Eu Amo meus Inimigos
Eu fui ensinada a ver o homem através de um pai.
Se de uma forma geral, fosse possível resumir o que aprendi, sobre a imagem que um homem deseja sustentar é "preciso ser forte e trabalhador".
Bom! Nesse momento maduro da vida, estou convencida de que a figura paterna transcende em muito esse conceito finito.
A presença ou a ausência de um pai exerce sem dúvida, impactos profundos na experiência humana.
Eu mesma vivi sentimentos incrivelmente conflitantes, pela simples presença um tanto ausente, e vez e outra desastrosa de um pai.
Em muitos momentos desejei não ter pai, ou desejei ter outro, ou o desejei tão intensamente que passaria horas apenas deitada em seu colo.
Mas é assim que é!
O pai é um ser humano errante, com limitações e inseguranças que precisam ser suprimidas pela força e pelo trabalho.
A "força" de não se render ao choro, ou ao cansaço físico e mental; ou de não demonstrar de forma honesta seus medos e frustrações, ou desespero em sua inabilidade com a vida.
Dentre as muitas qualidades a serem admiradas na função de um pai.
Eu creio fortemente, que essencialmente ele seja uma bússola, que precisa conduzir à realização de uma boa jornada de vida.
O que eu diria a um homem hoje?
Sua força e o seu trabalho são manifestações inquestionáveis de amor e de uma vida honrada.
Sinta-se orgulhoso e feliz, por suprir e prover tão dignamente às vidas que a ti, por Deus, foram confiadas.
E sinta-se um homem abençoado pela oportunidade de influenciar poderosamente uma vida humana gerada de ti.
Que você seja iluminado a entender o quão importante é a manifestação do teu amor.
Que seu amor reconheça seu filho como uma vida separada de ti e dentro de ti.
O filho que é separado por suas próprias aspirações e indagações sobre vida. Que deseja manifestar seus próprios talentos, na medida de sua própria força. E que reconhece em você um modelo de atributos desejáveis a desenvolver, ou de defeitos e fraquezas que não precisa ter.
Que seu amor impulsione, liberte, abençoe e conduza à sabedoria que emana somente de Deus.
Eu carrego a morte de alguém comigo. Não como lembrança distante, mas como algo vivo, pulsando dentro do meu peito. Ela respira comigo, anda comigo, dorme ao meu lado quando fecho os olhos. Não importa onde eu esteja, aquele momento sempre chega antes de mim.
As pessoas dizem que não foi culpa minha. Que foi um erro, um acidente, uma consequência inevitável. Elas falam isso com facilidade, como quem descreve o clima. Mas eu estava lá. Eu vi os olhos perderem o foco. Eu ouvi o último suspiro falhar no meio do caminho. Eu senti o peso da vida se tornando apenas… carne.
Eu lembro do som. Sempre lembro. O impacto não foi alto, foi seco, errado. Um som que não deveria existir. Houve um segundo de silêncio absoluto, e nesse segundo eu soube. Antes mesmo de olhar, eu soube que tinha acabado com tudo. Quando meus olhos desceram, o corpo já não respondia. Peso morto. Calor indo embora rápido demais.
Minhas mãos tremeram, mas não largaram. Tinham sangue nelas, muito mais do que eu esperava. Grosso, escuro, quente. Escorreu pelos pulsos como se quisesse me marcar, como se quisesse garantir que eu nunca esquecesse quem eu era naquele instante. Eu fiquei ali parado, incapaz de agir, esperando um milagre que não veio.
Desde então, nada em mim funciona direito.
A culpa não é um pensamento, é uma sensação física. Ela aperta minha garganta até doer engolir saliva. Ela faz meu estômago revirar, como se algo estivesse apodrecendo por dentro. Às vezes eu acordo com vontade de vomitar, outras vezes com vontade de gritar, mas nunca faço nenhum dos dois. Eu engulo. Sempre engulo.
Já lavei minhas mãos até a pele rachar. Até arder. Até sangrar de novo. Mas o vermelho nunca some de verdade. Ele volta quando fecho os olhos. Volta quando o silêncio fica alto demais. Volta quando alguém confia em mim, porque eu sei exatamente o que sou capaz de destruir.
Eu não me perdoo. Não porque não tentaram me convencer, mas porque eu não mereço. O perdão exige que o erro fique no passado, e o que eu fiz não ficou. Ele se espalhou. Moldou tudo o que eu me tornei depois.
Em batalha, eu avanço sem medo. Parte de mim espera ser atingida. Não por coragem, mas por cansaço. Cada dor nova é pequena comparada àquela que nunca para. Cada ferida aberta é um lembrete de que ainda estou aqui… quando talvez não devesse.
Eu sigo em frente não por esperança, mas por punição. Viver é a sentença. Lembrar é a tortura. E carregar essa culpa é a única coisa que me mantém honesto sobre quem eu realmente sou.
Eu não esqueci.
Eu nunca vou esquecer.
E isso é o que mais dói.
— Cyrox
E se me perguntarem qual é minha religião, eu direi: É o Amor;
Pois sigo o universo em respeito e saudação à todas as representações de Deus, Olodumare, Zambi, Tupã, Mawu-Lissá, Atum-Rá, Jah, El, Allah, Adon, Yahweh, Kami-sama, Pan Ku, etc...
Deus, me permita ter os sentidos aguçados para saber o que é e o que não é para mim.
Para que eu saiba distinguir uma coisa da outra.
Deus, me permita ter comigo a espada justiceira além do alcance e o discernimento verdadeiro.
Para que eu compreenda com serenidade os movimentos da vida e aquilo que não posso mudar.
"Ah se eu tivesse..."? Essa é uma pergunta que, há anos, deixei para trás. Sempre acreditei que, assim como eu, qualquer pessoa com um mínimo de consciência carrega consigo lembranças de ações ou reações que podem ter causado algum mal a alguém. Mas me livrei desse peso quando percebi que, se tivesse que reviver minha vida desde a infância, faria tudo exatamente igual.
Afinal, sou humano — sujeito a erros e acertos — e acredito que acertei mais do que errei. Quanto aos erros que cometi, já enfrentei suas consequências e, acima de tudo, minha própria consciência já me cobrou por eles. O que me resta é aprender com essas experiências e usá-las como guia para o presente.
O passado já foi, o futuro ainda não existe. O que tenho é o hoje, e é nele que escolho focar.
Introspectiva, as vezes não...
Eu não sabia quem ela era,
Sorria, brincava de felicidade...
Nomeava sons imaginários
Ouvia o anteceder da chuva
Sonhava com raios e luzes.
Em uma noite sem palavras
Ela gargalhou com os olhos
E pensou alto sem dizer...
Nesse ato eu a reconheci
Feito melodia para cegos,
Tateei sua face, sutilmente.
Quis tê-la pela metade,
A outra eu guardei no espelho.
Eu penso que sou forte, porém, diante de algumas situações experimento quão grande é minha fraqueza. Mesmo assim, ergo a cabeça, respiro fundo e vou em paz enfrentar o desafio.
Eu vejo pessoas brigando por conta de política. Eu vejo o povo construindo em suas relações tribunais onde condenam uns e absolvem outros. Eu vejo a inveja imperando. Eu vejo a falta de ética em em todas as camadas sociais. Eu vejo a falta de compaixão entre os humanos. Eu vejo o desprezo de quem retém o poder em relação aos mais humildes. Mas eu continuo acreditando num MUNDO POSSÍVEL.
Eu vivo buscando a OUTRA MARGEM. Às vezes me afogo, mas sempre aparece uma prancha amiga. Me agarro e continuo dando as braçadas da esperança
O momento presente, eu o tenho.
Às vezes desdenho, sem dar a devida atenção.
A finitude se faz parecendo um virus devastador.
E vejo a dor de um mundo engolido pela incerteza, indiferença, descrença
E o que fazer com o poço das emoções?
Percepção, sentimentos, compaixão ?
A esperança grita mais forte, com voz firme, destemida que um mundo novo é possivel,
Para repartir, partilhar e multiplicar o bem,
enquanto há tempo.
Tempo novo
Tempo forte
Tempo de graça e renovação
Tempo de RESSURREIÇÃO!
Julho 2021 se vai, poderoso, frio, indomável, e nunca mais voltará. Eu o vive curtindo cada onda de frio como se fosse única.
Dia dos pais
O dia ficou sem graça
Eu olho ao redor e só vejo folhas secas caindo na praça
Assim são as lembranças
Que minha memória perpassa
Parece que te vejo
Com o velho violão
Ou sanfona desafinada
Tentando fazer uma graça
Mãos calejadas, rosto queimado,
olhos azuis, trabalhador dedicado
Firme encaminhou seus 8 filhos
Com marcas de generosidade,
coragem, sem medo da realidade!
Pai,
rememora que nunca passa,
traço impresso na alma
Lembranças sagradas
Saudade danada
Hoje eu estou,
Amanhã não estarei!
O que fiz que valeu a pena viver?
Amei
Andei,
Me inquietei
Anunciei a verdade
Por onde passei
Nas cidades
Nos campos e nos recantos distantes
Proclamei aquilo que acreditei
Amei!
Curei feridas sangradas,
Rasgadas na carne
Sulcadas pela
Desigualdade
Acolhi, curei
Amei
Ter essa oportunidade em agradecer o bem recebido é um mimo da vida. Quem dera eu tivesse a oportunidade de retribuir, tudo que recebi. Ficaria eternamente grata a Deus.
Se eu morrer antes de você,
Não chore, sorria!
Nem fale nada, recorde!
Não leve qualquer flor,
Leve rosas!
Guarde na memória as coisas boas,
Os sonhos que eu tive
Porque acreditei
Num mundo possível, mas alguns me odiaram, criticaram, se zangaram.
Não chore!
Nem dá mais tempo, acabou!
Mas a semente lançada, frutificará
E um mundo novo surgirá,
Onde todos tenham vez e voz.
A primavera florescerá.
