Eu Sonho o que eu quero Pedro Bandeira
Eu vejo no seu olhar o que sua boca não consegue dizer,é quando eu passo por você,é diferente o clima muda não sei explicar.
Boa Noite
Boa noite, Maria! Eu vou,me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde. .
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa noite! ... E tu dizes - Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos!
Julieta do céu! Ouve... a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti? ... pois foi mentira...
Quem cantou foi teu hálito, divina!
Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
"É noite ainda em teu cabelo preto..."
É noite ainda! Brilha na cambraia
— Desmanchado o roupão, a espádua nua
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua. . .
É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores.
Fechemos sobre nós estas cortinas...
— São as asas do arcanjo dos amores.
A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.
Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!
Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora. . .
Marion! Marion!... É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...
Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
— Boa noite! — formosa Consuelo.
Eu jamais afasto-me de amizade alguma, porem não percebem que hoje não merecem mais a mesma atenção que tinham antes...
“Como Madonna disse uma vez, eu sou durona, eu sou ambiciosa e se isso faz de mim uma bitch, é isso que eu sou. Tenho certeza que ela roubou essa fala de Sue Sylvester. Não, sério. Eu falei primeiro.”
A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efetivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.
Jamie era mais do que apenas a mulher que eu amava. Naquele ano, Jamie me ajudou a me tornar o homem que sou hoje. Com a sua mão firme, ela me mostrou o quanto é importante ajudar os outros; com a sua paciência e bondade, ela me mostrou qual é o real sentido da vida.
Perder-se na Beleza do Desejo
Eu me vejo nas sombras daquilo que não fui, mas que posso ser. Há um desejo em mim, um desejo de ser tocada, desejada, amada. Mas não é qualquer toque que me acende, nem qualquer olhar que me dissolve. Meu corpo clama, mas meu coração espera, com paciência, por quem saiba ver além da superfície, por quem compreenda o silêncio de cada suspiro meu.
Eu me perco na ideia de ser mais do que uma imagem fugaz, ser mais do que um desejo momentâneo. Não quero ser apenas desejada, quero ser a razão de um olhar, o abrigo de uma alma, o lugar onde os corpos se encontram sem pressa, onde o desejo se transforma em algo profundo e duradouro.
Perder-me é encontrar, é me entregar sem medo, é me descobrir nas entrelinhas do amor que ainda não vivi, mas que sei que posso experimentar. Porque o desejo não é só carne. Ele é o enredo que se desenha quando duas almas se tocam e se reconhecem. E eu me entrego a esse enredo, sem pressa de chegar ao final.
Para Ele, Que Já Existe
Eu não sei onde você está, nem se já me viu de longe ou se ainda caminha em outra direção. Mas sei que existe. Sei porque sinto sua ausência como se fosse uma presença, porque o espaço que você ocupa em mim já tem forma, cheiro, textura. Sei porque meus anseios não se dissolvem no tempo, porque meu corpo espera sem se perder no fácil, sem se entregar ao vazio.
Eu poderia dizer que espero pacientemente, mas não seria verdade. Espero com desejo, com urgência contida, com vontades que dançam dentro de mim sem encontrar palco. Espero porque sei que quando chegar, não será um encontro qualquer. Será o reconhecimento de algo que sempre esteve aqui.
Não me guardo por medo, nem por falta de oportunidades. Me guardo porque não sou para qualquer um, porque minha pele não responde a mãos que não saibam o que fazer com ela. Porque meu corpo, minha alma, tudo em mim precisa de verdade, de presença, de entrega.
Então, venha quando for tempo. Mas venha inteiro. Porque não quero metades, não aceito migalhas. Quero um toque que fique, um olhar que me prenda sem me acorrentar, uma voz que me acalme e desperte ao mesmo tempo. Quero ser para você o que você será para mim: um abrigo, um incêndio, uma certeza.
E quando vier, saberá que sempre foi você.
Quisera eu que as pessoas pudessem olhar para mim como eu olho para elas.
Que fossem capazes de me enxergar com os mesmos olhos com os quais as vejo.
Que olhassem para o mundo com a mesma profundidade e leveza que tento transmitir.
Ou, ao menos, que eu soubesse lidar com as palavras da mesma forma que meu olhar se expressa, de maneira equiparada e clara.
Que tivessem sensibilidade suficiente para me decifrar sem julgar.
Assim, entenderiam o que trago em meu olhar e perceberiam a importância de cada um deles.
Tem gente que me olha, mas não me vê.
E se não me vê, não me sente.
E se não me sente, não me compreende.
Quando a Ajuda Vira Julgamento
Não pedir ajuda não significa que eu não precise. Talvez eu só tenha um jeito diferente de demonstrar que preciso de você.
Sempre estive disponível para quem necessitou, sem que precisassem pedir. Bastava um olhar, um suspiro, e eu já estava lá. Porque quem quer ajudar, faz. Chega, estende a mão, encontra um jeito. Não espera que o outro precise gritar por socorro.
Mas quando sou eu que preciso, dizem que não me ajudo. Que não quero ajuda, porque não peço.
Como se fosse simples assim. Como se eu nunca tivesse tentado. Como se o fato de me esforçar até a última gota, sem incomodar ninguém, fosse um atestado de que estou ótima.
A verdade é que, quando pedi, nem sempre encontrei. E precisei aprender a lidar com a frustração do “não”, que só se ouve uma vez, mas ecoa para sempre. Precisei compreender os motivos dos outros, aceitar os limites que me impunham, mesmo que doessem.
Então, antes de pedir, eu penso: será que essa pessoa pode? Será que ela quer? Ou vai fazer por obrigação, com pressa para se livrar de mim?
É mais fácil esperar. É mais fácil não precisar pedir. Porque quem realmente quer ajudar, percebe. Chega perto. Não precisa de um pedido formal. Às vezes, tudo o que alguém precisa é de um abraço silencioso, sem perguntas, sem julgamentos.
Então, antes de dizer que eu não me ajudo, tente entender quantas vezes eu já me ajudei sozinha. Quantas vezes lutei contra tudo, sem incomodar ninguém.
Talvez o problema nunca tenha sido eu não pedir. Talvez o problema seja que nem todo mundo sabe realmente estar presente.
E ter que lidar com opiniões e julgamentos de quem me desconhece me torna, dia após dia, mais bloqueada e inacessível.
Sustentada Pelas Mãos de Deus
Eu fui sustentada quando pensei que cairia. Fui acolhida quando me senti só. Nos dias em que minhas forças falharam, Deus me carregou nos braços sem que eu precisasse pedir.
Sou grata porque, mesmo quando não vi saída, Ele já tinha um caminho preparado. Quando minhas orações saíram em silêncio, Ele leu meu coração. Quando temi o futuro, Ele me lembrou que sempre esteve no controle.
Cada dia, cada recomeço, cada detalhe que me manteve de pé foi cuidado Dele. E, por isso, eu agradeço—não apenas pelo que entendo, mas também pelo que ainda não compreendo. Porque sei que, mesmo sem ver, Ele sempre cuida de mim.
A arte de ver Deus em tudo.
Essa, eu tenho.
Está no vento que dança entre as folhas, no silêncio que repousa entre um pensamento e outro.
Está no olhar que me acolhe, na dor que me ensina, no riso que liberta.
Está no detalhe esquecido, na simplicidade das coisas pequenas, no instante que se repete e, ainda assim, nunca é igual.
Ver Deus em tudo é reconhecer que o divino não se esconde atrás de altares distantes, mas se revela na vida que pulsa, mesmo no que parece comum.
É compreender que cada passo é sagrado, cada encontro é propósito, cada despedida também é bênção.
E assim sigo: não porque sei demais, mas porque sinto.
E sentir é, para mim, a forma mais pura de oração.
Costurar o Tempo
Se a vida fosse tecido, eu escolheria linhas invisíveis para bordar os dias. Cada ponto seria memória, cada nó, resistência. Costurar o tempo é remendar o que a vida rasgou, é unir o ontem ao amanhã sem perder a delicadeza do agora.
Às vezes, o fio se parte e minhas mãos cansam. Mas ainda assim insisto — porque sei que o bordado só existe no processo, nesse gesto de refazer, de alinhar, de acreditar que o tecido pode sustentar o peso da história.
Se eu pudesse, costuraria o tempo com calma, deixando espaço entre as linhas para que a esperança respirasse. Assim, mesmo que o hoje doa, haveria sempre a chance de o amanhã se encaixar sem pressa, como peça que se completa no avesso da vida.
E no fim, talvez eu descubra que costurar o tempo não é prender instantes… é libertá-los para que continuem existindo em mim.
Para mim, a única coisa pior do que a morte é a traição. Veja, eu poderia conceber a morte, mas eu não poderia conceber a traição.
Eu me sinto uma completa inútil.
Vejo meus amigos se dando bem, tendo um trabalho fazendo cursos, adquirindo sempre mais na vida.
Enquanto eu, vivo em casa, estagnada, vivendo dia após dia como um ninguém, como um completo ser limitado. Eu quero fazer as coisas, mas eu nem sequer me esforço para acontecer. Cada um traça sua vida com suas próprias escolhas, e a minha por mais ambiciosa que seja, por mais que anseio em ser alguém, não sou ninguém.
