Enxerga mais longe a Gaivota que Voa mais Alto
"As ideias mais frágeis raramente sobrevivem pela força da razão, mas frequentemente encontram apoio em idiotas úteis."
O TEMPO E NÓS.
O tempo é o tempero da existência. Envolve-nos tanto nos atos mais simples quanto naqueles de extrema relevância. É o grande transformador das almas, fazendo do aflito um ser esperançoso no porvir, demonstrando que tudo está intimamente ligado às mudanças expressivas e inevitáveis no grande altar da humanidade.
Mesmo sob o véu que, por ora, desce sobre os nossos sentimentos, sejam eles aliados ao bem ou comprometidos com a ausência dele, o tempo abre-nos as perspectivas das inúmeras existências já vividas, as quais se sucedem como uma imensa catadupa lançada na eternidade, revelando-nos que somos Espíritos imortais.
Aquele que se beneficia do bom aproveitamento do tempo permite-se transformar, perdoando e também perdoando a si mesmo, pois urge a necessidade de um novo recomeço, que se renova a cada instante em que se busca alcançar a mansuetude do amor.
Contudo, não raras vezes, para não nos comprometermos conosco mesmos, esperamos que o Evangelho faça a sua parte sem a nossa participação. Suas palavras permanecem escritas, mas ainda não vividas. Entretanto, o perfume dessa Boa Nova, que repousa implicitamente em nosso íntimo, cedo ou tarde transforma-se em espinho na carne, nas circunstâncias que o próprio tempo, soberano educador, coloca diante de nós.
O valoroso instante em que passamos a enxergar, naquele a quem antes chamávamos de algoz, um irmão de jornada, possui a extraordinária capacidade de transformar a inimizade em fraternidade, permitindo que aquele que outrora nos feria seja, agora, a mão amiga que nos acompanha na caminhada existencial.
O tempo, no universo, não aceita desertores, porque ninguém está desprovido dele em sua expansão infinita. Carregamo-lo em nós mesmos, comprometidos para sempre com as consequências de nossas ações e reações. Cada um é protagonista da própria vida, mas é necessário permitir que outros também participem dela, para completar a grande película da história, que jamais se cansa de registrar os passos da humanidade.
Por isso, meus amigos e meus irmãos, saibamos compreender o tempo. É impossível afastar-se daquilo que pertence intimamente a cada um de nós e que, ao mesmo tempo, nos une a todos.
Somos irmãos.
Deus é o Autor da vida.
O tempo é o instrumento que Ele nos empresta durante a existência corporal, para que nos tornemos agentes conscientes do aprendizado e do aperfeiçoamento moral, unidos pela certeza de que somos aqueles que abraçam o tempo para, sem o término da alma, alçarem voo, plenificados em um só amor, de volta à Casa Celeste.
"Muita Paz!"
"Catarina Labouré"
A PERMANÊNCIA DO CONVITE MORAL. DE ONTEM AOS DIAS ATUAIS.
A frase "vai e não peques mais" atravessou séculos sem perder a sua força interior. Ontem, quando foi pronunciada diante de uma mulher humilhada pela condenação pública, ela representava uma ruptura moral com a cultura da punição imediata e do julgamento implacável. Hoje, permanece como uma das mais profundas orientações éticas já dirigidas à consciência humana.
No cenário antigo, a multidão estava pronta para apedrejar. A lei, interpretada de maneira rígida, exigia punição. A sociedade daquela época estava acostumada a julgar rapidamente e a condenar sem introspecção. A intervenção de Jesus interrompeu esse automatismo moral. Ele deslocou o centro do julgamento para o interior de cada indivíduo. Antes de acusar o outro, cada um deveria olhar para si mesmo.
Esse deslocamento moral inaugurou uma nova forma de compreender o erro humano. O erro deixou de ser apenas motivo de castigo externo e passou a ser compreendido como oportunidade de despertar da consciência.
Ontem, aquela mulher recebeu a liberdade de continuar vivendo. Mas essa liberdade não era uma absolvição inconsequente. Era uma responsabilidade nova diante da própria existência. Ao dizer "vai", Jesus devolve à criatura o direito de caminhar. Ao acrescentar "não peques mais" ele recorda que toda liberdade exige vigilância moral.
Se observamos a sociedade atual, percebemos que a mesma dinâmica continua presente. A humanidade progrediu em ciência, tecnologia e organização social. Contudo, no campo moral, muitos comportamentos ainda repetem o espírito da antiga multidão. Julga-se com rapidez. Condena-se com severidade. Pouco se examina a própria consciência.
Nas redes sociais, nos debates públicos e até nas relações pessoais, frequentemente repete-se o impulso de acusar, expor e punir. A diferença é que as pedras de ontem transformaram-se em palavras, ataques morais e condenações coletivas. O mecanismo psicológico, porém, permanece semelhante.
Nesse contexto, a frase evangélica continua extraordinariamente atual. Ela recorda que o erro humano deve ser tratado com lucidez e responsabilidade ,não com crueldade moral.
Do ponto de vista psicológic...
"Ser é mais difícil do que parecer, pois a aparência exige aplauso, enquanto a essência exige verdade."
"A reencarnação é, portanto, a expressão mais elevada da misericórdia divina. Ela concede ao Espírito inúmeras oportunidades de recomeço, permitindo-lhe reconstruir-se com lucidez, esforço e perseverança."
AMIZADE E CARÁTER.
“Entre todas as virtudes sociais, a amizade é aquela que mais revela o caráter de um homem.”
AMIZADE.
“Quando duas almas tornam-se amigas, o tempo passa a caminhar mais devagar, como se quisesse ouvir suas conversas.”
“O homem teme aquilo que não compreende, e muitas vezes teme ainda mais aquilo que compreende profundamente.”
"o que mais me preocupa
é a arte que lhe nega o
culto
por ciúmes lhe perpetuam
sem saber quão majestosa
lhe é o vulto."
Marcelo Caetano Monteiro.
A BELEZA CONGELADA NO TEMPO.
A figura de Marilyn Monroe permanece como um dos paradoxos mais intensos da estética moderna. A sua imagem não apenas atravessou décadas, mas parece ter sido suspensa num instante definitivo da história cultural. Há rostos que envelhecem com o passar dos anos e há rostos que o imaginário coletivo transforma em símbolos permanentes. No caso dela, ocorreu algo singular. A juventude foi preservada pela memória do mundo como se o tempo tivesse sido detido.
Nascida em 01.06.1926, na cidade de Los Angeles, Norma Jeane Mortenson transformou se gradualmente numa construção estética que ultrapassou a própria pessoa. O cinema de meados do século XX produziu diversas estrelas. Contudo, poucas alcançaram a dimensão mitológica que se formou em torno de Marilyn Monroe. Sua imagem passou a representar simultaneamente inocência, sedução e uma espécie de fragilidade humana que tocava profundamente o público.
A morte em 05.08.1962, também em Los Angeles, interrompeu sua trajetória no auge da notoriedade. Esse fato histórico contribuiu decisivamente para aquilo que alguns pensadores da cultura descrevem como “congelamento simbólico da beleza”. Quando uma figura pública desaparece jovem, a memória coletiva não testemunha as transformações naturais da idade. Assim, o rosto permanece eternamente associado ao vigor da juventude.
O cinema preservou essa imagem. Filmes como Gentlemen Prefer Blondes e The Seven Year Itch consolidaram uma iconografia que se repetiu incontáveis vezes na história da fotografia, da publicidade e da arte visual. A famosa cena do vestido branco erguido pelo vento tornou se um dos quadros mais reconhecíveis do século XX. Ali se cristalizou um arquétipo de feminilidade que atravessou gerações.
Contudo, por trás do símbolo havia uma realidade psicológica complexa. Muitos estudos biográficos indicam que a atriz enfrentava profundas inquietações emocionais, solidão e instabilidade afetiva. Esse contraste entre a imagem radiante e a interioridade vulnerável produziu uma aura quase trágica em torno de sua figura. A beleza, nesse sentido, deixou de ser apenas estética. Tornou se também um espelho da condição humana.
Por isso a expressão “beleza eterna congelada” não se refere apenas ao rosto ou à fotografia. Refere se ao instante histórico em que uma pessoa real foi transformada em mito cultural. A imagem não envelhece porque pertence agora à memória simbólica da humanidade.
Assim, enquanto o tempo continua a avançar sobre o mundo e sobre todos os rostos humanos, a figura de Marilyn Monroe permanece suspensa numa aurora perpétua da juventude, lembrando silenciosamente que certos instantes da beleza são tão intensos que o próprio tempo parece hesitar diante deles.
O caminho no mundo é feito de tropeços e quiçá quedas, mas indubitavelmente é muito mais encontrado no levantar ou mesmo arrastar, mas sempre à frente.
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