Eu Amo meus Inimigos
Dessa vez eu estava tão cansada, tão exausta que chegava a faltar fôlego. E jurei para mim mesma que não ficaria desesperada novamente, que não perderia o chão, eu não me machucaria. Está tarde demais para isso, para esse drama todo.
Eu quero mesmo é que se dane. Dane-se seu sorriso. Danem-se suas músicas preferidas. Danem-se seus livros. Danem-se suas teorias. Dane-se sua maneira de ver o mundo. Danem-se nossos planos. Dane-se nosso passado. Danem-se as viagens. Dane-se minha preocupação.
Dane-se meu sentimento. Dane-se a inexistência do seu.
Prestou atenção? Dane-se você.
Não há como convencê-la de que isto não é mais um truque deles, mas não importa. Eu sou eu e não sei quem você é, mas te amo.
Eu não podia deixar um homem do seu calibre, longe da minha manha. Teu jogo de talento, estava acabando com minha malícia.
Rebeca
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...Por que eu haveria de querer ver a Deus melhor que neste dia? Eu vejo algo de Deus em cada uma das 24 horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das mulheres eu vejo Deus e no meu próprio rosto em cada espelho, acho cartas de Deus caídas pela rua e todas assinadas com o nome de Deus, eu as deixo onde estão, pois sei muito bem que aonde quer que eu vá outras me hão de chegar pontualmente sempre e por todo o sempre...
Já te fiz muita canção
São quatro, ou cinco, ou seis, ou mais
Eu sei demais
Que tá demais
Eu chego com um violão
Você só tá querendo paz
Você desvia pra cozinha
E eu vou cantando atrás
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
Se juntar cada verso meu
E comparar
Vai dar pra ver
Tem mais você que nota dó
Eu vou ter que me controlar
Se um dia eu quero enriquecer
Quem vai comprar esse CD
Sobre uma pessoa só?
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
Hoje eu falei
Pra mim
Jurei até
Que essa não seria pra você
E agora é
Eu sou aquela
Que ama, com medo de se arrepender.
Que enves de rir, quer chorar.
Que vai embora, quando quer ficar.
Que acredita em o que diz, mas nao tem certeza.
Que confia hoje, mas nao sabe o ontem.
Que se sente sozinha, mesmo quando tah perto
Que decide, e depois volta tras.
Aquela que quer dizer nao, mais acaba dizendo sim.
Quando eu olho para a minha amada eu vejo os fragmentos de milhões de pequenas coisas que somadas me dizem que ela é a mulher da minha vida.
Em outra vida, eu seria sua garota. Em outra vida, eu faria você ficar. Então eu não precisaria dizer que você foi aquele que foi embora... aquele que foi embora.
Eu não escolhi gostar de você, isso simplesmente aconteceu. Foi uma coisa natural, do jeito que deve ser.
"Se você quiser me julgar, vá em frente. Eu cansei de tentar me opor contra os julgamentos falsos e o mínimo caráter das pessoas."
Eu diria: menina, amar a dúvida, o silêncio, a ingratidão, o fim, o atraso, a invenção, a lacuna, o pode ser, as hipóteses, a não resposta, a raiva, o absurdo, o não, a impossibilidade, o depois que foi, o antes de chegar, o difícil, o pode não, amar essas coisas, menina, é amar o mistério e não um homem.
Eu preciso reconhecer em cada manhã a preciosa oportunidade de encontrar prazer nos pequenos eventos do dia e ser feliz com mais facilidade.
O dia que eu coloquei meu passarinho no dedo, levei ele pra rua e ele não quis ir embora, mesmo podendo voar, eu entendi o que é liberdade. É querer estar junto mesmo com milhares de outras possibilidades lá fora. É poder ir e querer ficar.
Por onde andei enquanto você me procurava?
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada.
Explosões
"Não tenho nada a ver com explosões”, diz um verso de Sylvia Plath. Eu li como se tivesse sido escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos.
Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos, ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem. Não me sinto à vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta. Ou para permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.
Não tenho nada a ver com o que é dos outros, sejam roupas, gostos, opiniões ou irmãos, não me escalo para histórias que não são minhas, não me envolvo com o que não me envolve, não tomo emprestado nem me empresto. Se é caso sério eu me dôo, se é bobagem eu me abstenho, tenho vida própria e suficiente pra lidar, sobra pouco de mim para intromissões no que me é ainda mais estranho do que eu mesma.
Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica, um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil.
Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo. Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.
Minto, tenho tudo a ver com explosões.
Quando eu errei contra alguém, tive a hombridade de pedir perdão, o que para mim não é nenhuma humilhação, mas ter a humildade de reconhecer que falhou, isso é para poucos.
