Eu sou tudo e nada
Tudo o que pode ser pensado existe. Todas essas músicas, pinturas, esculturas, desenhos, histórias, foram criadas por pessoas nas quais a sensibilidade permitiu que visitassem outros mundos, que, agora, existem.
Cego
Deus chegou a um ponto em que percebeu que era Deus. Acordou-se de fazer tudo automaticamente, de criar mundos sem saber. No fundo, nunca admitiu ser estúpido, pois acreditava que era onipotente, onisciente, não um idiota. Nem o universo triste e sem sentido que inventou o convencia da sua fraqueza. Gostava da sua onipotência e fingia acreditar que era um pequenino. O mundo era um teatro que criava sonhando e não era responsável pela maldade e pela dor. Imerso no seu poder imenso, era presa desse mesmo poder. Bêbado de vaidade, o seu medo era o medo de realizar as suas aspirações, medo do terror que desejava. Então se manteve inconsciente, anulando a racionalidade, até que chegou o momento em que teve de admitir as suas limitações e perguntar o que, acordado, faria em seguida. Deus sabia que esta história não poderia ser apreciada por ninguém mais, fora ele próprio. Não havia quem lhe dissesse o que era certo e o que era errado, ou o caminho a seguir. Era a própria imagem da solidão. Quando descia ao mundo dos homens e abandonava o seu mundo das ideias, ficava confuso porque o mundo inferior o adoecia com o nada. Grande era o medo da concussão que viria pelo desejo de abandono, pelo desejo da morte. Na verdade, era a preguiça de tudo recriar, como das outras vezes, e também pelo apego aos seres, que não sabia reconstruir fielmente: Ah, nunca seriam como antes! Ele gostaria de falar e chorar, mas as criaturas nunca poderiam entendê-lo, jamais conseguiriam se colocar na sua posição. Assim, era o responsável por se fazer apreciado. Tudo o que inventava, ele achava aquém de si próprio, justamente porque era o máximo. Ao se ver, podia perceber as suas falhas: o tempo, o movimento, a repetição, a vontade, que o impulsionavam para o abismo, pois, embora não houvesse o futuro, ele não tinha completa consciência da ordem de tudo.
O existir pressupõe o não existir. Tudo o que existe já não existiu e tudo o que não existe já
existiu.
Tudo está em processo, as ideias estão retroagindo ao início, os fundamentos estão se consolidando. Eu estou nascendo!
Destino Não É Acaso
Diante dos meus olhos, o mundo virou de novo.
É estranho como tudo muda tão rápido… ontem eu era uma versão de mim, hoje já sou outra — moldado pelo tempo, pelas dores, pelas escolhas… e principalmente pelo amor.
A vida é imprevisível, sempre foi.
Ela tira, ela devolve, ela confunde…
Mas, no meio desse caos bonito, ela sempre encontra uma forma de nos colocar frente a frente outra vez.
Entre idas e vindas, quase despedidas e reencontros improváveis, eu aprendi uma coisa:
quando é verdadeiro, não se rompe — se transforma.
Não sei se é bênção ou se é prova.
Só sei que cada vez que a gente se reencontra, a gente volta diferente… mais maduro, mais forte, mais consciente do que sente.
É como se o destino dissesse: “Ainda não acabou. Ainda não é o fim.”
Talvez eu seja o incerto que nasceu pra provar que pode dar certo.
Talvez o amor não seja sobre estabilidade imediata, mas sobre resistir ao tempo, às dúvidas e ao mundo que gira rápido demais.
E no meio dessa mudança toda, eu encontrei alguém que me ama no máximo. (YOU)
E isso não é pequeno.
Isso não é comum.
Isso é raro.
Se for pra ser luta, eu luto.
Se for pra esperar, eu espero.
Se for destino… então eu abraço.
Porque fugir do amor nunca foi minha especialidade.
E, se for você, eu escolho ficar.
O amor você pode tudo, você pode beijar verdadeiramente,
abraça verdadeiramente e dá um selinho
verdadeiramente.
Você pode amar e ser amado, você pode cuidar e ser cuidado.
Além das boas emoções que o cérebro recebe por causa da energia vital do amor que alimenta o próximo fortemente e simplesmente você pode chamar de môh ou mozão e ser zelado pelo seu amor infinitamente.
[O Crepúsculo do Criador ou
A Ascensão da Criatura]
É fácil dizer
que tudo foi criado
por um Deus,
que tudo é vontade dele.
Difícil é reconhecer,
que tudo se faz
e desfaz sem ele.
que o todo,
nada tem a ver
com sua imagem
e semelhança.
É uma possibilidade
apavorante,
uma constatação terrível
e assombrosa.
Mas nós estamos em busca
das respostas difíceis.
20/05/23
Michel F.M.
Floresta de Cactos
Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.
Independente
do que você espera de mim,
Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.
Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.
Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,
Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.
Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.
Palavreados
Ambicionando
Palavrões.
Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais
E nenhuma resposta.
Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver
Conosco.
Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só,
Poeta.
Esse é meu ofício,
Meu karma,
Maldição
E magia.
Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.
13/01/23
Michel F.M.
[Dhenniffer]
Breve passagem,
Como tudo que é bom,
Durou pouco;
Sendo que o ótimo,
Dura menos ainda.
Extrapolava
Em consoantes,
Aprovada com louvor,
Inextinguível, num instante.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Ser ou não ser nunca foi a questão,
Tudo sempre será mera constatação,
Num dia tu és, no outro não.
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