Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Eu sobrevivi a mim mesmo nos meus dias mais sombrios, e isso é uma vitória invisível que nenhum aplauso seria capaz de traduzir.

A dor não me destruiu, ela me desfez em mil pedaços e foi ali que eu aprendi a me reconstruir de formas que jamais imaginei.

A vida não ficou mais leve, eu que aprendi a carregar o peso com uma dignidade que nasceu do sofrimento.

A vida me testou de formas que eu nunca pedi, e eu respondi da única forma que sabia: ficando.

Eu me reconstruí tantas vezes que já não sei mais onde termina a dor e começa a coragem.

Mesmo quebrado, eu continuei inteiro o suficiente para recomeçar mais uma vez.

Eu não sou o que me fizeram, sou o que sobrou depois do impacto, o que sangrou, caiu… e ainda assim se levantou.

Eu já estive no fundo, e foi lá que encontrei a base da minha reconstrução.

Eu não me reconstruí, eu me reorganizei em torno do que não conseguiu morrer.

A vida não me moldou com cuidado, ela me atravessou até que eu descobrisse o que em mim era inquebrável.

Eu não venci a dor eu aprendi a coexistir com ela sem permitir que ela decidisse o meu fim.

Eu não superei o passado, eu o incorporei como parte do que me mantém de pé.

Eu me tornei mais profundo do que qualquer explicação que tentaram dar para a minha dor.

Eu não encontrei saída, eu me tornei a própria travessia.

Eu aprendi a habitar o desconforto como quem aprende a respirar embaixo d’água, com os pulmões rasgando por dentro, implorando por um ar que nunca vem, enquanto algo escuro e antigo me preenche por completo e, entre o desespero e a asfixia, fui deixando de lutar, até que a dor não apenas me envolveu… ela me consumiu, me refez, e passou a respirar por mim.


- Tiago Scheimann

Eu não fui salvo, fui atravessado pela ruína até que algo em mim deixasse de ceder, não intacto, não ileso… mas irrepetível na queda e, por isso, cada vez mais difícil de ser destruído.

Eu não continuo por acreditar, convicções se dissolveram cedo, como sal na água e o que restou foi um silêncio espesso, difícil de atravessar, ainda assim, algo em mim não cedeu, não por força, por teimosia quase invisível. É uma fidelidade estranha, não a um futuro, nem a um sentido claro, mas a esse resíduo que insiste, um pulso baixo, constante, como a luz que entra pela fresta e não ilumina o quarto, apenas impede que ele desapareça por completo, carrego isso no corpo, nos dias em que levantar parece uma forma de contradição, nos instantes em que existir soa como excesso, mesmo assim, fico, Por lealdade ao que ainda não morreu.


- Tiago Scheimann

Eu me tornei íntimo do que antes me destruía.

Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.

A dor me ensinou verdades que a felicidade jamais revelaria. Mostrou-me profundidades que eu preferia não conhecer. Ainda assim, foi ali que aprendi a enxergar o invisível. Talvez por isso eu veja beleza onde antes só havia superfície e distração.