Divina e Graciosa
Se milagres não acontecem na vida real, a existência divina não faz diferença. Um criador que não mexe um dedo para mudar a realidade é, na prática, o mesmo que um deus que não existe!
Argumento da subordinação lógica divina
1. Se deus é onisciente, então conhece todas as verdades.
2. Verdades lógicas são necessárias, universais e não contingentes.
3. Se deus cria as verdades lógicas, então elas poderiam ser diferentes do que são.
4. Se pudessem ser diferentes, não seriam necessárias.
5. Logo, deus não cria as verdades lógicas.
6. Se deus não cria as verdades lógicas, então Ele está submetido a elas.
7. Um ser submetido a algo mais fundamental não é ontologicamente último nem absolutamente infinito.
8. Portanto, a existência da lógica não implica a existência divina; ao contrário, a lógica é ontologicamente anterior a qualquer deus concebível.
Se somos apenas informação na mente divina, então destruir essa informação significa destruir o ser. Mesmo que essa informação fosse recriada em outro lugar, nunca seria o ser original. Portanto, a vida após a morte, sob essa perspectiva, é impossível.
Se todos somos simulações na mente divina, punir eternamente a si mesmo seria não só masoquismo, mas um imenso desperdício de energia, tempo e inteligência.
Se todos somos simulações da mente divina, o ateu é a consciência crítica que sussurra para deus: "Você errou feio nisso".
Refutação do panteísmo de Espinosa:
1. Se o universo é uma criação divina, então deus deve possuir uma consciência, pois criar é sempre um ato consciente.
2. No panteísmo de Espinosa deus é definido como não tendo uma consciência, sendo apenas uma substância.
3. Se deus não tem consciência, então o universo não pode ser considerado uma criação consciente.
4. Nós existimos, então ou fomos criados por um ser consciente, ou deus não existe, pois não é racional chamar a natureza morta de divindade.
5. Conclusão: O conceito de divindade está inevitavelmente ligado à consciência, isto é, "deus inconsciente" é uma contradição nos termos, como
acreditar na existência duma esfera quadrada. Ao negar a existência da consciência divina o panteísmo contradiz o conceito de criação. Se a divindade não tem consciência o universo não deveria existir, mas ele existe. Logo, o panteísmo de Espinosa está refutado como explicação para existência do universo.
Graça Divina: Ela é gratuita a todos aos quais ela é dada. Ela não depende de qualquer força ou mérito no homem, nem em nível algum, nem no todo, nem em parte. Ela não depende, em nenhum sentido, das boas obras ou justiça do receptor, nem de quaisquer coisas que ele (a) tenha feito ou quaisquer coisas que ele (a) seja. Ela não depende de esforços. Ela não depende de sua boca índole, desejos bons, propósitos bons e intenções boas, pois todos estes fluem da Graça Livre de Deus. John Wesley – “Free Grace”, IN, ED. Albert C. Outet. Nashville: ABINGDON, 1985. V.3, P.545.
A razão, sabendo que a revelação divina é de fato divina, já está convencida de que ela excede a toda certeza humana.
Da criação do cosmos à consumação escatológica, a revelação divina se desenvolve de forma orgânica e progressiva. Os grandes eixos da teologia bíblica evidenciam essa continuidade:
- Criação: O desígnio original e a soberania de Deus.
- Queda: A entrada do pecado e a corrupção da humanidade.
- Aliança: O pacto divino de fidelidade com o Seu povo.
- Redenção: A obra soteriológica culminando em Jesus Cristo.
- Consumação: A justiça, a misericórdia e a esperança final.
A poda divina dói, mas preserva a vida; o corte definitivo, porém, sela o destino da esterilidade na ausência do Criador.
Se a providência divina lhe concedeu um pastor que maneja bem a Palavra da Verdade e não negocia o Evangelho, gaste um tempo em suas orações intercedendo por ele. Homens assim são raridades em dias de profunda apostasia.
Acalme o coração na soberania dAquele que orquestra a existência; a engenharia divina descortina caminhos infinitamente superiores aos rascunhos da nossa presunção humana.
A graça divina é um mistério tão profundo e escandaloso que a maior surpresa da eternidade não será a ausência de quem julgávamos perdido, mas a minha própria inclusão entre os redimidos.
A vida inteira dependemos da providência divina. Contudo, quando Deus se esvaziou e se fez carne entre nós, nós O matamos. A morte de Jesus revela a nossa loucura, mas também revela a profundidade de um Deus que prefere morrer a nos obrigar a amá-Lo.
No Gênesis, a sentença divina condenou a serpente ao pó — o lugar da mais profunda humilhação. Espiritualmente, esse pó se traduz na densa poeira da nossa própria rebeldia, que ainda hoje pavimenta o caminho para o avanço das potestades. Afinal, longe da graça divina, a cultura e a mente humana tornam-se o próprio território dessas forças. Ao buscar uma autonomia ilusória longe do Criador, o ser humano gera um vácuo existencial que se torna o habitat perfeito para a proliferação do mal.
Cada amanhecer é um ato de escândalo da graça; a misericórdia divina resolveu reter a justa condenação que merecemos para nos dar mais um dia de recomeço.
A graça divina precede o mérito humano, operando a salvação não por virtude nossa, mas pela livre e condescendente misericórdia de Deus, que nos alcança em nossa total depravação.
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