Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me

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Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.

Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.

Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.

Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.

E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.

Talvez hoje eu não tenha “um mundo” pra entregar. Mas talvez o problema nunca tenha sido faltar mundo. Talvez tenha sido carregar o universo inteiro nas costas tentando ser indispensável pra alguém.

Um dia, quando eu voltar...

Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.

As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.

Mas algumas coisas permanecem.

Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.

Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.

Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.

E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.

Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.

Lucci Santz ✍️

O mundo dá voltas na longa caminhada,
e a verdade mais simples continua gravada:
cada um colhe, um dia, aquilo que semeou na estrada.

O estrangeiro, o diferente, o deslocado, carrega dentro de si um idioma secreto feito de ausências. E enquanto o mundo enxerga apenas alguém tentando seguir em frente, existe uma batalha silenciosa acontecendo entre quem ele era e quem precisa se tornar.
E o que ele repete para si mesmo todos os dias:
"Um dia isso não vai doer mais."
E, curiosamente, é essa mentira que muitas vezes o mantém vivo até que ela finalmente se transforme em verdade.
Porque nos seres humanos somos estranhos assim. Construimos pontes com ilusões temporárias para atravessar abismos reais. E, contra toda lógica, às vezes funciona.

A lua em minuto,
tão breve quanto um suspiro,
mudou o curso da noite.

No céu, nada parecia diferente,
mas dentro das pessoas
havia um estado alterado de convivência.

Palavras ficaram mais pesadas,
silêncios mais longos,
olhares mais distantes.

Talvez a lua não mova apenas marés.
Talvez ela toque
as correntes invisíveis da alma.

E por um minuto apenas,
o mundo inteiro esqueceu
como era conviver consigo mesmo.

Às vezes um colo resolve mais que palavras. Porque algumas dores não precisam ser entendidas. Precisam apenas ser acolhidas.

Somos feitos dos hábitos que alimentamos

Não é um único dia que define quem você é.

É aquilo que você repete quando ninguém está olhando.

Um hábito é uma escolha que deixou de pedir permissão. Depois de repetida muitas vezes, ela passa a conduzir seus passos sem fazer barulho.

Da mesma forma que um pequeno descuido diário pode destruir uma vida aos poucos, um pequeno gesto de cuidado pode reconstruí-la sem pressa.

Ler algumas páginas.
Beber mais água.
Ouvir antes de responder.
Agradecer.
Descansar.
Escrever.
Perdoar.
Recomeçar.

Nada disso parece grandioso em um único dia.

Mas o tempo tem uma estranha habilidade: ele multiplica tudo aquilo que repetimos.

No fim, nosso destino raramente é construído por grandes acontecimentos.

Na maioria das vezes, ele nasce dos hábitos silenciosos que escolhemos cultivar todos os dias.

Quando o amor pede um lugar


Há quem entregue o melhor de si sem medir esforços, sem economizar carinho, sem calcular a intensidade.
Ama com presença, com cuidado, com vontade de construir.
E, ainda assim, guarda no peito um desejo simples:
não ser um segredo.
Não por vaidade, nem por aplausos, mas porque todo amor merece um lugar ao sol.
Há uma paz diferente em saber que alguém não tem medo de caminhar ao seu lado.
No fim, não é sobre aparecer.
É sobre pertencer.
Sobre sentir que o amor, quando é verdadeiro, não precisa se esconder para existir.

"Nem toda marca nasce de um sonho. Mas há sonhos que marcam uma vida inteira."

Há um desejo em mim
que não faz barulho,
mas pronuncia seu nome
o tempo inteiro.

Se um dia meus passos se perderem,
que encontrem meus versos primeiro.
Neles deixei tudo o que fui,
o que sonhei e o que ainda espero.
Porque a alma não pesa pelo que sofre,
mas pelo amor que insiste em guardar.
E os versos que minha alma carrega
o tempo jamais conseguirá calar.

"Há pessoas que atravessam o mundo em busca de um lugar para existir. Eu percebi que o único lugar onde nunca fui abandonada foi dentro das palavras. É por isso que escrevo: porque a poesia acolhe até aquilo que a vida recusou."

Surpreender alguém é um ato de coragem,
é tocar a alma sem pedir passagem.
É chegar em silêncio, levando emoção,
e florescer sorrisos dentro do coração.

Não é o valor do presente que faz a magia,
mas o carinho escondido na simplicidade do dia.
Porque quem surpreende sem esperar gratidão,
deixa para sempre um pedaço de luz na lembrança e na emoção.

O Turbilhão


Existe um vendaval morando em mim.


Ninguém o vê.
As pessoas enxergam o meu sorriso,
as minhas palavras,
os meus poemas.
Mas ninguém escuta o barulho dos destroços que carrego por dentro.


Há dias em que tudo o que eu quero
é ir embora.


Ir embora das expectativas,
das decepções,
das promessas quebradas,
das portas fechadas,
das pessoas que só lembram de mim quando precisam.


Quero ir embora da culpa que me veste,
do cansaço que me acorda,
das batalhas que ninguém imagina que luto.


Mas, no fundo,
não quero desaparecer.


Quero encontrar um lugar
onde eu possa respirar sem pedir desculpas por existir.


Quero voltar para mim.


Porque há muito tempo
venho morando na vida dos outros
e esquecendo de cuidar da minha.


Talvez esse turbilhão
não seja um fim.


Talvez seja a tempestade
arrancando tudo aquilo
que nunca foi abrigo.


E quando o vento passar,
se passar,
espero encontrar entre os escombros
a única pessoa
que nunca deveria ter abandonado:


eu.

"Toda família deixa um legado. Nem sempre em objetos. Quase sempre em sentimentos."

Às vezes, um atraso vira tempestade.
Um silêncio pesa como despedida.
E um abraço, por menor que seja, tem força para reorganizar o mundo.

Há quem chame isso de exagero.
Eu chamo de sentir sem pele.

Porque alguns corações vivem entre o medo do abandono e a coragem de amar por inteiro. Caem, levantam, quebram, recomeçam... e seguem procurando um lugar onde finalmente possam descansar sem precisar duvidar que alguém ficará.

Talvez a palavra nunca tenha sido "demais".
Talvez sempre tenha sido apenas intenso.

Há corações que não procuram um amor; procuram um lugar onde, enfim, possam deixar de partir.

"Há pessoas que vão embora levando apenas as malas. Outras esquecem um inverno inteiro pendurado no cabide da sala."

A dor de um braço quebrando não termina no instante em que o osso cede.

Existe o estalo.

Existe a carne tentando entender o que aconteceu.

Existe o corpo inteiro procurando uma posição onde a dor diminua, mesmo sabendo que nenhuma posição resolve.

Mas existe uma outra dor.

Aquela que ninguém vê no raio-X.

Aquela que fica quando você percebe que alguém foi capaz de olhar para você e escolher a violência.

E então não é mais só o braço.

Quebra alguma coisa por dentro.

Quebra a sensação de segurança.
Quebra a confiança.
Quebra aquela parte ingênua que ainda acreditava que certas pessoas simplesmente não seriam capazes de atravessar determinados limites.

E existe a humilhação.

Aquela sensação miserável de estar ali, machucada, vulnerável, tentando juntar os pedaços enquanto quem fez aquilo talvez siga respirando como se tivesse apenas atravessado mais uma esquina.

Você se sente pequena.

Sozinha.

Às vezes, até suja de uma culpa que não é sua.

Como se o corpo violentado carregasse também a vergonha da violência.

Mas não.

A vergonha não é minha.

Nunca foi.

O lixo não sou eu.

Lixo é quem precisa destruir o corpo de outra pessoa para se sentir grande.

Lixo é quem transforma força em covardia.

Lixo é quem levanta a mão porque não possui argumento, caráter ou humanidade suficientes para permanecer de pé diante de alguém.

Eu estava sozinha quando a dor chegou.

E talvez essa tenha sido uma das partes mais cruéis.

Porque há momentos em que a gente gostaria de ter alguém segurando nossa mão, dizendo que vai passar, dizendo que aquilo não aconteceu porque merecíamos.

Mas ninguém deveria precisar de uma testemunha para provar a própria dor.

Eu sei o que senti.

Eu sei o que ouvi.

Eu sei o que meu corpo suportou.

Eu sei o que quebrou.

E sei também que existem ossos que médicos conseguem colocar no lugar, mesmo que demore.

A alma é mais complicada.

Ela não recebe gesso.

Não existe cirurgia para devolver imediatamente a confiança.

Não existe remédio capaz de apagar a imagem da covardia.

Então eu vou ter que reconstruir.

Devagar.

Com raiva, talvez.

Com lágrimas também.

Com dias em que vou me sentir forte e outros em que vou me sentir um lixo por uma violência que nunca foi minha.

Mas vou reconstruir.

Porque aquele homem conseguiu quebrar meu braço.

Não conseguiu decidir quem eu sou.

E talvez essa seja a primeira coisa que eu precise aprender novamente:

eu não sou o que fizeram comigo.

Eu sou a mulher que sobreviveu ao que fizeram comigo.

E isso muda tudo.