Eu Sonho o que eu quero Pedro Bandeira
Quando parece que as coisas
estão indo bem e que finalmente
estou indo pelo caminho certo,
quando os meus sonhos são
construídos e parecem firmes
como rocha e penso que nada
pode dar errado, ai vem a vida e
me prega uma peça e num
piscar de olhos os sonhos são
jogados ao vento e a eufórica
alegria vivida se transforma em
profunda tristeza vendo que
tudo deu errado novamente e
que mais uma vez é preciso
recomeçar .
Posso dizer que estou triste e
estar triste é estar atento a si
próprio, é estar desapontado
com alguém, com vários ou
consigo mesmo, é estar um
pouco cansado de certas
repetições, é descobrir-se frágil.
Dois livros sobrepostos
Páginas se juntaram
Personagens se misturaram.
Uma: a musa sem brilho,
O outro: o instrumentista engavetado.
Desse encontro, o inesperado...
Onde antes eram solos adormecidos
flores brotaram por todos os raios.
Músicas voavam com o vento, dançavam!
A musa, agora em brilho, cumpria sua missão,
revelou ao instrumentista o que estava oculto
em sua alma: imensidão!
Ela por ele sonhou e inspirou
Ele por ela compôs e tocou
Música sublime proferiu-se pelo espaço...
Contudo, os livros foram re-organizados
Voltaram a compor a estante da sala de estar.
Cada personagem ao seu livro de origem regressou
E o que restou desse intenso e furtivo enlace?
A musa e o instrumentista não serão mais os mesmos...
Parte de um seguirá com o outro.
E a bela música guardou em si a eternidade desse amor.
Quando vir um novo dia
Encontre-o, mãos estendidas
Acalente-o nos braços
Abertos,
Infinito espaço.
Adorne-o de esperanças
Receba e reflita sua luz
Seja encanto
Perdure
Infinito canto.
Prepare-se ao inesperado
Corra, procure, ache!
Leve contigo sua bússola
que pulsa, vibra, sente, grita:
Siga!
Cada dia é um novo dia e uma batalha diferente. As vezes é dificil e queremos desistir mesmo. Mas é preciso para e pensar o que nos fez chegar até aqui. De tantas outras batalhas que foi vencida. E de tantas outras que ainda serão vencidas. Então por mas que o momento seja dificil não desista. LUTE ATÉ O FIM.
Porém se por virtude alguém decida
Ler algo que escrevi na etérea vida
Nos olhos de outro alguém vou renascer
A depressão é como um bolo, é resultante da mistura de várias dores. E como é doce a terrível dor da depressão.
Ontem sonhei com você, foi tão lindo que acordei sorrindo .
Meu corpo ferve só de olha para você meu querido, e quando você pega no meu cabelo e me domina na cama nossa.
Tenho prazeres com você, que nunca tive com ninguém.
Acordei sem criatividade
e o q me resta é passear nessa cidade.
Pego minha bike azul marinho. E vou…
Descendo essa ladeira. Eu vou…
Queria te encontrar pelo caminho, seria tão bom, mas eu vou
Pelas ruas das mangueiras, minha cidade morena. Rodeada por paisagens tão belas. Eu vou…
E por alguns minutos fico sentada aparentemente, tranquila.
Te encontro, observo e você nem percebe, no entanto essa é a ideia.
O meu olhar de soslaio, disfarço.
Mas o seu pescoço, delicado…
Fico admirada com você deitada
nesse gramado úmido de lágrimas brilhantes…um vício
…
Seguindo no meu caminho
sinto o vento entrando nos poros do meu corpo e as árvores continuam
agitadas…gosto de vê o seu rosto
Poema de Finados
Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.
Para cada casa edificada sobre areia que tiveram suas quedas, existirá sempre uma Rocha para reconstrução.
Escusa
Eurico Alves, poeta baiano,
Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito,
Sinto muito, mas não posso ir a Feira de Sant'Ana.
Sou poeta da cidade.
Meus pulmões viraram máquinas inumanas e aprenderam a respirar O gás carbônico das salas de cinema.
Como o pão que o diabo amassou.
Bebo leite de lata.
Falo com A., que é ladrão.
Aperto a mão de B., que é assassino.
Há anos que não vejo romper o sol, que não lavo os olhos nas cores das madrugadas.
Eurico Alves, poeta baiano,
Não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da roça.
