Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me

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Não carregamos simplesmente um corpo: somos, em grande medida, a maneira como esse corpo habita o espaço, o tempo e os outros.

A consciência não paira sobre as coisas como um espectador; ela se compromete com o mundo através da espessura concreta do corpo.

O corpo não é um objeto entre objetos; é a condição silenciosa para que qualquer objeto possa aparecer diante de nós.

A liberdade nunca nasce no vazio: escolhemos sempre dentro de uma história, de um corpo, de uma época e de circunstâncias que não fomos nós que inventamos.

Um problema pode ser colocado diante de nós; um mistério nos envolve, porque nele aquele que pergunta também está implicado.

Um absurdo repetido por milhões de pessoas deixa de parecer absurdo e começa a parecer tradição.

Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.

Um livro raramente ofende uma mente aberta; normalmente é a mente fechada que transforma páginas em ameaça.

Entre absolver um culpado e condenar um inocente existe uma assimetria moral que nenhuma conveniência jurídica deveria ignorar.

A realização de um desejo raramente encerra a vontade; muitas vezes apenas abre espaço para uma nova exigência daquilo que ainda não possuímos.

A riqueza pode ampliar possibilidades, mas não possui o poder de estabelecer um limite definitivo para o desejo; quanto mais a vontade recebe, mais pode aprender a exigir.

Quanto maior a autonomia intelectual de um indivíduo, menor tende a ser sua dependência da aprovação alheia para sustentar aquilo que pensa.

É preferível sofrer a injustiça de um poder alheio a permitir que a injustiça transforme a própria consciência em instrumento de corrupção.

O homem é um animal político porque sua existência não se completa no isolamento, mas na convivência, no conflito e na construção das regras que tornam possível a vida coletiva.

A felicidade não é um instante de prazer, mas o resultado de uma vida orientada pela virtude, pela razão e pela realização de suas próprias potencialidades.

Quando a vontade de um governante substitui a autoridade da lei, o Estado corre o risco de deixar de servir à ordem comum para servir à vontade de quem governa.

O caráter de um homem revela-se menos naquilo que proclama do que na distância entre suas palavras e suas ações.

Um Estado que pretende governar pela virtude começa pelo exemplo de quem exerce o poder; nenhuma autoridade consegue exigir legitimamente aquilo que ela própria despreza.

Corrigir um erro não diminui a autoridade de quem o cometeu; demonstra que a consciência ainda possui autoridade sobre o próprio orgulho.

Toda dificuldade intelectual se torna mais compreensível quando deixamos de enfrentá-la como um bloco e aprendemos a submetê-la à análise de suas partes.