Eu sou Praia eu sou Montanha
Pois sob a escuridão tem uma luz tentando fortemente aparecer, e eu sei disso porque eu vi um pouco brilhando entre as emendas.
Ontem eu quis gritar pro mundo o quanto eu ainda te amo, o quanto eu ainda sinto falta de ouvir você me chamar de princesa e de me dar um abraço apertado antes de ir embora. Ontem eu passei o dia pensando em você e lembrando do seu sorriso, e da maneira que você ficava tímido quando eu te chamava de lindo. Mas eu não podia, porque ontem, como muitos outros ‘ontems' que já se passaram, você não está mais aqui, e eu vou ter que continuar negando todo esse sentimento único, porque está errado sentir tanta falta assim. Hoje já me sinto menos desesperada, menos apaixonada, e até acho que não te amo mais hoje, mas isso só dura enquanto hoje é hoje, porque assim que esse momento virar ontem, tudo volta pro início desse texto. É muito difícil tudo isso, por que é como diz minha querida Tati Bernardi, "...nunca passa, mas quase passa todos os dias".
Por quase noventa anos andei entre os meus e entre os seus. O tempo todo pensando que eu era completo comigo mesmo, sem perceber o que procurava. E sem encontrar nada, porque você ainda não estava viva.
Me deparei com a pergunta: por que eu não escrevo mais? Não escrevo mais porque todos os meus textos são sobre você. E eu me cansei disso, digo: de você. Cansei de exaltar suas qualidades e até mesmo inventar algumas. Cansei de escrever sobre a falta que você me fazia e ainda faz, por mais que eu odeie admitir isso. Cansei de escrever pedindo desculpas e sobre sua falta de percepção. Eu preciso seguir com a vida, só que dessa vez, sem você. E pra que isso aconteça, eu preciso desatar esse nó que me prende a você. É por isso que eu não escrevo mais. Não escrevo porque você ficou no passado e infelizmente, o momento qual estou vivendo, se chama presente.
Eu vejo tanta poluição, em um mundo onde não existe amor, não existe paz, não existe nem dor, existe apenas uma disputa onde as pessoas jogam seus valores no lixo tentando parecer melhor que os outros.
Disse que se tudo desse errado eu tinha pelo menos o consolo de que eu acreditava, de que eu realmente pensava que isso podia ser o melhor para mim, de que preferi arriscar e tentar uma história só minha a passar a vida realizando planos que nunca foram meus.
Talvez as coisas não saiam do jeito que eu quero, mas eu não devo me arrepender da esperança que eu sinto e da vontade que eu tenho.
Nota: Trecho do poema "Quase", muitas vezes atribuído erroneamente a Luis Fernando Veríssimo.
Tem música que eu adoro, mas acabo esquecendo, escuto depois de muito tempo e lembro como ela é ótima. Passo dias ouvindo e tentando entender em que momento eu parei de escutar. Te reencontrar é assim.
Eu sempre imaginei em encontrar uma pessoa que me trouxesse paz, que me trouxesse conforto e que me aceitasse exatamente como sou. Aí eu conheci você e você não era nada disso! Ao invés de paz você trouxe um monte de novidades para minha vida. Ao invés de conforto você trouxe um novo modo de pensar; novos lugares para conhecer. Ao invés de me aceitar como eu sou você me fez descobrir que eu poderia ser muito melhor. Nós somos muito diferentes, mas somos diferentes de um jeito que eu acho perfeito, porque a gente se completa, você é tudo que estava faltando na minha vida e espero sinceramente ser o mesmo pra você. O normal seria eu dizer agora nunca mude e continue ser essa pessoa que amo, mas na verdade eu vou dizer, continue mudando porque assim você continua mudando a minha vida. Eu te amo cada vez mais e cada vez de um jeito novo!
Em suma, fui covarde demais para fazer o que eu sabia ser certo, tal como fora covarde demais para evitar fazer o que sabia ser errado.
Tipo, eu não estou bem, mas eu também não estou mal. É uma confusão dentro da minha mente, algo que nem eu mesma sei explicar. Tanta falsidade nesse mundo têm me deixado atrapalhada, têm me deixando louca. Nem eu sei o que eu estou sentindo, eu só sei que eu quero que as coisas melhorem, de verdade, na minha vida. Quero de volta aquele sorriso verdadeiro no meu rosto novamente, aquela alegria de viver, aquela vida que existia dentro de mim. Tento fingir que estou bem, mas chega uma hora que não dá mais. Eu tenho que mostrar o que sinto.
Eu fico completamente baratinada quando começam a me perguntar o que vai ser, o que vai acontecer com uma tal coisa. Sei lá, eu não sei onde é que eu vou estar amanhã. Eu sei o que eu to fazendo hoje, agora, o resto não interessa. Talvez o mal é que a gente pede amor o tempo todo. Não se preocupa nunca em dar amor, sem esperar reciprocidade.
Eu sempre acho que amanhã será o dia de mudar de vez, de me assumir por completo. Mas daí o amanhã chega e tenho uma imensa preguiça de sair da minha área de conforto, porque é bem provável que ninguém entenda. E dá medo encarar o que é definitivo. E porque é mais fácil reclamar da vida do que torná-la leve de sobreviver.
