Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura
Receita de escritora
Pego um pouco de loucura
Muito de imaginação
Acrescento o amor
E bastante observação
Misturo num bolo só
Sem nenhum pouco de dó
Junto com dedicação.
Jamais me falta assunto
Seja em qualquer lugar
Usando caneta ou lápis
E também o celular
O negócio é escrever
Também tenho muito a ler
Sobre o que vem me rodear.
Sempre me achando estranha
Diferente das normais
Porque as palavras vêm
Deixam-me quieta jamais
É grande a necessidade
De expor a minha verdade
Mente não sossega, jamais.
Tudo gosto de anotar
Digo que sou da escrita
Prefiro do que a fala
Leia e veja se acredita
Assim me sinto uma escritora
Com uma mente criadora
Deixando a vida mais bonita.
Eu não vou me perder na tua loucura,
nem me curvar diante do teu vazio vulgar.
Minha essência não se vende, não se dobra,
sou raiz que cresce em solo limpo,
sou chama que arde sem se apagar.
Habito um mundo que não conhece contaminação,
onde o silêncio é sagrado
e a verdade é meu único escudo.
Não me alcançam tuas sombras,
não me ferem tuas máscaras.
Eu caminho erguido,
com passos firmes sobre a terra da minha própria criação.
Sou dono da minha paz,
guardião da minha liberdade.
E nada — absolutamente nada
vai me arrastar para fora do meu horizonte.
Hum homem fraco, implora para sentar na mesa das aparências.
Hum homem forte não mendinga atenção.
Afinal o homem tem suas próprias decisões.
A loucura da vida que mostra verdades e mentiras torna o costume da hipocrisia social irrelevante aos olhos da razão;
Quanto maior for à loucura de amar mais fácil é o caminho da frustração
Ou quanto menor for o respeito Mais difícil à compreensão;
A minha imaginação é minha maior criatividade
E minha vida é uma loucura, faz parte da minha realidade;
O Grito da Existência
Minha loucura não condiz com minha sensatez.
Caminho na contramão do mundo,
sozinho, desafiando a ordem das coisas.
Sou louco? Talvez.
Pois poucos ainda derramam sentimentos em papéis,
acreditando que palavras frágeis
tenham o poder de abalar a imensidão da realidade.
Minha sensatez, porém, não aceita a lucidez —
essa tirana impiedosa que me sussurra,
sem compaixão:
o mundo é podre, e sempre será.
E, ainda assim, é a loucura que me sustenta.
É ela quem me obriga a crer
que, mesmo nos detalhes mais insignificantes,
residem fragmentos de bondade, amor, caridade.
Mas a tensão me consome:
quando a sensatez domina,
ela caminha de mãos dadas com a lucidez,
vasculhando as entranhas da sociedade
e só encontrando escuridão.
E, ainda assim, a loucura resiste.
Teima. Insiste.
Se recusa a ceder à desesperança.
Mesmo sob a máscara da decadência,
acredita que ainda há,
por algum fio tênue do universo,
um sopro de bondade.
Errar é humano, um desvio no mapa da existência. A falha, em si, não define a jornada. A loucura genuína, porém, nasce quando erguemos um altar ao equívoco, quando insistimos em caminhar contra o próprio rio.
É a teimosia de quem, vendo a porta fechada, insiste em arrombar a parede. A sabedoria não está na infalibilidade, mas na coragem de desfazer o nó e tecer um novo fio no tecido da vida.
Dialogar, argumentar e discordar consigo mesmo é a melhor parte, da loucura remédio para conviver com lucidez, isolado na solidão.
