Erasmo de Rotterdam Elogio da Loucura

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Nirvana dos escombros

Este nirvana é um abismo calmo,
um silêncio que abafou o grito.
É a raiz que sonda o vazio
na terra árida e tolhida.

Sob a lâmina das cobranças,
cresci em solo de desamparo,
e o colo que a noite pedia
virou pó dentro do peito amargo.

Na adulta que não conquista,
só resta o sabor letárgico
de tentar ser o que esperam
e ainda carregar o fardo.

É o nirvana da decepção,
da alma inquieta e torta,
um céu de nuvens pesadas,
um porto que não aporta.

É raiva que não se grita,
desamparo enraizado.
É buscar um pouco de abrigo
e achar o mundo trancado.

E se paz existe em algum lugar,
não é aqui, não é nesta dor.
É só o vestígio da ressaca
de um amor que não veio, doutor.

"O sentido do perdão, da aceitação, do desapego e da retidão envolvem calmaria em meio ao caos, paciência diante do incontrolável e humildade para reconhecermos nossos limites humanos"

⁠As pessoas más te chamam de louco, de gordo ou de gay não porque você é assim. Elas têm inveja é do seu sorriso em seu rosto no momento.

O ato de apaixonar por alguém é tal como o ato de gostar do ovo apenas da casca.

PERTENCER (05/1979)

Santo, peregrino faceiro
Peco e tu perdoais-me
Forma que tu, qualidade divina
Mostras o que és.

Brilhar na vida
Ser faceiro peregrino
É ser Santo?
Ou pertencer a satã?

Com crueldade e pertinência
Usando da nossa inocência
Faz com que sejamos pecaminosos
Talvez para fazer mostrar sua qualidade de Santo.

E nos coloca em uma roda viva
Envolvendo o mundo com justiça
Para ser Rei hoje e amanhã
E em cada manhã seguinte é Santo pelas idiotices.

Como há séculos
Peregrino e Santo faceiro,
Pertenço a Ti
Assim como a humanidade diz pertencer.

De um farsante
Peregrino
Que se diz Cristo
Em cada amanhecer.

TESTAMENTO DO AMOR DE UMA MULHER (02/2001)

Mulher não pode amar
na essência da palavra
Somente pode ser amada
na fadiga doutrinária.

Por isso compreendo agora
o meu grande erro na vida
Erro ou experiência?
Erro, experiência é
a degradante escusa do desacerto.

Amei, então errei
na essência da palavra
No desacerto perdi
o amor da pessoa amada.

Quando a mulher ama
verdadeiramente
Torna-se cúmplice de
um amor decadente.

No âmago do ser amado
depois do alcance da conquista pleiteada
exaure da sua alma todo o amor , e logo depois
vulgariza sua amada.

Quer ele ser o caçador perpétuo
da pureza nunca conquistada
Que desatinado e exasperado é este ser
que jamais poderá ser amado?

Amei, então errei e sofro
na essência da palavra, mas
Sou feliz por ter amado
Mesmo sendo vulgarizada
por deixar-me ser conquistada.

Odisseia

Levantou
Alçou voo
Viu com encanto
Todos os recantos
As maravilhas dos campos
As luzes das metrópoles
Os índios, as florestas,
As acrópoles
Os oceanos.
Aterrissou.
Viu a guarda inimiga
O sangue e a falta de comida
A doença, a má sorte.

"Como uma âncora que segura um pesado navio, impedindo-o de sair do lugar, assim é aquele que não se posiciona."
— Anderson Silva

A vida fica mais bonita quando a gente para de se cobrar tanto
e começa a se acolher mais.

“Quando uma pessoa é desonesta, não importa se ganha o melhor salário do mundo ou ocupa o melhor emprego que exista: ela sempre irá roubar.”
— Anderson Silva

Ela Corria


De longe meu pai dizia: corre, corre Catarina. Ele tinha uma égua bonita e forte. Não daria tempo dele chegar até ela para me salvar. Então eu corri, eu corria, corria, corria que parecia que voava. Aquela égua vai me matar. Se ela me pega, iria me pisar todinha. Tinha uma porteira que estava fechada e uma poça de lama na frente. Não daria tempo pra abrir, mas tinha um espaço por baixo que dava para passar. Pensei: Vou entrar por baixo, assim ela não me pega. E ela vinha brava, ia me matar.


Meu pai não tinha como correr até ela. De longe, quando ele me viu chegar com um uniforme novo da escola, ele me mandou correr. Papai tinha mandado fazer para a escolinha que eu estudava. Talvez a égua estranhou aquela roupa diferente. Ele olhou para mim e disse corre. Eu corria, corria “mas” eu corria, corria que parecia que voava. Então eu entrei por baixo, por um espaço onde eu fiquei ali quietinha.


Aquela égua era muito forte, bonita, as patas enormes. Se ela me pega, ela iria me pisar todinha. Então eu entrei por baixo e fiquei ali quietinha, até meu pai chegar. Eu ouvi essa história dezenas de vezes. Em certas ocasiões ela fazia recontar de propósito. Eu gostava de ouvir as histórias dela. É apenas uma parte, tenho certeza que outros lembram melhor que eu e, para começar, correr foi umas das ações que seus filhos e filhas, noras e netos mais fizeram nos últimos anos.


Corriam de uma cidade para outra, de um plantão para o outro. Corriam por telefonemas, corriam por mensagens, da cozinha para o quarto, da sala para vê-la na rede. Outros nunca dormiam, esperando de prontidão. Corriam quando a saturação baixava, quando a pressão aumentava, corremos muito, cada um na sua velocidade, no seu tempo, mas corriam e tudo ajudou bastante.


Alguns corriam com os pés sangrando, outros o coração mesmo, mas nunca deixaram de correr. Foram 95, quase 96 anos correndo pelos seus filhos, pela vocação ministerial do seu esposo, correndo para o jantar sair na hora certa, correndo para cuidar da casa e da família.


Tudo certo, tudo feito, “que horas são agora” era a pergunta constante por causa da visão que piorava. Correu, correu e resolveu tudo na nossa vida. Podíamos descansar porque ela corria por nós. Assim eu defini minha Avó, uma corredora. Correu pela fé que tinha, pelos seus filhos, netos e tataranetos. Deixou seu legado. Obediência. Deixou saudades.


Prosseguiu para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Ela nunca deixou de ouvir seu pai em vida, por isso, seus dias foram prolongados na terra. E agora, depois de anos, o Pai das luzes lhe chama para mais uma corrida.


A corrida para aqueles que venceram e tiveram suas vestiduras lavadas no sangue do cordeiro. Enfim, eu ainda ouço aqui dentro, aquela voz que assim repetia: mas eu corria, corria, corria que parecia que voava. E enfim, você voou. Saudade não espera e não passa!

Do que valem as letras, se as poesias nos deixam?

Menino criado com vó


Que a despedida seja nosso derradeiro anseio. Que dedicatórias e saudades não sejam nunca ensaiadas. Que os olhares não mirem lembranças ou lugares lembrando de alguém, e que a minha robusta linguagem seja tímida se um dia precisar falar de adeus com você.


Não tenho poemas tristes sobre você. A minha vida e a vida dos outros são todas vidas de dentro de você. Tu sabes que eu sei dizer e arrumar em palavras as mais consoladoras e convincentes. Só as nego e negarei dizer a todos qualquer coisa que explique um dia a tua ausência, porque “até logo” ou “até um dia” eu até diria, porém adeus jamais lhe daria.


E num verso em que foge a rima e o português rebuscado, digo-te até um pouco bravo, não com a braveza de um desorientado, mas falo da bravura de um filho de nordestino, cabra arretado, te proibindo que desta vida se retires antes que eu veja em vida os filhos dos meus filhos, para terem também a sorte, assim como eu tive, de ser menino criado com vó.


Quiçá todo mundo pudesse ter sido, como eu fui na infância, querido; hora outra chamado de neto preferido; comigo sempre repartindo os doces recebidos. Sorte na tua casa ter vivido, e da tua vida me foi feito abrigo, como até hoje e ainda em breve será.


Pois com pressa só tratamos a saúde. O que não for saudade pode esperar!

Nós não o perdemos


Nós não o perdemos, ninguém o perdeu.


Nós ganhamos o privilégio de viver 31 anos com uma pessoa maravilhosa. Ganhamos da vida a oportunidade de conhecer uma pessoa especial, e dizer que fomos felizes é pouco para descrever.


Se eu pudesse voltar no tempo para tê-lo de volta, voltaria.
Se fosse preciso renunciar a todos os títulos acadêmicos para tê-lo de volta, sem dúvida eu faria. Qualquer um de nós faria.


E, se tivesse essa alternativa, eu escolheria viver mais 31 anos de novo com ele, sem mudar nada do que foi. Tudo do mesmo jeito: os mesmos momentos bons e ruins, todos os momentos e a vida exatamente como foi. Perfeito como foi, porque não teria sido perfeito de nenhuma outra forma, se não fosse ele exatamente do jeito que é.


Hoje, esse ciclo não se encerra. Continuaremos vivendo, não apenas com tristeza, mas com o orgulho de quem o teve.


Cada lembrança, cada sorriso, cada risada, cada instante. Seu jeito, seus trejeitos, sua luta e suas vitórias não esqueceremos.


Procuro sempre olhar o lado bom das coisas e, após essa constatação do quão dolorida é a sua ausência, fica claro que viver com ele foi viver um paraíso na terra.


E o melhor de tudo é que um dia o encontraremos de novo. Ele estará feliz e ansioso para nos ver. Mas, enquanto esse dia não chega, tenho certeza de que o seu desejo é que vivêssemos bem, com a alegria que ele nos mostrou.


Espero que essas palavras encontrem paridade com o sorriso dele, mas sei que as palavras nunca serão suficientes para substituí-lo. Por isso, a melhor forma de viver neste momento é entender que a sua vida foi uma dádiva e que as nossas, por causa dele, foram privilegiadas.


Sobre este texto: não é o melhor que já escrevi, até porque nunca pensei em escrever sobre a sua despedida. Nunca pensei, porque só o amor nos faz acreditar que certas pessoas são imortais.

Só o amor nos faz acreditar que certas pessoas são imortais.

“Os shoppings têm o poder de fazer as pessoas ficarem mais bonitas.”
— Anderson Silva

Na hora de minha dor me sinto presente em trazer alegria. Arrancar sorrisos de pessoas tristes é o que me faz contente.

As frases tem sentimentos assim como as palavras tem poderes.

⁠estar sozinho não quer dizer, que você não tenha a capacidade de encontrar alguém, existem vários fatores. Talvez você só esteja dando um tempo, ou, assim, sozinho te faz feliz. Talvez você esteja procurando uma pessoa melhor, que tenha tudo comum com você.

⁠Saudade passa mas um grande amor levamos pra o resto de nossas vidas.