Encontro entre Amigos
Entre brumas, ao longe, surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu risonho,
Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a bênção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a lua a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu tristonho,
Toda branca de luar.
E o sino chora em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E o sino geme em lúgubres responsos:
“Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
Será que estamos condenados a viver numa eterna dicotomia entre o bem e o mal?
Será que a vida humana será sempre de guerra e paz?
Será que nunca encontraremos a síntese da tese e antítese?
Será que nunca chegaremos a virtude do equilíbrio?
Quando éramos crianças, havia a possibilidade de escolher entre a lebre talentosa, porém leviana, e a tartaruga vagarosa, porém persistente. A mensagem daquela lição era que a lentidão e a constância vencem a corrida. Mas, na verdade, será que algum de nós realmente desejou ser a tartaruga?
Coragem, altruísmo, sensatez, fortaleza de caráter entre outras qualidades, se perderam da mente e do coração da maioria dos homens, que escolheram coisas como; covardia, pequenez, insensatez; conveniências confortáveis...
TUDO, na vida intelectual, depende de uma distinção clara entre o que você SABE, o que lhe PARECE RAZOÁVEL, o que você ACHA e o que você apenas IMAGINA. Os quatro discursos de Aristóteles.
"...Na família, as mentes fazem contrato entre si. Se existe amor entre elas o lar vai ser lindo como um jardim. Mas e não houver harmonia entre elas é como uma tempestade que destrói o jardim...!"
Entre Pai e Filho
Inquieto, sempre quis um pouco mais do que a vida
pudesse oferecer. Por esta vez, dou-me satisfeito,
entrego-me aos pequenos eventos de cada dia.
Por aqui estou; eis-me, a certa altura do solo,
nos braços da nostalgia ainda distante,
pendurado em um sorriso que se insinua.
Ei-lo, devendo-me a mim mesmo,
permitido na primavera que se inicia,
guiado por luz irregular; devagar, divagando...
Em paz, eis-me, a certa altura do solo,
tendo por vaidade, a esperança concebida,
tocado pelo doce curso da existência.
- Cedo te busco, daqui a pouco, trago-te ao colo.
Bastarás. Bastaremos. Fosse este o último ato...
Que te abram portas, os menores sonhos, meu filho!
Rubens Delfino
Entre todos os medos que precede, eis que sempre aquele é o mais veemente de todos, representa ao modo e incerteza dos paradoxos ao abrir diante de toda sua possibilidade, não se torna aos olhos apenas uma incrível e pulsante sequencia, e sim uma INENARRÁVEL direção.
ENTRE SOMBRAS (soneto)
Ao pé de mim vem o entardecer sentar
No cerrado, a noite desce, sombreando
Vem ter comigo hora pensativa, infando
Em uma visão das saudades a lamentar
Pousa tua mão áspera em mim, causando
Nostalgias no coração dolorido a chorar
São suspiros vaporosos ecoados pelo ar
Tão tristes, ermos, do vazio multiplicando
Na noite há um silêncio profundo a orar
Exalando a secura da dor impactando
No peito, que põe os olhos a lacrimejar
Eu a escuto imóvel, apático, sem mando
No vago da solidão, e me ponho a urrar
Às estrelas, que no céu voam em bando
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, maio
Cerrado goiano
UTOPIAS
Fui obrigado pela vida
A escolher entre sonhos possíveis e utopias
Havia escolhido o primeiro
Por ser menos complexo, por estar mais perto
Mas meus pensamentos rodeiam meus anseios noite e dia
Por que tal egocentrismo da minha parte?
Sou assim, simplesmente
Entendi vida,
Mas algo no meu âmago insiste em discordar de ti
Porque o impossível me agrada, me move
Não posso me contentar com o que posso conseguir
Quero ir além
Quero mais
Minhas utopias são somente minhas,
são sonhos delicados e cheios de felicidade
Nos quais a imaginação me permite viver uma realidade adaptada
O real me faz feliz, sim
Mas preciso me contentar sempre?
Se os segundos passam, a vida também passa
E precisa ser completa
Na infância, lembranças de utopias mágicas
Na juventude, utopias concretas
E sempre recheadas de amor
Pois é vida,
Mudei de opinião
Agora, quero o impossível
E teimoso, o farei acontecer.
"Em uma corrida entre o perigo e a indecisão, a diferença entre a vida e a morte se resume a confiança . Fé em nossas habilidades, certeza em nós mesmos e a confiança em que colocamos em outros."
Chantagem emocional é artimanha simbiótica entre néscios. O chantagista disfarça sua incompetência, o chantageado revigora o ego...ambos se alimentam...
Uma relação saudável entre mãe/filho e/ou mãe/filha resulta numa relação saudável sogra/nora e/ou sogra/genro. A segunda relação é reflexo da primeira.
Sua mensagem foi enviada, ignorada, lida 8x, mandada para 4 amigas, motivo de piada entre elas, humilhada, jogada no lixo com sucesso.
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