Eu Amo meus Inimigos
Quando eu esqueço de me escolher
Hoje, a melancolia chegou sem pedir licença.
Talvez porque, mais uma vez, eu tenha percebido o quanto consigo dar importância a pessoas que, tantas vezes, só me procuram quando precisam de um lugar para despejar os próprios vazios. E o que mais dói não é não saber. É saber de tudo e, ainda assim, abrir a porta.
Se fosse qualquer outra pessoa, eu já teria ido embora há muito tempo. Eu sei partir. Sei fechar ciclos. Sei me proteger.
Mas com ela, alguma coisa em mim desaprende.
Não sei explicar o que existe entre nós. Só sei que, quando ela se aproxima, minhas defesas silenciam. Eu fico vulnerável, esqueço das cicatrizes e me entrego como quem ainda acredita que, desta vez, talvez seja diferente.
E então tudo se repete.
Eu perdoo o que me feriu, abraço o que me faltou, aceito migalhas como se fossem banquetes e chamo de esperança aquilo que tantas vezes já me provou ser ausência.
Talvez minha maior frustração nem seja o que ela faz comigo.
Talvez seja perceber o quanto eu me abandono quando se trata dela.
Porque eu sei que mereço mais. Sei que deveria escolher a mim mesma. Sei exatamente onde esse caminho termina.
Ainda assim, existe uma parte de mim que continua voltando.
Como quem conhece o abismo pelo nome, sabe a profundidade da queda, lembra de todas as vezes em que se machucou...
e, mesmo assim, caminha até a beira outra vez.
Talvez o amor mais difícil de aprender seja aquele que começa quando finalmente decidimos não nos perder de nós mesmos para permanecer na vida de alguém.
Eu Apenas Sou
Sou disponível,
e estarei sempre presente —
mesmo quando você não me quiser por perto.
Sou quem vai enxugar suas lágrimas,
mesmo quando nem você souber
o porquê de elas caírem.
Sou o seu maior espectador,
quem sempre esteve lá para registrar
e te lembrar de cada conquista, mesmo
quando você pensava que não era capaz.
Sou alguém que sempre deixou claro o que queria,
mesmo sem receber nada em troca.
Alguém que, apaixonado, foi ignorado
todas as vezes em que disse que estaria lá.
Sou o seu grande amante,
o seu confidente
e, às vezes, a sua maior dor.
Hoje, eu apenas sou.
Sou aquela memória ruim,
o passado difícil que se conta aos outros.
Agora, eu apenas sou...
alguém sentado em um sofá
que antes cabia dois.
Dos que eu já mais conheço, eu faço umas perguntas que eu não tenho.
Só que eu não sei se for e é possível acreditar que isso é bom.
"Até amanhã" e "Tchau" mais conheço.
"Na gramática do opressor, o 'nós' é apenas o rascunho. O texto final é sempre um 'eu' soberano e destrutivo.
Eu sei que o sangue foi derramado e o preço foi pago. Por isso, quero uma vida de verdade — e consumir o meu próprio assombro.
Sinto que sou o eco de um mundo que se foi antes que eu pudesse despedir. Caminho no agora como sombra deslocada — não fantasma, pois ainda sinto; não exilado, pois nunca tive de onde partir. Apenas um peregrino que chegou, devagar e com clareza dolorosa, no século errado.
Foi ao descobrir que eu estava quebrado que encontrei o que é inteiro. Foi ao questionar a realidade que encontrei a Verdade.
Sou apenas algo, procurando algo, através de algo, para virar algo.
Será que eu sou algo?
viver não é tão fácil,
todos os meus passos,
se tornam meu fardo.
Sou apenas algo, procurando algo, através de algo, para virar algo.
Há um amor
Há um amor dentro de mim
Dentro de mim há um amor
Ele grita querendo sair
Eu o alimento para não morrer
As cortinas do tempo abriram-se
E o palco da vida se iluminou
Transformando o espaço
Em um grande cenário mágico.
Fechei os olhos para te imaginar
E trazer-te para junto de mim;
Vieste, trouxeste teu sorriso maroto.
Meu coração dedicou-te todo meu sentimento.
A bruma da manhã divide seu aroma,
A cortina se fecha guarnecendo a cena
Deste amor que guardei
Esperando-te chegar.
REFLEXO DA VIDA
O que importa o que sou? Importa quem eu sou imaterialmente. O que fiz, faço e o que ainda posso fazer para com as pessoas. É o que mais faz sentido hoje. Doar-se.
O que importa é como eu trato as pessoas e como convivo com quem amo. Como luto pelo bem-estar das pessoas. É como um espelho que reflete. Se elas estão felizes também estou. É o meu ideal de vida. Batalhar para as coisas darem certo, para as pessoas terem o direito a algo que já pertencem a elas.
Lutei contra muitos, me magoei na maioria das vezes. Chorei até secarem todas as lágrimas que tinha dentro de mim. Nadei contra a maré muitas vezes sem me cansar. Mas, nunca desisti de lutar. Nunca. Sempre me defrontei com muitos obstáculos, mesmo assim venci todos. Conquistei muitas coisas e outras ficaram para trás por motivos que não consigo descrever aqui.
Terminei sendo alguém que por ações pouco consegui avançar, porém, que profundamente procura expor o que sente através das palavras. As palavras escritas e publicadas jamais serão destruídas ou mesmo vencidas.
Elas serão imortais e exprimem sentimentos que brotam das profundezas ocultas do meu íntimo.
Não sei de que lugar eu pertenço. Em que área eu me localizo, de onde venho ou quem sou. Vivo na incógnita da vida. Nos profundos e intensos mistérios que ela me reservou. Apenas me refaço a cada segundo e sobrevivo intensamente a cada momento. Rita Padoin
Eu me faço e me refaço até chegar no caroço. Renasço a partir daí, como se o mundo estivesse me levando em seus braços.
Que eu envelheça apenas exteriormente. Que minha idade interna continue viva e plena, para cultivar apenas o que a vida tem de melhor, o amor.
