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Epígrafe Monografia

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⁠Talvez acreditar que mais ninguém esteja Ferido — seja só outra forma medonha de Ferir.


Porque a dor, quando não ouvida, vira eco.


E quando presumimos que o mundo está inteiro, deixamos de perceber os cacos que alguém tenta segurar com as próprias mãos.


A verdade é que ninguém sai ileso da travessia — enquanto uns sangram por dentro, outros tentam esconder os cortes com sorrisos.


Estamos quase todos lutando com dores, dificuldades e problemas…


Ainda que diferentes.


Mas ignorar o sofrimento alheio é como esbarrar em uma ferida aberta fingindo ser só o vento.


Empatia não é diagnóstico — é presença.


É a coragem de admitir que talvez o outro também esteja lutando uma guerra que não machuca e apavora somente você.


E que às vezes, só de reconhecer a batalha, já deixamos de ser um potencial inimigo sem perceber.


Se não soubermos enxergar a dor do outro, a nossa também ficará sem testemunha.


E nada fere ainda mais do que sofrer sozinho num mundo que insiste em parecer inteiro.


A vulnerabilidade compartilhada e o reconhecimento mútuo do sofrimento são, talvez, os caminhos mais curtos para nos sentirmos menos frágeis em um mundo tão quebrado.


Em meio a tantas dores, dificuldades e problemas, quem presume não tê-los — ou imagina que o resto do mundo segue ileso — acaba sendo, sem perceber, a parte mais perigosa deles.

⁠Acreditar em quase tudo é tão fácil quanto não praticar quase nada.

Só os tolos acreditam sentir a presença de Deus nas orações contaminadas pelo Discurso de Ódio.

⁠Não me preocupo com os que acreditam em Papai Noel, mas com os que alugam as cabeças e ainda acreditam que pensam com elas.


No fundo, a inocência dos que acreditam em Papai Noel ainda lhes conserva alguma forma de beleza.


O que realmente inquieta é perceber quantos, já adultos, seguem alugando as próprias cabeças — entregando seus pensamentos a quem grita mais alto, a quem promete atalhos, a quem dispensa qualquer reflexão.


Assusta menos a fantasia do bom velhinho do que a fantasia medonha de autonomia que muitos carregam.


E carregam-na com tanta convicção que quase sempre ela é bordada nos berros.


Pensam que pensam, mas apenas repetem ecos, devolvem opiniões prontas, vestem certezas emprestadas.


E, assim, vão cedendo o território mais sagrado que existe: o da consciência.


Talvez o verdadeiro e mais urgente milagre não seja acreditar em Papai Noel, mas resgatar o direito — e o trabalho diário — de pensar com a própria cabeça.


De duvidar, questionar, investigar…


De não permitir que ideias venham com contrato de aluguel, mas que sejam construídas com autenticidade, esforço e liberdade.


Porque, no fim, a maior ilusão não é a de um presente — embalado na inocência — na noite de Natal, mas a de viver sem perceber que a mente foi entregue ao comodismo, à manipulação ou ao medo.


E nada é mais urgente e necessário do que retomá-la.

Brincar de ser cristão também é um direito — acreditar que o encardido faça o mesmo é só outra tolice.

Os apaixonados que acreditam que o Braço Armado do Estado existe para se curvar aos Caprichos dos Insensatos teriam muito mais hombridade se trocassem os Eventos Militares por Bonecas Inanimadas.⁠

⁠Os que só veem a Felicidade nas Grandes Conquistas, ainda não tomaram Vento na Cara com ela no Carona.

⁠Talvez não haja falta de sentimento mais tacanha e equivocada que a pessoa acreditar que só ela tem sentimentos.

⁠Só os tolos acreditam sentir a presença de Deus nas orações contaminadas pelo Discurso de Ódio.


Há orações que sobem como súplica, e há discursos que apenas ecoam ressentimento.


Quando a palavra se veste de fé, mas carrega ódio no tom, ela deixa de ser ponte e vira muro.


Deus não habita a violência disfarçada de devoção, nem se manifesta onde a dignidade do outro é negada em nome de uma verdade supostamente sagrada.


Porque a verdadeira oração não nasce da garganta — nasce do coração.


E um coração mal-acostumado a odiar, perde, pouco a pouco, a capacidade de reconhecer o Sagrado.


Os tolos acreditam sentir a presença de Deus em orações contaminadas pelo discurso de ódio, porque confundem barulho com transcendência e fervor com virtude.


A fé que agride não ora: acusa.


Não intercede: sentencia.


E não busca comunhão: exige submissão.


Não adianta fechar os olhos para rezar, mas permanecer de olhos bem abertos para ferir.


Nem juntar as mãos para orar, mas usá-las para apontar, excluir e atacar.


E, ainda assim, acreditam que Deus habita nessas palavras envenenadas, como se o Altíssimo fosse cúmplice das baixarias humanas.


Usam a mesma boca para abençoar e amaldiçoar, e mesmo assim esperam ser ouvidos.


Mas não é Deus quem os escuta — é apenas o eco da própria intolerância, devolvendo-lhes a agridoce ilusão de santidade.


A oração que não transforma o coração de quem a faz, dificilmente tocará o céu.


Pois onde Deus se faz presente, há silêncio que educa, compaixão que desarma e uma inquietação ética que impede o ódio de se ajoelhar como se fosse fé.


Porque onde o ódio se instala, a presença divina se ausenta.


E onde a oração é usada como arma, o céu não responde — se cala.


Ai dos que se atrevem a usar o Soberano nome de Deus para se esconder, aparecer e se promover.


Pedirão e não receberão, buscarão e não encontrarão, pois dos céus nenhum sinal lhes será dado.

⁠Qualquer político-influencer pode até acreditar que seus “asseclas mais apaixonados” sejam tão idiotas quanto ele.


A arrogância — especialmente a que se traja de bravura — costuma precisar desse autoengano para sobreviver.




O que não lhe cabe, jamais, é estender tão medonho juízo de valor a todo um povo.


O povo não é rebanho permanente, nem plateia cativa de narrativas requentadas.


Ele erra, sim, — mas também aprende, desperta, compara e aprende a cobrar.


Subestimá-lo é confissão de covardia: medo da lucidez alheia, temor do dia em que o encantamento se rompe e a máscara cai.


No fim, quem trata o povo como idiota útil, revela menos sobre o povo e muito mais sobre a própria pequenez.


E, como são pequenos os políticos-influencers, e qualquer da vida pública, que fingem zelar pelo povo, produzindo conteúdos fragmentados.

⁠O maior problema dos que alugam o próprio juízo é seguir acreditando que ainda pensam com as próprias cabeças.


Há um silêncio curioso na mente de quem terceiriza o próprio juízo: o da ilusão de autonomia.


Acreditam pensar por conta própria, quando apenas repetem ideias decoradas, opiniões emprestadas, certezas embaladas para consumo rápido.


Alugar o juízo não exige contrato nem assinatura — basta abrir mão da dúvida, do desconforto de refletir e da coragem de discordar sem desrespeitar.


Em troca, recebe-se o conforto de pertencer, a sensação enganosa de clareza e um discurso pronto para qualquer ocasião.


O maior problema, porém, não é a dependência intelectual em si, mas a convicção de independência.


Pois, quem reconhece que não pensa, ainda pode reaprender.


Mas quem se julga livre enquanto ecoa vozes alheias, já não percebe as correntes que carrega.


Pensar de verdade cansa, isola e, às vezes, até dói.


Talvez por isso tantos prefiram alugar a própria cabeça — desde que possam continuar acreditando que ela ainda lhes pertence.

⁠Às vezes, a Justiça resolve dar o ar da graça no Brasil só para o povo insistir em acreditar que ela ainda existe.


E, quando isso acontece, vira quase um evento.


Um alívio coletivo, uma fagulha de esperança em meio a um cotidiano marcado por descrédito, morosidade e seletividade.


A sensação é de que algo finalmente funcionou — não como exceção deveria ser, mas como regra que raramente se cumpre.


O problema é que a Justiça não deveria surpreender.


Não deveria soar como milagre, nem como concessão ocasional de um sistema que parece escolher quando agir e, principalmente, contra quem agir.


Quando o básico vira motivo de espanto, é sinal de que o alicerce já não sustenta com a firmeza que deveria.


Essa aparição esporádica da Justiça cumpre um papel curioso: alimenta a esperança ao mesmo tempo em que mascara a falha estrutural.


Porque basta um caso emblemático, uma decisão firme, para reacender no imaginário coletivo a crença de que “agora vai”.


Mas o “agora” quase nunca se sustenta no depois.


E assim o povo segue — oscilando entre o fio da navalha da descrença e da necessidade de acreditar.


Porque desacreditar completamente é admitir um vazio perigoso demais.


A fé na Justiça, ainda que ferida, funciona como último fio que impede a normalização total do absurdo.


No fundo, não é que a Justiça não exista…


É que, muitas vezes, ela parece muito distante, intermitente — quase como uma visita muito mal-educada, daquelas que chega sem aviso, resolve algo muito pontual e vai embora antes de explicar por que demorou tanto.


E enquanto ela aparece apenas “às vezes”, o que se consolida no restante do tempo não é a ordem, mas a dúvida.


E um país que duvida constantemente da sua própria Justiça — aprende, aos poucos, a conviver com aquilo que jamais deveria aceitar.

⁠Quem recorre à Mentira para defender o que Acredita, acredita em tudo, menos, na Verdade.

⁠A comprovação da manipulação bem sucedida se dá quando você acredita que está certo só porque "pensa" como a maioria.

⁠Os maus só acreditam que são a maioria, porque os bons não aprenderam fazer barulho.

⁠Os que alugam a própria cabeça e continuam acreditando que pensam, são locatários intransigentes.


Habituaram-se tanto ao conforto das ideias prontas que já não percebem quando a chave da própria consciência mudou de mãos.


Pagam, todos os dias, o aluguel da convicção fácil: repetem palavras que não nasceram em si, defendem certezas que nunca examinaram e travam batalhas que não compreenderam.


Há uma estranha obstinação nisso.


Não é apenas ignorância — é apego.


Porque admitir que a própria cabeça foi sublocada a slogans, narrativas ou paixões coletivas exige um gesto raro: desalojar-se das próprias certezas.


E poucos suportam o incômodo de reformar o interior da própria mente.


Pensar de verdade é uma atividade tão árdua quanto cara.


Cobra silêncio, dúvida, solidão e, sobretudo, coragem para contrariar a mobília confortável das ideias fabricadas.


É mais fácil manter o contrato vigente com quem pensa por nós do que enfrentar o trabalho de habitar a própria consciência.


Por isso, os locatários costumam ser intransigentes: defendem o imóvel como se fosse propriedade.


Aderem gratuitamente à Guerra Palavrosa: gritam, atacam, desqualificam — tudo para não correr o risco de descobrir que nunca foram donos daquilo que juravam pensar.


No fim, a tragédia não está apenas em alugar a cabeça vazia.


Está em viver nela como se fosse casa própria, sem jamais suspeitar que o contrato sempre esteve noutras mãos.

Não projete sua vida nas conquistas de seus pais, irmãos ou avós; herdar histórias não é o mesmo que viver a própria.

[Sobre Fábula e Fé]


Acredite em mim, quando digo,
Que não acredito em quase nada
E não acredito em quase ninguém.


Eu não tenho religião,
Nada credito aos deuses,
Nenhum mérito ao onipotente.


Não creio em evangelhos,
Parábolas, conselhos, sermões,
Depoimentos, escrituras,
Sacramentos, santidades ou visões.


Mas reconheço milagres,
Quando os vejo.
E minha única crença
É a poesia.


Ela é a única explicação que especulo,
A única expectativa que tenho,
Única conclusão que espero.


Entre as lacunas incalculáveis,
Sei que ela, é a única coisa que resta,
Única substância, que sou.


19/05/23
Michel F.M.

É curioso observar a alegria
de quem conquistou
aquilo que antes condenava
apenas porque não tinha.

Só reconheço alma em quem conquistou o mundo inteiro