Elogios Beleza Física

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Referências de beleza mesmo as inalcançáveis distraem a cabeça do peso da vida e nutrem a alma.

Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.


Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.


Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.


E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.


Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:

- Já para casa, menina!


...


Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":


​"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."

O ritmo da busca segue a dança
do Hemisfério Celestial Sul,
a beleza do movimento involuntário
ocupação vibrante, que sustenta,
dança por dentro e põe a exalar
as estrelas em plena liberdade,
o que que quer que aconteça,
para que a nossa dança não acabe;
​por ela estremecer e preceder -
o que faz o estertor acontecer.


O léxico de fogo ancestral
das tradições poéticas da porção
austral trago na pele de marfim
​entre o abissal e o insondável -
o desejo que não tem fim,
e da tua parte leio o sim;
mais claro embora discretado
diante da minha existência
que te faz desconcertado.


​O estado da arte em curiosidade
continua proporcionalmente
intenso e sem nenhuma perda,
porque pela tua existência, arde;
e convicto é atemporal poema
com o calor que consome a pele,
com ​andor da paixão intensa
em adustão que precede o toque
- ​sem limite cortante do desejo;
justamente onde o prazer
encontra o perigo mesmo sem ver.


Assumido efervescente estado
da alma com a previsão da antecipação
da mútua celebração rítmica do ápice,
para que a paixão não mais se cale,
e o amor com brio e vontade se celebre,
no tempo de colheita das frutas,
do Extremo Sul da América do Sul,
sob todas as auroras e românticas luas.

No Hemisfério Austral,
deixar que as fases
do tempo encantem,
Fazer a colheita
da beleza no Maitén,
Beijar e ser beijada
por tudo o que mantém
o coração batendo,
os olhos brilhantes
e a alma em elevação
para sereno e o sublime,
Para do amor não haver
nenhuma distração -
e nos reunir em gamação.

Há beleza na carne que cicatriza, florescer sangrento, obra-prima talhada por dor e tempo.

A fragilidade é útero da força, do coração quebrado nasce o poder, beleza brutal do vulnerável.

Já caminhei entre ruínas, e nelas encontrei beleza.

Há beleza nas coisas quebradas, é nelas que se acende luz nova.

Eu te comparo ao lírio que nasce entre os espinhos do meu medo, a beleza mais pura só floresce onde o perigo tenta impedir o toque.

A pressa é a inimiga da alma, roubando a beleza da espera e da construção.

A beleza do ser reside na sua imperfeição, no seu jeito torto de amar o mundo.

O espanto diante da beleza é a única prova de que a nossa alma ainda está desperta.

Nunca seremos o que os outros sonharam, e a libertação está em aceitar a beleza dessa dissidência.

Não se compare, a beleza está no fato de que o seu caminho é um roteiro inédito.

O espelho da vida só mostra a beleza de quem já aprendeu a se aceitar inteiro.

Há uma beleza triste em quem aprende a aceitar limites. Não é rendição, é sabedoria que se disfarça de resignação. Quem aceita limites encontra mais espaço interior. Porque o que cedia a excesso, agora descansa em medida. E essa medida devolve a paz roubada pela ilusão do tudo.

A beleza do amanhã mora nas tarefas invisíveis de hoje. Enquanto espero milagre, faço as coisas pequenas com exatidão. Lavo pratos, escrevo bilhetes, rego vasos sem testemunhas. Pequenos atos acumulam-se e, sem barulho, erguem futuro. E o amanhã, quando chega, parece menos miragem e mais casa.

O coração ferido só cura quando a mágoa é exilada, a beleza não está em esquecer, mas em ressignificar. O tempo não tem que nos encantar, ele precisa apenas nos oferecer a maturidade de ver o perdão como um ato egoísta de libertação própria.

A ilusão tem a beleza efêmera de um castelo de areia na maré alta e o desmoronamento ensina o valor do que é sólido.

Há flores que só florescem no concreto da dor e a beleza delas é a prova de que a vida sempre encontra um caminho.