Eu sou tudo e nada
Eu e meus botões
Quando você quiser encontrar colo, não procure em molas sofisticadas de alguém que não lhe oferece conforto.
Existem colos no olhar, no carinho, no dizer: “Oi, querida, eu te amo”; no aperto de um abraço sincero, na carta escrita, no beijo demorado.
E, por fim, no abraço de inverno...
Ouvindo a mais pura música do luar de Janeiro.
"Eu gostaria de viver como um pobre, mas com muito dinheiro" .Pablo Picasso
Se viver como um pobre pode ficar rico, se viver como rico pode ficar pobre" Ademar de Borba
É uma pena que a nossa sintonia tenha se perdido na rotina. Mas aprendi que, se eu preciso sempre dar o primeiro passo, significa que já estou caminhando sozinho há muito tempo.
o gabrieu e o parice II
Existe alguém dentro de mim que não tem paciência.
Eu descobri isso tarde, depois de passar tempo demais tentando ser uma pessoa fácil de carregar. Ele apareceu quando eu já estava acostumado a me abandonar em pequenas doses, quando dizer não para mim mesmo tinha virado uma forma de educação e desistir dos meus sonhos parecia apenas uma consequência natural de crescer.
Ele odiou isso.
Odiou a minha prudência.
Odiou o jeito como eu transformava medo em maturidade e acomodação em paz.
Odiou principalmente quando eu dizia “um dia”.
Porque ele sabia.
Ele sabia de todas as coisas que eu já imaginei fazer, de todas as versões de mim que já existiram na minha cabeça antes que eu tivesse coragem de colocá-las no mundo. Sabia dos lugares onde eu queria chegar, das coisas que queria construir, da pessoa que eu dizia que seria quando tivesse tempo, dinheiro, coragem, oportunidade, certeza.
Ele escutou todas essas promessas.
E um dia perdeu a paciência.
Não veio me consolar.
Veio me buscar.
Disse que eu estava correndo na direção errada e que, se precisasse, me arrancaria dela à força. Não porque me odiasse, mas porque talvez fosse a única coisa dentro de mim que ainda me amasse o suficiente para não aceitar a minha própria desistência.
Eu tentei explicar.
Falei de responsabilidade.
De pessoas.
De consequências.
De tudo aquilo que existe do lado de fora de nós e que aprendemos a carregar como se fosse nossa obrigação.
Ele riu.
Não porque aquilo fosse engraçado.
Porque estava cansado.
“E você?”
Foi só isso.
E você?
Eu não tinha resposta.
Porque passei tanto tempo perguntando o que os outros precisavam que esqueci de perguntar o que eu queria.
Ele não esqueceu.
Ele queria tudo.
Queria as viagens que eu adiei.
Os projetos que eu deixei morrer antes de nascer.
As noites em que eu deveria ter saído.
As conversas que eu deveria ter tido.
As portas que eu não bati.
As cidades que eu só conheci pela tela.
Queria que eu fosse até o fim de cada coisa que um dia fez meus olhos brilharem.
Não importava se eu fracassasse.
Fracasso, para ele, ainda era movimento.
O que ele não aceitava era a covardia sofisticada de chamar desistência de escolha.
Então começou a destruir.
Não minha vida.
A vida antiga.
Aquela que tinha sido construída para me manter pequeno.
Quebrou os móveis imaginários daquele apartamento mental onde tudo estava sempre no lugar, mas nada realmente acontecia. Pegou as fotografias das versões antigas de mim e rasgou uma por uma. Incendiou as desculpas. Jogou no asfalto os planos que nunca saíam do papel.
Eu fiquei desesperado.
“Você está acabando com tudo.”
Ele respondeu:
“Não. Estou acabando com aquilo que acabou com você.”
E eu odiei ouvir aquilo porque alguma parte de mim sabia que era verdade.
Ele não tinha delicadeza.
Delicadeza demais tinha sido justamente o problema.
Ele era egoísta.
Completamente.
Se alguém precisasse ficar para trás para que eu pudesse avançar, ele não passaria a noite inteira se culpando.
Se uma porta exigisse que eu deixasse uma versão antiga de mim do lado de fora, ele fecharia.
Se uma vida inteira tivesse sido construída em cima da ideia de agradar todo mundo, ele preferiria colocar fogo na casa a continuar morando nela.
Ele não queria ser uma pessoa melhor.
Queria que eu fosse inteiro.
Essa era a diferença.
E talvez fosse por isso que eu tivesse tanto medo dele.
Porque ele não negociava com a parte de mim que queria continuar pequena.
Quando eu dizia “não consigo”, ele perguntava “ainda não ou nunca?”
Quando eu dizia “não é a hora”, ele perguntava “quando foi que você decidiu que teria outra?”
Quando eu dizia “e se der errado?”, ele respondia que pelo menos o erro teria o meu nome.
Ele tinha raiva.
Uma raiva quase sagrada.
Raiva de tudo que transforma pessoas em versões aceitáveis delas mesmas.
Raiva da cadeira confortável onde sonhos morrem lentamente.
Raiva das frases que começam com “se eu pudesse”.
Raiva de olhar para uma vida inteira pela frente e escolher viver como se já estivesse no fim.
Ele ardia.
Eu conseguia sentir.
Era como carregar uma pequena tempestade atrás das costelas.
E quanto mais eu tentava apagá-lo, mais fogo ele colocava nas coisas.
Só que, estranhamente, quanto mais ele queimava, mais frio ficava o mundo ao redor.
Eu corria dele.
Ele corria atrás de mim.
Eu procurava abrigo.
Ele derrubava o teto.
Eu queria voltar.
Ele apontava para frente.
E essa talvez seja a parte mais cruel:
eu quero ficar.
Quero ficar exatamente onde estou.
Quero preservar as pessoas, os lugares, os hábitos, as versões que conheço.
Quero acreditar que ainda posso ter tudo sem precisar perder nada.
Mas ele sabe que não.
Ele sabe que algumas versões de nós não cabem na próxima.
E quando chega a hora, ele não pede permissão.
Ele pega minha mão.
Eu puxo de volta.
Ele segura mais forte.
Eu digo que tenho medo.
Ele diz que também.
E continua andando.
Porque talvez coragem nunca tenha sido ausência de medo.
Talvez coragem seja ter alguém dentro de você que tenha medo também e, mesmo assim, continue arrastando você para frente.
Hoje eu ainda reluto.
Ainda tento negociar.
Ainda olho para trás.
Ainda sinto falta daquilo que ele destruiu.
Mas existe uma coisa que não consigo mais negar.
Aquele monstro nunca quis me machucar.
Ele queria me impedir de passar o resto da vida me machucando devagar.
Ele não apareceu para tomar minha vida.
Apareceu porque eu tinha deixado de tomá-la para mim.
E agora, quando sinto o fogo dele subindo, quando aquela voz começa a dizer que já chega, que não existe mais espaço para adiar, eu sei o que está acontecendo.
Ele está acordando.
E eu sei que vou correr.
Vou relutar.
Vou tentar convencê-lo a me deixar em paz.
Mas, no fundo, existe uma parte de mim que já sabe exatamente para onde estamos indo.
Para tudo aquilo que um dia eu imaginei.
Para tudo aquilo que ainda não existe.
Para a vida que eu continuei prometendo que começaria algum dia.
Ele não quer esperar.
Ele quer agora.
E talvez seja por isso que eu tenha tanto medo de olhar para ele.
Porque quando olho, não vejo um monstro.
Vejo a única versão de mim que nunca desistiu de nós dois.
Assuma o controle Parice, eu lhe permito, não existe mais nada pra mim aqui.
Eu não vou falhar
Não tenho desculpas
Eu só tenho uma chance
Então eu vou fazer valerApena
todo suor e lágrima que eu derramar
Tem dias em que parece que alguma coisa dentro de mim simplesmente se apagou. Eu continuo vivendo, conversando, sorrindo e fazendo aquilo que preciso fazer, mas existe uma parte de mim que permanece em silêncio, tentando entender por que tudo parece tão difícil.
É estranho sentir tanta coisa e, ao mesmo tempo, não conseguir identificar exatamente o que está acontecendo. Às vezes penso que estou bem, até perceber que estou apenas tentando me convencer disso. Outras vezes, sinto uma tristeza que não consigo explicar e uma vontade enorme de desaparecer por algumas horas, apenas para não precisar lidar comigo mesma.
Tenho guardado sentimentos demais. Coisas que nunca falei, dores que tentei esquecer e pensamentos que prefiro esconder. Talvez eu tenha me acostumado tanto a fingir que estou bem que já nem sei mais diferenciar quando realmente estou.
O pior acontece quando fico sozinha. Minha cabeça se torna um lugar difícil de permanecer. Pensamentos antigos retornam, inseguranças aparecem e tudo aquilo que durante o dia consigo ignorar parece ganhar voz.
Você me leva a alturas
Que sozinha eu jamais poderia alcançar
E me leva a abismos
Que ninguém poderia suportar
Você é a minha brecha
Por onde passam toda minha dor e alegria
Toda minha fraqueza e minha força
Você me mostra quem eu sou
E quem você me torna
Você me mostra o quão grande eu sou
E o quanto você é mais forte que eu
Eu sempre perco para você
Você rouba todas as minhas vitórias
Sua estante está repleta de troféus que deveriam ser meus
Mas agora eu sei quem você é
E sei quem eu sou
E pode me esperar
Por que eu estou indo atrás de você
Para resgatar um piloto, os EUA mobilizaram centenas de soldados e dezenas de aeronaves! Eu já vi esse filme, mas não gosto de ficção; prefiro produções baseadas em fatos reais! A produção não agradou à crítica e será um fracasso de bilheteria!
Não concorda com minhas ideias,tranquilo...mas eu jamais vou mudar minhas convicções só pra agradar quem quer que seja, não preciso, nem quero.
A Cartografia do Instante
Perguntaram-me qual seria a jornada mais incrível;
eu, que ando pelos caminhos da insciência absoluta,
recusei os mapas grandiosos e os destinos barulhentos.
A verdadeira aventura não desafia os abismos do mundo;
ela reside no milagre de desarmar o tempo,
ao lado da companhia que escolhi para dividir o silêncio.
Caminhar sem rumo por um solo belo e desconhecido,
onde os relógios não têm poder sobre os nossos passos;
viver sem a pressa que adoece o espírito,
sem o peso das expectativas que inventam miragens.
Apenas a vivência pura, o instante que se faz carne,
seja no sabor de um prato simples,
seja no contorno manso de uma paisagem que se descobre.
Há uma melancolia mansa em saber que tudo passa;
as lembranças que construímos são a nossa única âncora.
Mas quando cada gesto é desenhado pela verdade,
e cada olhar carrega a pureza da sinceridade,
o mundo imenso e ruidoso deixa de importar.
O horizonte inteiro se resume àquele espaço calmo...
onde a vida acontece sem precisar de explicação.
Hoje estou triste.
Triste pelo que fizeram,
pelo que não fizeram,
pelo que eu fiz comigo mesma
tentando acreditar que algumas pessoas
seriam aquilo que eu precisava que fossem.
Talvez amanhã eu volte a acreditar.
Talvez eu volte a oferecer carinho,
a confiar,
a enxergar beleza nas pessoas.
Mas hoje...
hoje eu só quero recolher meus pedaços
e ficar um pouco em silêncio.
E talvez eu não esteja decepcionada com o amor,
nem com a amizade,
nem com o mundo.
Talvez eu esteja apenas cansada
de amar com tanta verdade
em um lugar onde nem todo mundo
sabe o que fazer com ela.
Talvez eu esteja decepcionada comigo por sentir tanto tudo isso ...
E só por hoje me permito ficar triste.
O meu aniversário é dia 1/9/2018.
Quando eu tenho 5 anos e começo
a ir pra escola, em 2023: "Escola Oásis".
2024: "Escola CEI"
2025 e 2026: "Escola Sandoval"
Eu fui um cara …
É eu fui um cara
Fui cara ingênuo
Um cara malicioso
Fui um cara sonhador
Mas também fui um cara iludido
É já fui cara que tentou ser um cara
É que quebrou a cara
Várias e várias vezes
Mas também fui um cara
Cara que levantou
Que caiu
Eu fui cara que construiu
Desconstruiu
Hoje sou um cara só um cara
Que pela ânsia de um dia querer ter sido o cara
Apenas que ser um cara
Um cara comum
Aquele tipo que cara
Que existe
Que resiste
Que insiste
E que no fim nunca perde o vício de querer ser o cara.
Marco Antônio
13/08/2026
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