Eu sei Dividir os Dons que Deus me Deu
" Quem ora com sinceridade não altera Deus, mas transforma-se à altura das leis divinas. E aquele que se transforma, ainda que cercado pelas mais densas sombras, já não caminha para o abismo, pois converteu a própria consciência em luz que o reconduz ao caminho da ascensão. "
O REINO DE DEUS ESTA DENTRO DE VÓS.
-O REINO INTERIOR E A MEDIDA DA VERDADE -
A afirmação de que “o reino de Deus está dentro de vós” exige rigor interpretativo para não ser reduzida a um subjetivismo impreciso. Ela não declara que Deus nasce da crença individual, mas que a experiência do divino ocorre na interioridade da consciência.
No registro evangélico, em Evangelho de Lucas 17:21, o ensinamento desloca o eixo da religiosidade. O reino não é território, instituição ou espetáculo exterior. É um estado moral, uma ordem íntima em que a lei divina se inscreve no espírito e orienta a conduta.
A tradição espírita, conforme O Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo III, aprofunda essa leitura ao definir o reino como conquista progressiva. Não se trata de alcançar um lugar, mas de tornar-se apto a vivê-lo. A transformação íntima não cria Deus. Apenas remove os véus que impedem sua percepção.
É aqui que se estabelece a distinção central. A experiência do divino é interior, mas sua realidade é independente do sujeito. Confundir essas duas esferas conduz ao erro. O homem não produz o princípio. Ele o reconhece à medida que se depura.
Sob a ótica da Filosofia Moral, isso implica que o bem, a justiça e a verdade não são construções arbitrárias da vontade. São leis que precedem a consciência e às quais ela deve conformar-se. O reino interior, portanto, não é liberdade absoluta de crença, mas alinhamento lúcido com uma ordem superior.
Nesse contexto, a ideia de respeito mútuo encontra seu lugar adequado. O respeito regula a convivência entre consciências ainda em diferentes graus de compreensão. Ele não redefine Deus, mas disciplina o modo como os homens se relacionam enquanto buscam compreendê-lo.
A síntese torna-se clara. Deus não é aquilo que simplesmente dizem, pois há distorções humanas na transmissão do sagrado. Tampouco é aquilo que cada um deseja, pois a verdade não se curva à opinião. O que está ao alcance do espírito é o aperfeiçoamento da própria percepção.
O reino dentro de vós não é uma licença para inventar o divino. É um chamado severo e silencioso para tornar-se digno de percebê-lo.
Se existe um "deus amoroso", então ele destruirá primeiro os "fanáticos religiosos", pois são eles os que mais espalham ódio!
Deus é uma velha gorda devoradora de almas, e no seu paladar insaciável ela prefere devorar sempre as almas mais espiritualizadas!
Deus não é luz, nem pai, nem abrigo. Deus é uma velha obesa, sentada sobre o acúmulo de séculos, devoradora de almas. Sua fome não conhece saciedade, e seu paladar é seletivo: despreza os vazios, ignora os medíocres, cospe os indiferentes. O que lhe dá prazer são justamente as almas mais espiritualizadas — aquelas que se purificaram, que se elevaram, que acreditaram. Quanto mais consciência, mais sabor. Quanto mais transcendência, mais apetite. A espiritualidade não salva: engorda o monstro.
"Os olhos foram feitos para observar as coisas de Deus, os ouvidos para escutar a Deus e a boca para falar com Deus."
