Eu Sonho o que eu quero Pedro Bandeira
- Desvendas-me ou devoro-te?
E não se desvendou. Foi devorado. Incapaz de se desconstruir, incapaz de peregrinar no seu interior, de desvendar as suas quimeras, foi devorado pela esfinge. Agora, jaz aos seus pés, sem nunca conseguir misturar a infância, o tempo, sem nunca ter sido sobressaltado consigo mesmo, pelos seus tédios, sem nunca se ter devorado a ele próprio.
Morreu numa contemplação permanente das vidas alheias, na monotonia de si mesmo, na constância das horas sem insistências metafísicas, morreu sem nunca se ver ao espelho em esgares de libertação. Viveu numa felicidade indefinida, uma felicidade de abstenção, viveu na vã glória de se deixar arrastar pelo destino.
Foi pela CRUZ que entendi e então...
Toda a minha vida ruim e de fracassos, cansado coloquei aos pés DELE.
Em pé, estendendo a SUA mão para mim, convidou-me a sentar à mesa com ELE.
É como tudo na vida. Você acha que tem todas as respostas, e então, à medida que envelhece, percebe que não tem nenhuma. Quando você se dá conta, é tarde demais.
Não esqueças do amor....
Nem da realidade....
Não te esqueças da paz e felicidade....
Não esqueças que aqui bem distante....
Terás sempre um amigo de verdade.....
Vim para cá pensando que queria uma coisa. Virar alguém que pensei que deveria ser. Mas você me ensinou um jeito totalmente novo de viver a vida.
A vida é uma tempestade, meu jovem amigo. Deleitar-se-á ao Sol, num momento, para ser arremessado contra as rochas, no momento seguinte. O que fará de si um homem é como reagirá, chegada a tempestade.
Primeiro você começa carregando uma bolsa masculina, e, então, quando vê, já está por aí de roupão e pantufas de coelhinho cor-de-rosa, perseguindo galinhas com um aparador de grama.
O amor é matemática de inexatidão. É transbordamento de universo em célula. É revelação gritante no mistério do silêncio. Razão da qual só ele a si o explica!
O falso amor necessita de proximidade física para ser seu palco, porém é na ausência que o verdadeiro se revela!
