Encontro entre Amigos
Caminhamos entre doações de afeto, suor e esperança, como quem deposita moedas num cofre alheio sem chave. Não cabe esperar reciprocidade, pois o coração humano é falho em devolver o que recebe. E quase sempre, como um reflexo cruel, a decepção retorna com o mesmo peso daquilo que oferecemos.
No escuro, entre pedras e sombras, a esperança, um pulso quente, foi meu único modo de não me perder no vazio.
O vento traz um nome esquecido, sussurra entre pedras e vales. A alma, ferida, se move, lembrando o que era abrigo. Não há culpa, só saudade, só o desejo de voltar. E na curva do silêncio, o amor começa a falar.
Entre espinhos, passos lentos, um cajado toca a solidão. Cada ferida acende o caminho, cada lágrima mostra o chão. Quem busca o que ama, sangra, mas o sangue é oração. E o perdido, ao ser achado, vira luz na escuridão.
A essência do caráter é revelada quando a pressão do dilema exige uma escolha entre o ego e o outro.
Eu te comparo ao lírio que nasce entre os espinhos do meu medo, a beleza mais pura só floresce onde o perigo tenta impedir o toque.
