Eu ainda tenho Tempo pra Sonhar
Não sinto falta do que eu fui, nem do que serei, pois minha falta é do que sou, da minha presença hoje, e hoje não tenho falta, pois no bem ou no mal, eu estou sempre presente comigo mesmo.
Convicção
Até a um minuto atrás eu não poderia estar tão certo de estar completamente errado. Errado com fé no meu erro. Errado como os outros têm fé. Certo da verdade do erro e mentindo sobre o erro de acreditar na verdade. O que era a verdade para mim se perdeu, enfraqueceu-se. E agora, nem sei. Disso, tenho firme convicção do meu erro e da minha mentira. Assim, estou certo que nunca saberei…
Eternamente eu irei para o banho e o shampoo estará no fim. Então escreverei sobre a minha desgraça, e, depois, escreverei sobre os meus escritos, eternamente. É a tirania do momento. Este instante foi, é, será toda a minha vida. É a consciência do limite, que não pode ser ultrapassado. O momento não termina nunca, por isso é muito difícil de ser percebido.
Agora eu vejo. É preciso um pequeno esforço para ver a face, ela não é velha nem nova, ela transcende o espaço e o tempo. Como é bela, ela não se repete. Ela sou Eu.
TU NÃO ME DEIXAS FAZER, EU NÃO TE DEIXO FAZER
A sociedade está contra o indivíduo para mantê-lo. O indivíduo está contra a sociedade que quer cercear a sua liberdade. Assim, cada indivíduo é inimigo dos outros, e todos são inimigos de todos.
A lei de causa e efeito diz que as coisas equivocadas que eu faço, voltarão para mim como estímulos e benfeitorias, para que eu continue apreciando que há de melhor na vida.
A roda rodou novamente, e eu me tornei absolutamente feliz. Mas a felicidade não dura quando não temos conscientes da infelicidade. Por isso eu coloquei uma pista no continuum espaço/tempo para me despertar: tudo está vivo!
Gestos humanos
Quando eu fechei a porta e saí à rua, percebi que considerava o que aconteceria como algo que já havia acontecido, o que era familiar, era um pé no futuro. Era como se tudo existisse de forma imutável: o passado seria o futuro. Daí veio uma nova consciência que derreteu o que era sólido: a visão de um fluxo eterno no qual nada estava fixado. A percepção do movimento da minha mente agora, em que não há repetições. Tudo era novo, era o olhar de um recém-nascido.
Eu comecei a caminhar pela calçada e vi que todos os meus gestos, a forma de caminhar, as expressões do meu rosto, eram apenas um teatro inconsciente. As minhas ideias, a minha forma de enxergar e de ouvir, a minha noção do tempo, eram apenas um formato, um figurino. Tudo para me manter dentro de um padrão reconhecível, assim os outros saberiam o que esperar de mim. Conseguia, então, suprir duas carências: confirmar os costumes e ter uma ilusão da minha identidade. Assim, os outros dizem quem eu sou. Isso é o máximo que temos para responder à pergunta. Claro que o que pensam sou eu que penso, portanto, eu sou os outros. Isso me deixou em dúvida, pois as pessoas fazem parte do fluxo interminável dos movimentos e como eu poderia saber o que pensam, se duvido da percepção? O tempo é a consciência desses movimentos e da sua constante dialética. O que é horizontal vira vertical e vice-versa. Na verdade, não existe uma mente. O que há é um pensamento que engloba este momento, a realidade.
Tudo progride por realimentação. Quanto mais eu acreditar, mais ciente estarei do que eu acredito. Isso é reforçar a crença. Quanto menos acreditarmos, menos estaremos presos. E não iremos adiante enquanto estivermos presos no conflito desejar/não desejar.
A lei de causa e efeito diz que todas as coisas equivocadas que eu faço voltarão para mim como benfeitorias e estímulos a que eu continue valorizando tudo o que há de bom na vida.
