Eu sou assim Completamente Indefinida
Eu não tenho raiva de quem é temente a Deus; sinto pena. Com a mente fechada e o progresso limitado, são como cavalos que só enxergam o que está à frente. Quando falarmos em implantar chips para facilitar a vida, vão dizer que é coisa do anticristo. Só vão acordar quando a verdade estiver escancarada e uma catástrofe atingir o planeta — enquanto religião e políticos se refugiam em bunkers, perpetuando o mal na Terra.
Eu nasci no campo de batalha sem ao menos saber o que estava acontecendo.
Mas, com o tempo, percebi que essa guerra é silenciosa.
Ela é travada nas mentes das pessoas —
é uma luta de ideologias, entre a consciência e a ignorância,
o misticismo e a realidade,e a arma mais poderosa é o conhecimento.
Eu sei como me sinto, sei a dor, o buraco, sinto mágoa de quem me fez se sentir péssima, mas na hora de dizer oq fizeram eu não sei explicar, esqueço muita coisa, e por um instante eu penso : "Será que não é exagero meu?" Mas eu tenho a certeza que fui magoada e então fico ruminando, me culpando, aí entro naquela espiral de destruição.. vazio que me engole, tristeza, as vezes choro muito, e as vezes nem lágrima cai... É um luto sem perda, um sentimento de estar num velório mas não tem um corpo... O morto na verdade SOU EU ! Eu parei com a terapia quando percebi que a pergunta da Psicóloga era: "Tudo bem?" e eu percebia que estava muito monótono sempre dizer que NÃO! Fui desanimando a cada sessão em não poder responder com sinceridade, com medo do que ela iria pensar de mim, "POXA, DE NOVO A MESMA COISA DONA PRISCILA?" ou talvez um "Você está criando novos hábitos para sair dessa situação?"..Novos hábitos? Eu não consigo!!! Era um fracasso exposto a cada sessão!! Eu me sentava diante dela esperando que saíssem as palavras certas quando na verdade eu só queria mesmo sentar no chão daquela sala e chorar por muito tempo .. Mas também não tinha tanto tempo assim não é mesmo! A sessão acabaria para que outros pudesse entrar !! Eu morri, mas tem quem dependa de mim então eu tenho que mentir e fingir que estou bem e que.. ainda estou aqui!!
Aos 30, eu queria conquistar o mundo, tudo tinha um tamanho muito grande na minha cabeça, hoje eu faço o que posso em todas as áreas.
Quero estar confortável dentro da minha própria pele, onde quer que eu esteja.
Abraçar a sua sombra é parar de fugir do espelho. É olhar pra dentro e dizer “eu sei o que você fez" “e mesmo assim, ainda te amo” “porque você é tudo o que me sobrou e tudo o que me trouxe até aqui.”
Ninguém é inteiro sem seus pedaços escuros.
Ninguém é forte sem suas quedas.
Ninguém é livre sem primeiro encarar o cárcere da própria mente.
Você diz que vai embora.
Eu digo “vai”, mas minha voz treme.
Você diz que me odeia.
E eu rio. Porque sei que no fundo você só não sabe mais amar.
Nem eu.
A gente se estraga melhor do que se ama.
Mas tem alguma coisa nesse caos que parece casa.
Alguma coisa doente, instável, mas familiar.
Mas agora eu uso a tua ausência como um casaco: grande demais, pesado demais e cheio de coisa tua.
Ainda me aquece.
Mas só machuca.
Tu chegava como quem acende as luzes da sala e pergunta se eu quero ficar.
Mas a cada resposta minha, desligava uma lâmpada.
E eu, tateando no escuro, comecei a achar bonito tropeçar em você.
Pior: comecei a achar que amar era isso.
Tentar caber em alguém que já está cheio de si.
A verdade é que eu não queria ouvir a voz dela. Eu queria ouvir a minha voz com a presença dela no fundo.
Porque a gente aprende a falar diferente quando é ouvido com amor.
E desde que ela foi embora, eu desaprendi até a me explicar.
Eu sofro com um medo ridículo de te encontrar por acaso e o coração me entregar antes do olhar.
De você me tratar com a leveza de quem já esqueceu tudo — e eu ainda carregando cada detalhe como se fosse ontem.
De te ver feliz demais… e perceber que quem te fazia mal era eu.
Eu teria paz se não precisasse lembrar que fomos quase. Quase eternos, quase salvos, quase felizes.
Talvez eu parasse de tomar comprimidos se eles viessem com a garantia de que a saudade evapora, em vez de decantar no fundo da garganta.
Eu procuro teus gestos em outros corpos, porque cada movimento teu carregava um misto de doçura e ferocidade que eu nunca mais encontrei. Mas no final, só encontro esse vazio meticuloso, que não grita, não explode, apenas se instala — como uma doença silenciosa que vai ocupando cada espaço até não sobrar nada de bom pra sentir.
