Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Enquanto te olhava


Enquanto te olhava
Eu pensava como o
silêncio entre nós dizia tudo,
no jeito simples do teu sorriso
que fazia o mundo desacelerar só pra eu te sentir.


Enquanto te olhava
eu pensava que alguns
encontros não pedem pressa,
pedem coragem —
porque o coração reconhece
antes da razão.


Enquanto te olhava
eu pensava se você também
sentia esse nó doce no peito,
essa vontade contida de ficar,
mesmo quando o tempo
insistia em ir embora.


Enquanto te olhava
eu pensava que amar
às vezes é só isso:
guardar alguém no pensamento
como quem guarda um segredo bonito demais pra perder.

Hoje eu tenho tudo,
tenho você na minha vida.
E o resto que faltava no mundo
aprendeu a fazer sentido.


Tenho teu nome morando
nos meus dias,
teu riso ajeitando minhas dores,
teu olhar me lembrando
que amor também é abrigo.


Hoje eu tenho tudo
porque você chegou
e, sem prometer eternidades,
ficou.


E ficar, às vezes,
é a forma mais bonita de amar.

⁠“Se eu tenho poder e não faço o suficiente, então
a culpa é minha.”

Linguagem da tua pele



Teu corpo me chama no silêncio,
e eu me perco na linguagem da tua pele, nesse calor que se aproxima devagar e ensina o desejo a respirar.


Suspiros se confundem no ar,
mãos aprendem caminhos sem nome, e o que nasce entre nós
já não aceita fronteiras.


Quando a pele encontra a pele,
o mundo recolhe a própria voz,
e só permanece esse fogo íntimo,
ardendo sem pedir permissão.

O amor me amou


O amor me amou
quando eu já não sabia ficar,
sentou ao meu lado no silêncio cansado, fez morada no que em mim era medo e chamou de lar aquilo que eu chamava de fim.


O amor me amou
sem pedir forma ou promessa,
tocou minhas falhas com mãos pacientes, ensinou que até o que dói pode florescer quando alguém escolhe ficar.


O amor me amou
— e nisso eu renasci:
não inteiro, não perfeito, mas verdadeiro, aprendendo que ser amado, às vezes, é simplesmente
existir sem fugir.

Antes da dor, depois da luz


O amor me amou
quando eu já não acreditava
que fosse possível amar de novo.


Quando a luz virou sombra,
a felicidade virou mágoa,
e o dia que era sol
fez noite dentro do meu peito.


Mas você chegou…
viu quem eu era antes da dor
e quem sou depois da escuridão.
Viu-me num quartinho,
feito um garotinho chorando, quebrado,
enquanto ao meu redor
era breu, tempestade e trovão.


Você não teve medo,
lutou contra meus próprios sentimentos,
gritou meu nome no meio do caos.
Olhei pra trás
e vi a tempestade
e a solidão daquele quarto.
Não saí do lugar.


Mas você se aproximou.
Me abraçou.
E tudo o que em mim estava morto
floresceu de novo.
Ficaram apenas as cicatrizes —
pois o seu abraço me curou,
me conectou de um jeito que palavras não alcançam.

Se fores só humana, eu aprendo.
Se fores só sonho, eu acordo.
Mas se fores esse meio-termo impossível,
onde o real encosta no sagrado,
então que eu te ame assim —
não como verdade absoluta,
mas como o mito que me ensinou a sentir.

como quem encontra abrigo depois da tempestade,
teus lábios sabem meu nome antes mesmo de eu dizê-lo,
e no silêncio do toque, o mundo aprende a respirar outra vez.

Carta ao Meu Jovem Eu


Eu te escrevo do futuro, com as mãos cheias de cicatrizes
e o coração ainda teimoso em acreditar no amor.
Não fuja quando alguém tocar fundo demais,
nem endureça por medo do que pode doer.


Você vai amar errado, vai chamar de eternidade
o que era só aprendizado disfarçado.
Mas cada queda vai ensinar a levantar
com mais verdade do que orgulho.


Quando enfim amar certo, vai reconhecer:
não será pela ausência de dor,
mas pela paz de permanecer
mesmo quando o mundo tentar separar.

Se quiserem me chamar do que quiserem, que chamem.
Só eu conheço o preço da mulher que me tornei.
E foi nesse caminho
— firme, imperfeito e verdadeiro
— que aprendi a amar sem me perder, e a encontrar felicidade
sem precisar me diminuir por ninguém.

Se eu fosse jardim,
pediria ao céu só isso:
que fosses meu lírio eterno,
minha flor escolhida.
Porque amar você é florescer por dentro, é entender que o amor também é pureza vivida

Que eu devo seguir



Eu sinto sua falta como quem
sente o corpo falhar,
não é saudade bonita,
é ausência que pesa.
Quero você de volta,
mas não aquele que prometia,
quero o que ficou preso nas lembranças
e não soube ficar.


Dizem que o tempo cura,
que eu devo seguir,
mas ninguém ensina como
soltar quem virou casa.
Como se abandona o riso
que salvava dias ruins,
os planos sussurrados no escuro,
o amor que parecia verdade?


Às vezes te amo com raiva,
outras com silêncio.
O ódio é só defesa para
não chamar seu nome.
Doeu acreditar, doeu mais
perceber que alguns
“eu te amo” não tinham raiz.


Se te deixei ir,
não foi por falta de amor,
foi por excesso de dor.
Amar também é escolher sobreviver,
mesmo que a escolha que fique
seja a que mais machuca.

Foi criada para permanecer,
como uma semente que
resiste ao tempo.
Eu permaneço,
enraizado no instante
que não se desfaz.


Permanecer é o ato,
uma escolha silenciosa
entre partir e ficar,
uma coragem que não
se anuncia.


Ainda aqui,
mesmo quando o vento
tenta me dobrar,
sou presença,
sou firmeza,
sou agora.

Não importa quem eu sou —
o nome dorme na boca do mundo.
Importa o gesto silencioso,
a escolha que não pede aplauso,
o passo firme quando ninguém olha.


É no escuro que o caráter acende.
Na mão que não rouba,
na palavra que não fere,
no “não” dito ao atalho fácil,
no “sim” dado ao que é justo.


Quando ninguém vê, eu me revelo.
Ali mora minha verdade inteira:
não o que digo ser,
mas o que faço em segredo
quando só a consciência assiste.

Eu tenho uma mania
de guardar sentimentos só pra mim,
de esconder no peito as tempestades como se o silêncio fosse prisão e não abrigo.


Guardo culpas que às vezes não são minhas, carrego pesos que ninguém me deu.
Culpa… e mesmo sabendo que não devo, ainda assim me culpo, como quem precisa pagar para existir.


Saio por aí tentando salvar o mundo,
costurando feridas que não abri,
apagando incêndios em casas alheias enquanto a minha queima por dentro.


E no fim do dia, exausto de ser forte,
percebo que talvez o mundo não precise de um salvador —
talvez eu só precise aprender
a me salvar primeiro.

Teleportar pra perto


Se eu pudesse te teleportar pra perto de mim agora,
não seria fuga do mundo — seria chegada.
Porque todo caminho que faço por dentro
termina no mesmo lugar:
no silêncio bonito onde teu nome mora.


Às vezes fecho os olhos e parece que acontece.
Num segundo você atravessa o tempo, o trânsito, os dias,
e aparece aqui — rindo desse meu jeito bobo
de transformar saudade em verso
só pra ter um jeito de tocar você.


Então fica combinado assim:
enquanto o mundo ainda não inventa o teleportar,
eu te puxo pra perto do único jeito que sei —
te escrevendo, te sentindo, te guardando
no lugar exato onde o amor sempre chega primeiro.

Que eu tenha coragem
de te amar sem medo,
compaixão pra entender teu silêncio,
altruísmo pra cuidar do teu riso,
e lealdade pra nunca soltar tua mão.⁠

Se eu não tenho você,
falta alguma coisa em mim.
Como uma canção sem melodia,
como o céu tentando amanhecer sem luz.
Porque certas pessoas a gente não carrega nos braços… carrega na alma.

E por isso, onde eu for,
levo você comigo.
Não em fotografias
ou lembranças passageiras,
mas nesse lugar silencioso do peito
onde mora aquilo que a gente tem medo de perder.

Eu estou bem


Dizem que estou bem,
e eu sorrio sem pensar,
aprendi a responder antes
mesmo de notar,
mas teu nome ainda mora nos
cantos da memória,
feito página marcada numa
velha história.


Eu estou bem...
Pelo menos é o que digo ao vento,
quando ele leva embora pedaços
do sentimento,
mas certas saudades
têm passos silenciosos,
e voltam sem avisar nos dias
mais chuvosos.


E se um dia perguntarem
o que faltou em mim,
direi que a vida seguiu,
mas não foi tão simples assim,
porque algumas pessoas vão
embora da visão,
mas deixam residência fixa
dentro do coração.