Eu sou tudo e nada
Perder-se na Beleza do Desejo
Eu me vejo nas sombras daquilo que não fui, mas que posso ser. Há um desejo em mim, um desejo de ser tocada, desejada, amada. Mas não é qualquer toque que me acende, nem qualquer olhar que me dissolve. Meu corpo clama, mas meu coração espera, com paciência, por quem saiba ver além da superfície, por quem compreenda o silêncio de cada suspiro meu.
Eu me perco na ideia de ser mais do que uma imagem fugaz, ser mais do que um desejo momentâneo. Não quero ser apenas desejada, quero ser a razão de um olhar, o abrigo de uma alma, o lugar onde os corpos se encontram sem pressa, onde o desejo se transforma em algo profundo e duradouro.
Perder-me é encontrar, é me entregar sem medo, é me descobrir nas entrelinhas do amor que ainda não vivi, mas que sei que posso experimentar. Porque o desejo não é só carne. Ele é o enredo que se desenha quando duas almas se tocam e se reconhecem. E eu me entrego a esse enredo, sem pressa de chegar ao final.
Para Ele, Que Já Existe
Eu não sei onde você está, nem se já me viu de longe ou se ainda caminha em outra direção. Mas sei que existe. Sei porque sinto sua ausência como se fosse uma presença, porque o espaço que você ocupa em mim já tem forma, cheiro, textura. Sei porque meus anseios não se dissolvem no tempo, porque meu corpo espera sem se perder no fácil, sem se entregar ao vazio.
Eu poderia dizer que espero pacientemente, mas não seria verdade. Espero com desejo, com urgência contida, com vontades que dançam dentro de mim sem encontrar palco. Espero porque sei que quando chegar, não será um encontro qualquer. Será o reconhecimento de algo que sempre esteve aqui.
Não me guardo por medo, nem por falta de oportunidades. Me guardo porque não sou para qualquer um, porque minha pele não responde a mãos que não saibam o que fazer com ela. Porque meu corpo, minha alma, tudo em mim precisa de verdade, de presença, de entrega.
Então, venha quando for tempo. Mas venha inteiro. Porque não quero metades, não aceito migalhas. Quero um toque que fique, um olhar que me prenda sem me acorrentar, uma voz que me acalme e desperte ao mesmo tempo. Quero ser para você o que você será para mim: um abrigo, um incêndio, uma certeza.
E quando vier, saberá que sempre foi você.
Quisera eu que as pessoas pudessem olhar para mim como eu olho para elas.
Que fossem capazes de me enxergar com os mesmos olhos com os quais as vejo.
Que olhassem para o mundo com a mesma profundidade e leveza que tento transmitir.
Ou, ao menos, que eu soubesse lidar com as palavras da mesma forma que meu olhar se expressa, de maneira equiparada e clara.
Que tivessem sensibilidade suficiente para me decifrar sem julgar.
Assim, entenderiam o que trago em meu olhar e perceberiam a importância de cada um deles.
Tem gente que me olha, mas não me vê.
E se não me vê, não me sente.
E se não me sente, não me compreende.
Quando a Ajuda Vira Julgamento
Não pedir ajuda não significa que eu não precise. Talvez eu só tenha um jeito diferente de demonstrar que preciso de você.
Sempre estive disponível para quem necessitou, sem que precisassem pedir. Bastava um olhar, um suspiro, e eu já estava lá. Porque quem quer ajudar, faz. Chega, estende a mão, encontra um jeito. Não espera que o outro precise gritar por socorro.
Mas quando sou eu que preciso, dizem que não me ajudo. Que não quero ajuda, porque não peço.
Como se fosse simples assim. Como se eu nunca tivesse tentado. Como se o fato de me esforçar até a última gota, sem incomodar ninguém, fosse um atestado de que estou ótima.
A verdade é que, quando pedi, nem sempre encontrei. E precisei aprender a lidar com a frustração do “não”, que só se ouve uma vez, mas ecoa para sempre. Precisei compreender os motivos dos outros, aceitar os limites que me impunham, mesmo que doessem.
Então, antes de pedir, eu penso: será que essa pessoa pode? Será que ela quer? Ou vai fazer por obrigação, com pressa para se livrar de mim?
É mais fácil esperar. É mais fácil não precisar pedir. Porque quem realmente quer ajudar, percebe. Chega perto. Não precisa de um pedido formal. Às vezes, tudo o que alguém precisa é de um abraço silencioso, sem perguntas, sem julgamentos.
Então, antes de dizer que eu não me ajudo, tente entender quantas vezes eu já me ajudei sozinha. Quantas vezes lutei contra tudo, sem incomodar ninguém.
Talvez o problema nunca tenha sido eu não pedir. Talvez o problema seja que nem todo mundo sabe realmente estar presente.
E ter que lidar com opiniões e julgamentos de quem me desconhece me torna, dia após dia, mais bloqueada e inacessível.
O Peso de Pedir
Dizem que eu não quero ajuda. Que não me ajudo. Que se eu precisasse de verdade, eu pediria.
O que ninguém entende é que pedir já foi uma escolha. Já foi uma tentativa, e, na maioria das vezes, o que encontrei foi silêncio, portas fechadas ou respostas que doeram mais do que o problema em si.
Aprendi a não insistir. Não por orgulho, mas por respeito. Porque sei que ninguém é obrigado a estar disponível. Sei que as pessoas têm seus próprios fardos e que nem sempre vão conseguir carregar o meu também. Então, eu escuto o não antes mesmo de ouvi-lo. E, para evitar o peso da rejeição, escolho não pedir.
Sei que, quando alguém realmente quer ajudar, ajuda. Sem esperar um pedido formal. Sem precisar ouvir "socorro" para entender que há um grito guardado no peito. Sei disso porque sempre fui essa pessoa. A que percebe, a que chega, a que estende a mão sem precisar ser chamada.
Então, se eu não peço, não é porque não preciso. É porque já aprendi que ir sozinho pode ser mais difícil e prolongado, mas é menos doloroso do que ouvir palavras cortantes e afiadas que já me feriram outras vezes. A solidão que vem com o silêncio, embora difícil, se torna um abrigo mais seguro do que os cortes invisíveis de quem diz querer ajudar, mas não está realmente disposto.
E quem sabe, talvez eu só precise de alguém que esteja disposto a perceber sem precisar de um pedido formal. Alguém que, como eu, entenda que a dor nem sempre se expressa em gritos, mas às vezes em silêncios profundos e na ausência de palavras.
Sustentada Pelas Mãos de Deus
Eu fui sustentada quando pensei que cairia. Fui acolhida quando me senti só. Nos dias em que minhas forças falharam, Deus me carregou nos braços sem que eu precisasse pedir.
Sou grata porque, mesmo quando não vi saída, Ele já tinha um caminho preparado. Quando minhas orações saíram em silêncio, Ele leu meu coração. Quando temi o futuro, Ele me lembrou que sempre esteve no controle.
Cada dia, cada recomeço, cada detalhe que me manteve de pé foi cuidado Dele. E, por isso, eu agradeço—não apenas pelo que entendo, mas também pelo que ainda não compreendo. Porque sei que, mesmo sem ver, Ele sempre cuida de mim.
Costurar o Tempo
Se a vida fosse tecido, eu escolheria linhas invisíveis para bordar os dias. Cada ponto seria memória, cada nó, resistência. Costurar o tempo é remendar o que a vida rasgou, é unir o ontem ao amanhã sem perder a delicadeza do agora.
Às vezes, o fio se parte e minhas mãos cansam. Mas ainda assim insisto — porque sei que o bordado só existe no processo, nesse gesto de refazer, de alinhar, de acreditar que o tecido pode sustentar o peso da história.
Se eu pudesse, costuraria o tempo com calma, deixando espaço entre as linhas para que a esperança respirasse. Assim, mesmo que o hoje doa, haveria sempre a chance de o amanhã se encaixar sem pressa, como peça que se completa no avesso da vida.
E no fim, talvez eu descubra que costurar o tempo não é prender instantes… é libertá-los para que continuem existindo em mim.
Torcida contra
Eu sei exatamente o que isso significa.
Já vi de perto o silêncio calculado, o elogio não dado, a curtida evitada como se reconhecimento fosse moeda rara demais para ser oferecida.
Já percebi quem observa tudo, mas prefere não somar.
Quem acompanha, mas não apoia.
Quem admira, mas não admite.
E por muito tempo eu questionei se o problema estava em mim.
Hoje entendo que não.
Existe uma torcida contrária que não grita, ela silencia.
E o silêncio também comunica.
Mas aprendi algo precioso:
o que é verdadeiro não depende de validação pública para existir.
Quem é luz não apaga para caber no desconforto alheio.
Se há quem não suporte minha felicidade, minhas conquistas ou minha inteligência, isso já não me diminui — me revela.
E sim, pessoas assim são necessárias.
Elas me ensinaram a não ser pequena, a não competir por migalhas de reconhecimento, a não economizar aplausos quando vejo alguém brilhando.
Hoje sigo consciente:
não preciso que todos celebrem, mas também não diminuo meu brilho para caber em quem prefere a sombra.
Eu fui o que pude,
eu dei o que tinha.
Se eu estava em pedaços,
como poderia ser inteira?
Não se entrega plenitude quando se está aprendendo a sobreviver.
Não se oferece abundância quando se vive de restos de si.
Ainda assim, eu fui.
Ainda assim, eu dei.
E talvez a pergunta nunca tenha sido sobre inteireza,
mas sobre verdade.
Porque há uma dignidade imensa em oferecer o que se tem,
mesmo quando o que se tem são fragmentos.
E quem não soube reconhecer isso
talvez nunca tenha entendido o que é amar alguém
em reconstrução.
Eu não me importo com o que pensam, com o que falam.
Nomes e sobrenomes para mim não fazem a menor diferença. O que me importa, o que me leva a gostar das pessoas é o que elas levam de verdadeiro do lado de dentro.
Por isso, eu peço: alguém aí coloca um pouco de vergonha na minha cara? Porque viver é ser. E eu sou, meu Deus do céu, eu sou. Meio desajeitada, meio apressada, meio abusada, mas sou.
Anjo Protetor
Estou a procura de um anjo
que não sei onde encontrar
Eu escuto seu sussurro
mas procuro ele não esta
Sua voz é muito doce
e seu toque é uma brisa
Fecho os olhos e imagino
como esse anjo seria
Sei que esta sempre ao meu lado
me protege a cada passo
É um anjo protetor
que me guia com amor.
INDOMÁVEL
Não...
Eu não sei domar
esta minha rebeldia,
este meu lado anarquista,
este mar que corre em mim...
Exagero no perfume,
na falta de modos,
na sinceridade
sem fim...
Sou sujeita às marés,
indisciplinada,
louca,
desenfreada...
Sou movida
às tentações
da madrugada!
Por uma coisa tola
eu me entrego toda
e amanheço
procurando
explicação
com cara
de quem
não tem a mínima idéia
aonde
perdeu
a razão!
Par perfeito
Eu posso parecer forte a todo momento
Ser aquela que não desiste e não tem medo de enfrentar desafios
Mas na verdade sou uma mulher indefesa, cheia de feridas do passado
Carente de um amor diferente, arrebatador
Um amor só meu, que me ame como eu sou com minhas imperfeições e complicações
Eu preciso de um colo ...Estou cansada de sempre ser aquela que decide tudo...
Quero poder ter a fragilidade de uma mulher
Quero que uma vez na vida , alguém se importe em cuidar de mim!
E não espere que eu dê o primeiro passo para tudo.
Quero um homem de verdade ao meu lado..Cansei dos garotos...
Eu costumava esconder minha dor, meu ódio atrás de um sorriso, mas agora o sorriso parece ter se cansado e resolveu se ausentar por um tempo. Quando voltará? Talvez quando eu aprender a usa-ló de verdade e não desgasta-ló à toa. Mas só o que eu gostaria era que toda essa dor tivesse ido embora com aquele sorriso falso.
Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.
A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efetivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.
As vezes nós precisamos errar pra entender como que as coisas funcionam.
Eu errei, eu sei que errei. Mas também aprendi muito. Me dei conta de que ninguém é obrigado a fazer alguma coisa por mim, que às vezes é preciso abrir mão dos nossos planos. Nem tudo nessa vida é fácil, e eu sei disso. Mas não que “ah, eu sei”...Não, eu sei porque eu aprendi da forma mais dolorosa do mundo: eu me vi sozinha. E acho que só agora eu consigo ver a situação de uma forma positiva.
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