Eu Gosto do Risco dos que Arriscam
Eu não quero e não vou mais me prender aos meus medos e incertezas!
Se eu me desfazer em pedaços numa dessas investidas, darei um jeito de unir os cacos do meu coração, e assim, ele se metamorfoseará num novo, mais forte que antes e mais experiente também.
Eu quero é viver, e não Sobreviver!
17 de dezembro de 2009
Eu
Eu acreditava que me conhecia
Me enganei, e eu nem ao menos sabia
Que aquela que tanto descreverá
Não era a mesma que vivia.
E quem eu era também desconhecia
E talvez se soubesse não diria
E se disse-se poucos compreenderiam.
A desilusão andava atrás de mim e eu não via.
Tentava a me encontrar...pobre louca!
Achava que ao deparar ao teu olhar
que ao meus lábios tocar a sua boca
Poderia me achar apenas uma frustração
De uma alma a esbrasear.
Olhe para o Ceu quando estiver chovendo, Pois se lembre-se, que é eu que to chorando por não te ver !
Continuo construindo castelos de areia; beleza efêmera, mas a cada nova maré eu encontro um recomeço.
Noite de tormentas
É quando a noite chega
No encontro do eu com meu eu
Que as tormentas irrompem
E o silêncio do desconhecido
Abalroa-se com a turbulência da mente
Seus bramidos ensurdecem-me na calada
Não há estratégias ou fugas
Preciso me manter viva ao embate
É quando vou de encontro à janela
Fito o firmamento e
Me sobrevém à lembrança que em breve
Haverá o alvorejar, dia se tornará
E o silêncio do desconhecido se calará.
No meu quarto
A única vontade que eu tenho
É que você estivesse
Deitada aqui comigo
Ouvindo o som da chuva caindo
No telhado do meu quarto
Ouvindo os ruídos do vento
Pssando pela janela do meu Quarto
Como um dia nós imaginamos
Deitados Agarradinhos no meu quarto
No meu quarto
Desculpa é tipo assim:
Olha, eu errei e admito isso...
Eu falo: Tudo bem!
Eu desculpo, mas não esqueço.
Perdão é diferente:
Quando falo "Me perdoe!"
Estou falando:
Eu errei, admito que errei e preciso que você esqueça o meu erro...
E isso é foda!
Eu estava sozinho no mundo, sempre estive mas fui perceber tarde. Estava desgastado, falido, desiludo e qualquer outro adjetivo que remonte um fracassado. Tinha boa aparência naquele momento, mas a mente devastada pelo passado levava à ideia de acabar com todas as possibilidades.
Obrigado por tudo!.
Obrigado por me amar.
Ou ter apenas coragem de dizer: Eu te amo!
Não é fácil me amar, e eu sei disso.
Sou errante, falho e imperfeito.
Sou mesquinho, careta e vulgar.
Mas mesmo assim obrigado por me amar.
Obrigado por me amar, mesmo sabendo que nada tenho a oferecer.
Obrigado por me amar, não pelo meu ser, mas sim por tudo que sou!.
Me diz, o que eu faço com o tempo que dediquei a você e com as cartas que escrevi e você nunca chegou a ler ?
SONHO UMA REALIDADE
"Eu sonhava...
eu imaginava...
eu queria...
eu pressentia...
eu esperava...
eu não conhecia...
EU NÃO SABIA O QUE ERA AMAR...
eu não sabia o que significava o amor...
e parecia apenas sonho...
procurei...
esperei...
sorri...
chorei...
vivi...
morri...
e agora ...
ressuscitei!
agora vivo!
agora sinto!
agora sonho uma realidade...
não quero acordar desse sonho...
porque sonhar faz parte de mim...
faz parte de você...
somos almas afins".
Eu seria mais feliz se pudesse ter o domínio de todas
as adversidades.
E dominasse todas as situações de uma forma
elegante e crente.
Mas sou apenas uma simples mulher...
Intuitiva maternal solidária companheira e feliz.
Mas sou apenas uma simples mulher...
Apaixonada envolvente carinhosa teimosa e manhosa.
Com sonhos extravagantes de motivos que talvez não saiba se
realmente acontece se é bom ou não.
Mas sou uma simples mulher...
E sabem com todas as luzes de glamour jamais
deixarei de ser o que sou.
São conquistas de alternativas que me dão suporte
e me completam.
Termino esse poema com uma frase que não é minha.
"Não tenho tudo que amo mas amo tudo que tenho."
Eu estava lá, em tudo o que precisou.
Eu estava lá, nos momentos em que você chorou.
Eu estava lá, nas dificuldades que você enfrentou.
Eu estava lá, quando você quase perdeu tudo.
Eu estava lá, quando você precisou de proteção.
Eu estava lá, quando precisou que alguém mentisse por você.
Eu estava lá, quando você se sentia perdido.
Eu estava lá, nos momentos de alegria também.
Você se lembra disso?
Lembra-se mesmo?
Então por que parece que não tem mais importância?
Será que teve importancia só pra mim?
E mesmo que você um dia esqueça, eu posso garantir pra você. Eu sempre estarei lá.
Viagem de um vencido
Noite. Cruzes na estrada. Aves com frio...
E, enquanto eu tropeçava sobre os paus,
A efígie apocalíptica do Caos
Dançava no meu cérebro sombrio!
O Céu estava horrivelmente preto
E as árvores magríssimas lembravam
Pontos de admiração que se admiravam
De ver passar ali meu esqueleto!
Sozinho, uivando hoffmânnicos dizeres,
Aprazia-me assim, na escuridão,
Mergulhar minha exótica visão
Na intimidade noumenal dos seres.
Eu procurava, com uma vela acesa,
O feto original, de onde decorrem
Todas essas moléculas que morrem
Nas transubstanciações da Natureza.
Mas o que meus sentidos apreendiam
Dentro da treva lúgubre, era só
O ocaso sistemático de pó,
Em que as formas humanas se sumiam!
Reboava, num ruidoso burburinho
Bruto, análogo ao peã de márcios brados,
A rebeldia dos meus pés danados
Nas pedras resignadas do caminho.
Sentia estar pisando com a planta ávida
Um povo de radículas em embriões
Prestes a rebentar, como vulcões,
Do ventre equatorial da terra grávida!
Dentro de mim, como num chão profundo,
Choravam, com soluços quase humanos,
Convulsionando Céus, almas e oceanos
As formas microscópicas do mundo!
Era a larva agarrada a absconsas landes,
Era o abjeto vibrião rudimentar
Na impotência angustiosa de falar,
No desespero de não serem grandes!
Vinha-me à boca, assim, na ânsia dos párias,
Como o protesto de uma raça invicta,
O brado emocionante de vindicta
Das sensibilidades solitárias!
A longanimidade e o vilipêndio,
A abstinência e a luxúria, o bem e o mal
Ardiam no meu Orco cerebral,
Numa crepitação própria de incêndio!
Em contraposição à paz funérea,
Doía profundamente no meu crânio
Esse funcionamento simultâneo
De todos os conflitos da matéria!
Eu, perdido no Cosmos, me tornara
A assembléia belígera malsã,
Onde Ormuzd guerreava com Arimã,
Na discórdia perpétua do sansara!
Já me fazia medo aquela viagem
A carregar pelas ladeiras tétricas,
Na óssea armação das vértebras simétricas
A angústia da biológica engrenagem!
No Céu, de onde se vê o Homem de rastros,
Brilhava, vingadora, a esclarecer
As manchas subjetivas do meu ser
A espionagem fatídica dos astros!
Sentinelas de espíritos e estradas,
Noite alta, com a sidérica lanterna,
Eles entravam todos na caverna
Das consciências humanas mais fechadas!
Ao castigo daquela rutilância,
Maior que o olhar que perseguiu Caim,
Cumpria-se afinal dentro de mim
O próprio sofrimento da Substância!
Como quem traz ao dorso muitas cartas
Eu sofria, ao colher simples gardênia,
A multiplicidade heterogênea
De sensações diversamente amargas.
Mas das árvores, frias como lousas,
Fluía, horrenda e monótona, uma voz
Tão grande, tão profunda, tão feroz
Que parecia vir da alma das cousas:
"Se todos os fenômenos complexos,
Desde a consciência à antítese dos sexos
Vêm de um dínamo fluídico de gás,
Se hoje, obscuro, amanhã píncaros galgas,
A humildade botânica das algas
De que grandeza não será capaz?!
Quem sabe, enquanto Deus, Jeová ou Siva
Oculta à tua força cognitiva
Fenomenalidades que hão de vir,
Se a contração que hoje produz o choro
Não há de ser no século vindouro
Um simples movimento para rir?!
Que espécies outras, do Equador aos pólos,
Na prisão milenária dos subsolos,
Rasgando avidamente o húmus malsão,
Não trabalham, com a febre mais bravia,
Para erguer, na ânsia cósmica, a Energia
À última etapa da objetivação?!
É inútil, pois, que, a espiar enigmas, entres
Na química genésica dos ventres,
Porque em todas as cousas, afinal,
Crânio, ovário, montanha, árvore, iceberg,
Tragicamente, diante do Homem, se ergue
a esfinge do Mistério Universal!
A própria força em que teu Ser se expande,
Para esconder-se nessa esfinge grande,
Deu-te (oh! Mistério que se não traduz!)
Neste astro ruim de tênebras e abrolhos
A efeméride orgânica dos olhos
E o simulacro atordoador da Lua!
Por isto, oh! filho dos terráqueos limos,
Nós, arvoredos desterrados, rimos
Das vãs diatribes com que aturdes o ar...
Rimos, isto é, choramos, porque, em suma,
Rir da desgraça que de ti ressuma
É quase a mesma coisa que chorar!"
Às vibrações daquele horrível carme
Meu dispêndio nervoso era tamanho
Que eu sentia no corpo um vácuo estranho
Como uma boca sôfrega a esvaziar-me!
Na avançada epiléptica dos medos
Cria ouvir, a escalar Céus e apogeus,
A voz cavernosíssima de Deus
Reproduzida pelos arvoredos!
Agora, astro decrépito, em destroços,
Eu, desgraçadamente magro, a erguer-me,
Tinha necessidade de esconder-me
Longe da espécie humana, com os meus ossos!
Restava apenas na minha alma bruta
Onde frutificara outrora o Amor
Uma volicional fome interior
De renúncia budística absoluta!
Porque, naquela noite de ânsia e inferno,
Eu fora, alheio ao mundanário ruído,
A maior expressão do homem vencido
Diante da sombra do Mistério Eterno!
Versos d’um exilado
Eu vou partir. Na límpida corrente
Rasga o batel o leito d’água fina
- Albatroz deslizando mansamente
Como se fosse vaporosa Ondina.
Exilado de ti, oh! Pátria! Ausente
Irei cantar a mágoa peregrina
Como canta o pastor a matutina
Trova d’amor, à luz do sol nascente!
Não mais virei talvez e, lá sozinho,
Hei de lembrar-me do meu pátrio ninho,
D’onde levo comigo a nostalgia
E esta lembrança que hoje me quebranta
E que eu levo hoje como a imagem santa
Dos sonhos todos que já tive um dia!
