Só assim talvez me exista
E não te perco de vista,
Que eu seja vírgula só para sentir o seu respirar ,,,
