Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura
Iracema minha doce loucura, meu poema de doçura, meu carinho de ilusão, que atravessou o meu caminho na contramão e atropelou o meu coração.
IV. A lucidez que enlouquece
Nem toda loucura é fuga. Algumas são excesso de lucidez. Quando se vê demais, sente-se demais. Quando se compreende além do que é possível suportar, a mente busca rotas que a consciência não escolhe. Há dores que não cabem na razão, e há verdades tão nuas que dilaceram.
A lucidez, quando absoluta, é um risco. Porque ver tudo sem véus é também ver o absurdo, a finitude, o vão das promessas humanas. E nem sempre se está pronto para permanecer são dentro desse deserto.
A loucura, por sua vez, aparece como véu restaurador. Ela recobre o intolerável, inventa símbolos, reinventa a lógica. Cria sistemas próprios onde o indivíduo pode ainda ser deus, vítima, redentor, qualquer coisa que impeça o colapso. É nesse sentido que a loucura pode ser também criação, não destruição. A reconstrução de um universo interno, com regras próprias, para que o ser não se desintegre.
E no entanto, mesmo no delírio, há beleza. Porque onde há linguagem, ainda que dissonante, há desejo de expressão. Onde há construção, ainda que simbólica, há instinto de permanência. E onde há dor, há humanidade.
Compreender esse ponto é recusar a dicotomia. É não separar em rótulos estanques o que, na verdade, se entrelaça em ondas. Todos os que pensam profundamente já roçaram a margem da loucura. Todos os que criam com intensidade já sentiram a vertigem do descontrole. O equilíbrio é uma dança. E a lucidez verdadeira não exclui o delírio, apenas o traduz.
“Nem toda loucura é ruína. Algumas são defesa. Outras, travessia. Há quem precise se despedaçar para sobreviver à rigidez do que é dito normal. E há quem se esconda atrás da sanidade como quem se fecha numa prisão segura, mas estéril.”
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
10.
Entre a loucura e o vazio, escolhi a lucidez.
Ela não consola, mas me mantém de pé.
"Não julgue a loucura do outro só porque ela não se parece com a sua. Cada um tem sua maneira de lidar com o mundo."
Será que vale a pena largar tudo por um amor? Seria realmente amor ou seria loucura? O amor e a razão de fato não andam juntos? Amar loucamente, assim ao pé da letra?
Há quem diga que de louco todo mundo tem um pouco
Alguns indivíduos só têm a loucura dentro de si
Quando tiram ela não sobra nada ali
Fica apenas um vazio
Como um rio, só que sem vida
Existe algo pior do que não sentir nada?
Só sobrou uma casa vazia ...
E a companhia que nunca né deixa só ...
Por fim a loucura vai vencer e eu nem se quer lembrarei quem fui ...
Vivo uma loucura
Que poucos loucos procura
Por uma vida dupla
Sem ter personalidade única
Essa é a vida de alguém que estuda
Coisas absurdas
Como uma vida dupla
E desejando ter uma vida única
Mas não encontra saída alguma.
