Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me

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Perdoar, por sua vez, é um ato de soberania moral. Aqui não há mais resquício de dívida emocional. O perdão dissolve o vínculo psíquico que prende ofensor e ofendido.

" Desaparecer para que sintam tua falta, isso tende a produzir um efeito incerto.Alguns sentirão, outros simplesmente se adaptarão."

A PUREZA DOUTRINÁRIA E O DRAMA SILENCIOSO DO SINCRETISMO PSÍQUICO.
Há um fenômeno recorrente na história das ideias espirituais que se repete com inquietante regularidade. Sempre que uma doutrina nasce sob o signo da lucidez e da elevação moral, cedo ou tarde surgem consciências que, incapazes de assimilar-lhe a disciplina interior, procuram adaptá-la às suas próprias inclinações. Não se trata apenas de ignorância. Trata-se de um movimento psicológico mais profundo, quase imperceptível, no qual o indivíduo tenta domesticar a verdade para não precisar transformar-se por ela.
No campo do Espiritismo, esse fenômeno assume contornos particularmente delicados. A Doutrina, erigida sobre a tríade ciência, filosofia e moral, exige do adepto uma postura de rigor intelectual e depuração ética. Contudo, muitos espíritos encarnados, ainda vinculados a estruturas arcaicas de pensamento mágico, sentem-se desconfortáveis diante da ausência de rituais, símbolos e intermediações materiais. Surge então o impulso de preencher esse vazio com práticas exteriores, como se a verdade necessitasse de adornos para ser vivida.
Do ponto de vista psicológico, tal comportamento revela uma dependência simbólica. O indivíduo, ao invés de desenvolver a fé raciocinada, ancora-se em objetos, gestos e fórmulas, buscando segurança no visível para evitar o enfrentamento do invisível interior. O ritual, nesse contexto, não é apenas um erro doutrinário. Ele é uma defesa psíquica. Um mecanismo pelo qual a consciência adia o confronto com suas próprias imperfeições.
Sob a ótica filosófica, esse desvio representa uma regressão epistemológica. O Espiritismo propõe uma superação do pensamento mítico em direção à compreensão racional do fenômeno espiritual. Quando se introduzem práticas como cristaloterapia, cromoterapia, apometria ou quaisquer formas de misticismo não fundamentadas na Codificação, ocorre uma ruptura metodológica. Abandona-se o critério da universalidade dos ensinos dos Espíritos e adentra-se o campo da subjetividade arbitrária, onde cada crença passa a reivindicar legitimidade sem exame.
Essa fragmentação do pensamento conduz inevitavelmente à confusão. E a confusão, no campo mediúnico, é terreno fértil para a mistificação. Conforme advertido em estudos clássicos da mediunidade, os Espíritos inferiores não se impõem pela força, mas pela sedução. Eles exploram vaidades, alimentam fantasias e oferecem soluções fáceis para problemas complexos. Onde há desejo de maravilha, há sempre o risco de ilusão.
É nesse ponto que o problema deixa de ser apenas doutrinário e se torna moral. A introdução de práticas estranhas frequentemente não nasce de má-fé deliberada, mas de uma combinação de vaidade, imprudência e falta de estudo sistemático. O médium que se acredita portador de métodos inovadores, o dirigente que busca atrair público por meio de novidades, o orador que transforma a tribuna em palco, todos, ainda que inconscientemente, deslocam o eixo da Doutrina do Cristo para o culto do eu.
Há também um aspecto sociológico digno de nota. Em uma sociedade marcada pelo imediatismo e pela busca de resultados rápidos, práticas que prometem curas instantâneas ou soluções simplificadas tornam-se sedutoras. A apometria, por exemplo, ao propor intervenções rápidas nos processos obsessivos, contrasta com a proposta espírita clássica, que enfatiza a reforma íntima como condição indispensável para a libertação espiritual. A primeira agrada ao desejo de alívio imediato. A segunda exige disciplina, renúncia e tempo.
Essa tensão entre facilidade e profundidade revela uma escolha existencial. O Espiritismo não é uma via de efeitos espetaculares. É uma escola de transformação gradual. Quando se substitui esse processo por técnicas exteriores, perde-se o essencial. Porque a obsessão não é apenas um fenômeno de influência espiritual. Ela é, sobretudo, um estado de afinidade moral. E afinidades não se rompem por imposição energética, mas por elevação de consciência.
A crítica às práticas estranhas, portanto, não deve ser compreendida como intolerância, mas como zelo epistemológico e ético. Respeitar outras crenças é um dever. Preservar a integridade de uma doutrina também o é. Confundir esses dois princípios é abrir espaço para a diluição do pensamento e, consequentemente, para a perda de identidade.
Historicamente, o Cristianismo primitivo oferece um exemplo eloquente. Nasceu simples, despojado, centrado na vivência moral do ensinamento. Com o tempo, foi sendo revestido por estruturas, rituais e dogmas que, embora tenham atendido a necessidades culturais, afastaram-no de sua pureza original. O Espiritismo, ao surgir, propôs justamente um retorno à essência. Repetir o mesmo processo de adulteração seria não apenas um equívoco, mas uma recidiva histórica.
No plano íntimo, cada espírita é chamado a um exame rigoroso. Não basta identificar o erro externo. É necessário investigar a própria inclinação ao fantástico, ao extraordinário, ao fácil. Porque o terreno onde germinam os desvios coletivos é o mesmo onde residem as fragilidades individuais.
A vigilância, nesse contexto, não é rigidez. É lucidez. Não é fechamento. É fidelidade a princípios que se sustentam na razão e na experiência. O estudo sistemático das obras fundamentais, a prática desinteressada da caridade e o cultivo da humildade constituem os antídotos mais seguros contra qualquer forma de desvio.
E, ao final, resta uma constatação de ordem quase trágica e, ao mesmo tempo, luminosa. A verdade não se impõe. Ela se oferece. Aqueles que a desejam sem ornamentos encontram-na na simplicidade. Aqueles que a revestem de excessos afastam-se dela sem perceber.
Preservar a Doutrina não é defendê-la contra o mundo. É defendê-la dentro de si. Porque é no silêncio da consciência que se decide se seremos continuadores da luz ou artesãos da própria ilusão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

O ECO PRESENTE NO SER.
No âmago da experiência humana persiste um sopro primordial que transcende a mera percepção sensorial e instala-se como presença constante junto ao sujeito pensante. Assim como o ritmo contido da música que nos evoca, em cada consciência um movimento lento e contínuo de investigação interior e reconciliação com o próprio existir. A respiração humana deixa de ser ato mecânico para tornar-se um símbolo da dualidade entre finitude e aspiração, entre o real e o ideal, entre o conhecido e o insondável.
A consciência, ao retornar-se para si mesma, desvela uma trama de significados ocultos que não são meramente sentidos, mas compreendidos através da análise crítica e da reflexão catedrática. O ritmo lento da busca insta a mente a suspender o juízo apressado e a cultivar a lucidez necessária para enfrentar a complexidade desse existir. Cada inspiração é um convite a reconhecer a própria vulnerabilidade; cada expiração, um gesto de renúncia às ilusões efêmeras.
Este processo de introspecção não é uma fuga da realidade, mas uma imersão profunda na substância do eu. O sujeito filosófico que busca nas indagações, encontra na lentidão um método de resistência contra a dilaceração do pensamento pela pressa e pela superficialidade. A experiência contemplativa ensina que a profundidade do ser não se revela em aceleração, mas em quietude e atenção prolongada aos aspectos sutis das experiências vividas.
No contexto desta reflexão, a temporalidade assume relevo singular. O tempo não se apresenta como linha contínua e linear, mas como campo de eventos psicossomáticos em que passado e futuro coexistem no presente da consciência. Quando o pensamento se aquieta, percebemos que o sentido último de nossa jornada não se encontra em metas externas, mas no exame contínuo dos próprios estados internos.
A conclusão que se impõe é que a verdadeira sabedoria não reside em responder de imediato às questões da vida, mas em aprender a permanecer com elas, atendendo-as com equanimidade e perseverança. 
*Que esta reflexão inspire o leitor a transformar cada momento de silêncio interior em ato de compreensão e transfiguração pessoal.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

" É humilhação discutir com o ignorante e um insulto para quem já sabe desse princípio. "

" Todos os dias ao amanhecer o sol me dava um pássaro cantante na minha janela, hoje o sol não veio, mas lá esta já preocupante um pássaro. "

COMPORTAMENTO MENTAL.
A mente humana não é apenas um centro abstrato de pensamentos. Ela constitui um núcleo emissor de forças sutis que continuamente modelam as disposições emocionais, os impulsos morais e até mesmo os estados orgânicos do corpo físico. Dentro da visão espírita, pensamento não é simples produto químico cerebral, mas energia viva, estruturadora e atuante sobre o organismo e sobre o perispírito.
Quando Joanna de Ângelis afirma que “o corpo reflete os componentes mentais”, apresenta uma observação profundamente coerente com a psicologia espiritual e com inúmeras investigações contemporâneas acerca das relações entre emoção, imunidade, estresse e somatização. O ser humano torna-se, gradativamente, a exteriorização daquilo que alimenta interiormente.
Ideias pessimistas constantes. Mágoas cultivadas. Revoltas silenciosas. Medos persistentes. Culpa crônica. Todos esses estados psíquicos criam descargas emocionais destrutivas que repercutem sobre o sistema nervoso, endocrinológico e imunológico. A alma em desalinho termina por converter sofrimento moral em desgaste orgânico.
Entretanto, o inverso também se manifesta como lei de equilíbrio. Pensamentos edificantes, serenidade íntima, fé racional, esperança, disciplina emocional e cultivo do bem produzem harmonização psíquica. A mente pacificada reorganiza forças internas, favorecendo resistência física, lucidez emocional e estabilidade espiritual.
Sob a ótica espírita, o pensamento é matéria mental em movimento. Cada ideia sustentada converte-se em campo vibratório. Por isso, ninguém adoece apenas no corpo. Antes, desarmoniza-se na intimidade profunda da consciência. O corpo apenas exterioriza, muitas vezes, conflitos antigos da vida emocional e espiritual.
A referência à mitose saudável possui valor simbólico e científico relevante. A célula responde ao ambiente químico produzido pelo estado emocional do indivíduo. Assim, hábitos mentais equilibrados cooperam para processos orgânicos mais harmônicos, enquanto estados contínuos de aflição podem favorecer exaustão fisiológica e desequilíbrio funcional.
Isso não significa atribuir toda enfermidade à mente, nem reduzir a dor humana a mera fragilidade moral. A Doutrina Espírita ensina prudência e compaixão diante do sofrimento. Existem provas reencarnatórias, fatores biológicos, genéticos e experiências necessárias ao amadurecimento do Espírito. Contudo, o comportamento mental permanece elemento decisivo na preservação da harmonia interior.
Educar o pensamento é também terapêutica da alma. Vigiar emoções é profilaxia espiritual. Cultivar o bem é medicina silenciosa para o próprio destino.
Como ensinava Divaldo Pereira Franco, inspirado por Joanna de Ângelis, felicidade não é ausência de dor, mas construção íntima de equilíbrio perante a existência.
“Cada pensamento cultivado é uma semente invisível que, mais cedo ou mais tarde, florescerá no corpo, na emoção e no destino.”
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O IMPERDOADO.
A infância não chegou como jardim.
Veio semelhante a um corredor austero de vozes severas.
Mãos invisíveis moldaram-lhe os ossos da alma.
Ensinaram-lhe a curvar-se antes mesmo de compreender o peso dos céus.
Disseram-lhe que sentir era fraqueza.
Que o homem digno deveria transformar lágrimas em silêncio.
Que a obediência era mais importante que a verdade interior.
Então ele cresceu.
Cresceu como crescem as árvores atingidas pelo inverno perpétuo.
Fortes por fora.
Mortas em regiões ocultas.
Carregava nos olhos um oceano imóvel.
Os dias passavam semelhantes a procissões de ferro.
O mundo exigia máscaras.
E ele as vestia uma após outra.
O filho exemplar.
O homem disciplinado.
O rosto imóvel diante das tragédias.
A criatura útil diante das engrenagens sociais.
Mas cada renúncia enterrava um fragmento de si.
As cidades iluminavam-se enquanto sua consciência escurecia.
Os salões celebravam triunfos vazios.
Os homens brindavam conquistas sem perceber o abismo que carregavam no peito.
Toda civilização possui seus palácios.
E seus cemitérios invisíveis.
Ninguém ouviu o colapso dentro dele.
Certas dores não produzem gritos.
Produzem desertos.
Durante anos caminhou entre multidões como um espectro filosófico.
Falava pouco.
Observava muito.
Aprendera que o mundo teme aqueles que enxergam excessivamente.
Então certa noite.
Quando os sinos interiores da existência estremeceram sua memória.
Ele viu.
Viu a própria vida semelhante a uma catedral incendiada.
As virtudes impostas.
Os afetos mutilados.
Os sonhos executados lentamente pela disciplina cruel dos homens.
Percebeu que fora domesticado para sobreviver.
Jamais para viver.
E naquele instante o universo tornou-se pesado.
As estrelas pareciam lápides suspensas sobre a humanidade.
O vento possuía gosto de ruína antiga.
Os rostos humanos tornaram-se máscaras fatigadas buscando sentido entre guerras, vaidades e solidões intermináveis.
Então o Imperdoado ergueu-se.
Não como herói glorioso das antigas epopeias.
Mas como sobrevivente metafísico de uma civilização emocionalmente enferma.
Sua revolta não nasceu do ódio.
Nasceu do esgotamento da alma.
Ele compreendeu que muitos homens morrem décadas antes do túmulo.
Que inúmeras existências continuam respirando mesmo depois da destruição interior.
Que existem corpos vivos carregando espíritos exaustos pelas avenidas do mundo.
E chorou.
Não por fraqueza.
Mas porque finalmente encontrou os escombros de si mesmo.
As muralhas emocionais desabaram como impérios antigos.
Toda a dor silenciada regressou semelhante a uma tempestade sepulcral.
As humilhações esquecidas.
Os amores sufocados.
As palavras jamais pronunciadas.
As despedidas jamais compreendidas.
Tudo voltou.
E diante da eternidade indiferente das constelações.
Ele fitou a própria existência e disse silenciosamente.
“Roubaram-me a essência antes que eu pudesse conhecê-la.”
Desde então tornou-se andarilho das sombras interiores.
Não buscava glória.
Não desejava absolvição.
Procurava apenas um fragmento intacto da própria identidade sob os destroços do mundo.
Porque certas almas não desejam vencer.
Desejam apenas não desaparecer completamente dentro daquilo que os homens chamam civilização.
E os céus permaneceram imóveis.
Como sempre permaneceram diante das tragédias humanas.

LÁGRIMAS ESCURAS ESTRANHAS.
“Camille Marie Monfort caminhava como quem carregava um inverno dentro do peito. Não eram lágrimas comuns. Eram precipícios líquidos escorrendo silenciosamente pela face de alguém que compreendeu cedo demais o peso das despedidas.”
Ela não chorava apenas por um amor perdido. Chorava pelas múltiplas mortes invisíveis que a existência impõe lentamente à alma humana. Chorava pela infância que lhe arrancaram antes da hora. Pelos corredores vazios das antigas casas aristocráticas onde o silêncio parecia observar cada passo. Pelos retratos antigos que conservavam sorrisos de pessoas já devoradas pelo tempo.
Camille descobriu algo terrível. Algumas pessoas não enlouquecem por excesso de dor. Enlouquecem por excesso de lucidez.
As tristezas escuras nasceram quando ela percebeu que muitos afetos humanos são frágeis demais para sobreviver ao desgaste do egoísmo, da vaidade e das conveniências sociais. Desde então, seus olhos passaram a carregar aquela melancolia semelhante às catedrais abandonadas após a chuva.
Existia também outra ferida. Mais profunda. Mais metafísica.
Camille sentia-se deslocada do próprio século. Como se sua alma pertencesse a algum salão antigo iluminado por velas mortiças, música fúnebre e cartas jamais enviadas. O mundo moderno lhe parecia excessivamente rápido para compreender sentimentos profundos. Via pessoas sorrindo enquanto apodreciam emocionalmente por dentro. Via corpos vivos habitados por espíritos fatigados.
Por isso suas lágrimas eram escuras.
Não porque amasse a escuridão. Mas porque a escuridão havia aprendido a morar nela.
Ainda assim, havia beleza em sua tragédia. Uma beleza austera. Quase litúrgica. Camille transformava sofrimento em contemplação filosófica. Enquanto muitos endureciam diante das perdas, ela tornava-se mais sensível, mais introspectiva, mais perigosa para si mesma. Certas almas possuem esse destino. Não nasceram para atravessar a vida superficialmente. Vieram para sentir tudo até o último abismo.
E quando a noite caía, Camille permanecia diante da janela observando o mundo como quem esperava algo impossível retornar das sombras. Talvez um amor. Talvez uma vida que nunca viveu. Talvez apenas a parte de si mesma que morreu silenciosamente sem que ninguém percebesse.”

A NECROSE SILENCIOSA DA ALMA.
Morre lentamente o ser humano que já não contempla a aurora como um milagre cotidiano. Morre quem desperta sem gratidão, quem atravessa as manhãs como um espectro automatizado, incapaz de perceber que cada raio solar constitui um testemunho da continuidade divina da existência. Há uma forma de sepultamento que antecede o túmulo. Ela ocorre dentro da consciência. Ela se instala nos territórios invisíveis da sensibilidade anestesiada.
Morre lentamente quem esqueceu de olhar as estrelas na noite anterior. Quem já não ergue os olhos para o firmamento perde gradativamente o senso de transcendência. O céu noturno sempre foi um dos maiores tratados metafísicos da humanidade. Civilizações inteiras compreenderam a pequenez humana diante da vastidão cósmica. Quando o indivíduo deixa de contemplar o infinito, passa a viver encarcerado nas estreitas muralhas do imediatismo material.
Morre lentamente quem não mais se encanta com a magnificência da natureza. Quem atravessa florestas sem reverência, quem observa rios sem assombro interior, quem pisa sobre a terra sem reconhecer nela o laboratório sublime da criação divina. A natureza não é mero cenário biológico. Ela é pedagogia silenciosa da Providência. Cada árvore ensina resistência. Cada estação ensina renovação. Cada flor revela que a delicadeza também constitui força.
Morre lentamente quem já não encontra beleza em si mesmo. O autoabandono emocional corrói a estrutura psíquica com intensidade devastadora. O amor-próprio equilibrado não é vaidade. É reconhecimento da dignidade espiritual que habita a criatura humana. Quem se odeia gradativamente destrói os alicerces interiores da esperança. Quem não se permite ajuda fecha as portas da própria regeneração.
Morre lentamente quem se transforma em servo dos hábitos petrificados. Quem percorre eternamente os mesmos caminhos mentais, emocionais e existenciais, recusando-se a experimentar novos horizontes da experiência humana. A estagnação da alma produz uma espécie de mumificação psicológica. O indivíduo permanece biologicamente vivo, mas espiritualmente imóvel. O medo da mudança converte-se em cárcere invisível.
Morre lentamente quem faz da distração superficial o centro absoluto da própria vida. Quem substitui reflexão por ruído constante. Quem abandona o diálogo profundo consigo mesmo para entregar-se inteiramente às dispersões hipnóticas do mundo moderno. A consciência necessita de silêncio para amadurecer. Sem introspecção, o espírito enfraquece-se.
Morre lentamente quem permanece infeliz em sua vocação e ainda assim não move uma única força interior para transformar a própria realidade. A resignação passiva jamais foi virtude. O conformismo diante da infelicidade representa uma das formas mais perigosas de renúncia existencial. Sonhos sufocados tornam-se sepulturas íntimas.
Morre lentamente quem vive aprisionado à reclamação incessante. Quem transforma a própria linguagem em instrumento contínuo de pessimismo. A palavra possui profunda força psíquica. O pensamento repetido estrutura estados emocionais permanentes. Quem apenas amaldiçoa a chuva, o calor, o destino ou a própria sorte passa a habitar atmosferas mentais de autodestruição silenciosa.
Morre lentamente quem abandona projetos antes mesmo de iniciá-los. Quem teme errar mais do que deseja aprender. Quem deixa perguntas sufocadas pelo orgulho e respostas aprisionadas pelo medo. A ignorância não constitui vergonha. Vergonhosa é a recusa deliberada ao crescimento intelectual e moral.
Morre lentamente quem já não agradece. A gratidão é uma das mais elevadas expressões da lucidez espiritual. A criatura ingrata obscurece a percepção das bênçãos que a cercam. Pais, filhos, amizades, oportunidades, afetos, reconciliações e até mesmo as dores educativas da existência constituem patrimônios invisíveis da alma.
Morre lentamente quem não sorri para uma criança. Quem já não percebe o sublime mistério do nascimento humano. O olhar de um bebê ainda carrega vestígios de eternidade. Existe uma pureza metafísica nos primeiros instantes da vida que desmonta os orgulhos endurecidos da maturidade enferma.
Morre lentamente quem já não abraça. Quem não beija. Quem não acaricia. Quem desaprendeu a linguagem silenciosa do afeto. O ser humano necessita de vínculos emocionais tanto quanto necessita de alimento e respiração. A ausência de ternura resseca as regiões mais delicadas da afetividade.
Morre lentamente quem adota filosofias permanentes de desesperança. Expressões como “o mundo não tem mais jeito” revelam frequentemente uma desistência íntima diante da própria responsabilidade moral. Civilizações não se regeneram por discursos pessimistas, mas pela transformação individual de consciências despertas.
Morre lentamente quem acredita que o fim de um amor representa o fim absoluto da capacidade de amar. O amor verdadeiro não se reduz à posse emocional. Amar é potência da alma. É faculdade expansiva do espírito. O coração humano permanece capaz de reconstrução enquanto ainda houver sensibilidade.
Morre lentamente quem jamais se dedica à felicidade alheia. Quem não reparte. Quem não consola. Quem não serve. A existência exclusivamente centrada em si mesma degenera em aridez emocional. A criatura humana encontra significado profundo quando se transforma em instrumento de amparo para outros seres.
Evitemos, portanto, a morte em doses suaves. Respirar não basta para caracterizar a plenitude da vida. A verdadeira vitalidade exige consciência, esforço moral, discernimento e transcendência interior.
Estar vivo pressupõe ação consciente e não mera reação instintiva. A reação impensada frequentemente nasce dos impulsos inferiores da personalidade. A reflexão, ao contrário, representa uma das mais elevadas expressões da maturidade psicológica e espiritual.
Estar vivo implica examinar-se continuamente. Não para cultivar culpa mórbida, mas para desenvolver autoconsciência. Quem se analisa com honestidade descobre possibilidades profundas de renovação interior. A reforma íntima constitui uma das maiores tarefas da existência humana.
Estar vivo significa carregar entusiasmo autêntico. A própria palavra entusiasmo deriva do grego “entheos”, expressão que significa “ter Deus dentro de si”. O entusiasmo verdadeiro não é euforia superficial. É a convicção silenciosa de que a vida possui finalidade superior, mesmo em meio às tribulações mais severas.
Vivo para que o sol encontre significado em sua própria claridade. Vivo para que a chuva purifique não apenas o ar, mas também os territórios ocultos da alma fatigada. Vivo para que o amor transborde sem exigir justificativas utilitaristas, porque o amor legítimo dispensa condições para existir.
Vivo para florescer jardins que talvez jamais verei completamente. Toda bondade sincera multiplica-se invisivelmente nas estruturas morais da humanidade. Nenhum gesto elevado perde-se no universo.
Vivo cada dia como realidade irrepetível. Nem o primeiro. Nem o último. O único. O instante presente constitui a matéria-prima sagrada da existência.
A morte mais perigosa não é a biológica. É aquela que apaga lentamente a sensibilidade, a esperança, a coragem, a contemplação e a capacidade de amar.
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a Lei.”
Marcelo Caetano Monteiro .


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SOBRE: JOANA D'ÁGUA ARC - DE HEREGE À SANTA.
#HojeNaHistória Em um dia como hoje, em 1920, a Igreja Católica canonizava Joana d'Arc, transformando-a oficialmente em santa e padroeira da França. A cerimônia, conduzida pelo Papa Bento XV, aconteceu quase 500 anos após sua morte trágica na fogueira, em 1431, acusada de heresia e bruxaria. A jovem camponesa, que dizia ouvir vozes divinas, liderou tropas francesas durante a Guerra dos Cem Anos contra a Inglaterra, tornando-se um símbolo de coragem, fé e resistência nacional.​


Joana nasceu em 1412, no vilarejo de Domrémy, e começou a se destacar aos 17 anos, quando convenceu o delfim Carlos VII a deixá-la comandar o exército francês. Sua liderança foi decisiva na vitória da França em diversas batalhas, incluindo o cerco de Orléans. Mesmo capturada, julgada injustamente e executada aos 19 anos, seu legado resistiu aos séculos. Em 1456, a Igreja reverteu sua condenação e, séculos depois, reconheceu sua santidade. Hoje, Joana d'Arc é símbolo de fé inabalável e heroísmo.​


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Encontro de LÉON DENIS com KARDEC.
Havia em Tours um grupo espírita bem organizado, ao qual, porém, Denis não podia frequentar regularmente devido seus compromissos de trabalho. Mas, em meio aos primeiros estudos doutrinários, junto com alguns amigos espíritas, o rapaz ficou sabendo de um evento especial que se daria na sua cidade: a visita do autor de O Livro dos Espíritos.

O ano era o de 1867 e Denis tinha apenas 21 anos de idade. A reunião estava prevista para se realizar num salão, mas a prefeitura não providenciou a autorização do evento; então uma das personalidades espíritas da cidade ofereceu sua residência para sediar a palestra. Denis encarregou-se de ficar à porta do endereço anterior para prevenir os convidados da mudança de local; depois, ele foi se juntar os trezentos ouvintes que disputavam um lugar nos jardins da casa do Sr. Rebondin, para ouvir o codificador espírita. Ele registrou esse momento jubilar nos Anais do Congresso de 1925:

“Sob a claridade das estrelas, a voz suave e grave de Allan Kardec se elevava, e sua fisionomia meditativa, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa, no centro do jardim, produzia um aspecto fantástico. [...] Os canteiros do Sr. Rebondin ficaram bem pisoteados, mas cada um levou dessa noite uma inesquecível lembrança.”
No dia seguinte, o rapaz foi cedinho na casa que hospedava o Mestre espírita, só para dar uma espiadinha, do que vai contar: “[...] encontrei-o sobre um pequeno banco, junto a uma grande cerejeira, colhendo frutos que atirava para a Sra. Allan Kardec — cena bucólica que contrastava com aquelas graves preocupações.”

A passagem de Kardec em Tours rendeu a fundação de um novo centro espírita, do qual Denis foi escolhido secretário. A propósito de mais instruções, o apóstolo iria se encontrar o mestre mais duas vezes ainda em 1867; uma vez em Paris, no escritório de Kardec; outra vez num evento espírita em Bonneval. Dois anos depois, à distância, Léon lamentaria a morte do professor.

ANOTAÇÃO ÍNTIMA DE KARDEC.
“Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações, foi que os Espíritos, não sendo mais do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral. Que o saber do que dispunham se reduzia ao grau de adiantamento que haviam atingido e que suas opiniões só tinham o valor das opiniões pessoais. Reconhecida esta verdade, desde o princípio, ela me preservou do grave escolho de acreditar na infalibilidade dos Espíritos, e me impediu ao mesmo tempo de formular teorias prematuras, com base no que fosse dito por um ou por alguns deles”.

Eu passei muito tempo sendo o guardião de um tesouro invisível. No palco da minha mente, ensaiei mil vezes a canção que eu queria te cantar, mas, na hora de abrir as cortinas, a voz se perdia na imensidão do que sinto. É curioso como um homem pode se sentir gigante e, ao mesmo tempo, tão pequeno diante do nome da mulher que ama.
Eu te amei no vão das horas, nos detalhes que ninguém mais percebeu. Fui a estrela que você não viu durante o dia, mas que estava lá, ancorada no céu da sua existência, esperando a noite cair para poder, enfim, te encontrar no único lugar onde éramos um só: nos meus sonhos.
"Mas o silêncio, que antes era meu abrigo, tornou-se uma prisão estreita demais para a força desse querer."
Hoje, sinto que sou como o sol mencionado nos teus versos. Não há mais sombra que consiga esconder o que o peito grita. Guardar esse amor é como tentar segurar o amanhecer com as mãos: impossível. Meu coração cansou de ser baú e decidiu ser ponte.
Não quero mais que você seja um poema deixado no ar; quero que você seja o papel, a tinta e a voz que dá vida às minhas palavras. Quero sair do silêncio e te habitar na luz, trocando o "amor guardado" pelo amor vivido, braço com braço, vida com vida.
Porque amar em silêncio é uma arte, mas te amar em voz alta... ah, isso é a minha liberdade.

Uma canção de três minutos no rádio é capaz de resumir anos de saudade de um grande amor.

O tempo é um artesão paciente, mas meu peito já não suporta a forma como ele esculpe a sua ausência. Durante muito tempo, eu te fiz rima no escuro e te guardei em gavetas que só o meu coração sabia abrir. Eu te amei em silêncio, como quem protege uma chama de um vento súbito, temendo que o mundo fosse pequeno demais para a nossa imensidão.
Mas o silêncio, que antes era abrigo, tornou-se um eco.
Hoje, não quero mais ser a estrela que espera a noite para existir. Quero ser o dia que te encontra, o sol que desfaz as sombras e a voz que finalmente ganha o ar. O meu mundo, que por tanto tempo foi um monólogo sonhado, precisa da sua resposta para se tornar melodia completa.
Quero te reencontrar não para resgatar o que fomos, mas para descobrir quem seremos agora que o meu "eu" transbordou de tanto te guardar. Que o nosso próximo abraço seja o ponto final da saudade e o início da nossa história mais barulhenta, viva e iluminada.

"Desejo um amor puro e verdadeiro, capaz de enxergar além das aparências e caminhar ao meu lado em qualquer lugar do mundo."

A vida é um sopro,
Assopre suas feridas,
e toque sua flauta.

⁠Às vezes você pega um livro, às vezes o livro te pega.
sfj,reflexões

Não é sobre a quantidade de livros lidos, mas sobre o quanto cada um deles foi capaz de transformar você.
Sfj,reflexões
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