Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me
Poemas
Saí num dia qualquer.
Luzes acesas, risos no ar,
todo mundo parecia ter
um motivo para celebrar.
Andei entre vozes e abraços,
mas ninguém percebeu meu olhar.
Era como se, em meio à multidão,
eu tivesse deixado de existir ali.
A solidão segurou minha mão
quando vi que não tinha com quem ficar —
sem amigos, sem convite,
só o desejo de voltar.
E voltei…
Não porque a noite acabou,
mas porque às vezes dói demais
assistir o mundo girar
quando a gente sente
que não tem onde se encaixar.
Título: Um Sábado Diferente
Acordei cedo, como em qualquer dia,
O despertador, a pressa, a mesma correria.
Peguei o ônibus, rotina normal,
Pensando na vida, querendo algo especial.
No trabalho, a mente longe a vagar,
Sonhando com outro lugar para recomeçar.
“Talvez mudar de cidade, tentar algo novo”,
Mas as contas diziam: “Ainda não é o momento”.
Voltei para casa, andando devagar,
Cansado do dia, sem muito esperar.
Então o celular vibrou na minha mão,
Uma mensagem mudando aquela situação.
Duas pessoas maravilhosas a me chamar,
“Vamos para a praça, venha conversar”.
Fui sem pensar, apenas sentir,
E ali algo simples começou a surgir.
Conheci risadas, histórias e mais um rapaz,
Momentos simples que trouxeram paz.
E naquele sábado que parecia igual,
Virou um sábado especial.
Voltei para casa com algo diferente,
Uma alegria calma dentro da mente.
Porque antes era um sábado sem ninguém,
Mas naquele dia… encontrei alguém.
Viva como um pássaro que, a cada amanhecer, vai atrás do seu alimento sem se preocupar com o amanhã.
"O Julgo Invisível”
Vivemos num tempo em que o valor de um homem se mede pela pressa com que ele produz.
Se ele para, chamam-no de preguiçoso; se cansa, de fraco; se pensa, de inútil.
Mas ninguém pergunta o que o silêncio dele carrega, nem o peso invisível que sustenta quando o mundo o chama de vagabundo.
Talvez o que eles chamam de inércia seja apenas o intervalo entre o que ele foi e o que ainda vai se tornar.
Nem todo repouso é desistência — às vezes é apenas o respiro antes do próximo passo.
E quem julga de fora nunca vai entender a batalha que se trava por dentro,
onde cada dia sem trabalho é também uma luta para não perder a fé em si mesmo.
"O Silêncio de Não Ser Pai"
Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada.
Não ser pai não é ausência de amor.
Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados.
O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor?
Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem.
Há paternidades que não vestem título.
Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém.
Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso.
Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.
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