Distraído
O destino não joga dados com quem está distraído. A sorte não é um raio que cai do céu por capricho, mas uma luz que só ilumina quem já está posicionado no palco com as ferramentas em mãos. Onde o tolo vê acaso, o sábio vê colheita.
E caminharei ainda diante da chuva e buscarei os dias em que, distraída, emudecida, me fiz ser do amor e o meu amor eu dei. E quando encontrar pedras, perguntarei a elas, ainda que mudas, e saberei seguir para ter em mim o que não mais tenho e dizer para ti o que tanto me fizeste entender, que não do sofrimento vive o amor e, sim, de uma nota musical leve, flutuante, viva, feliz, e tão suave que os ventos pedem licença para passar e os mares rendem-se a ela.
___ Lene Dantas
Que horas eu te pego?
Que horas eu te pego
pra roubar teu riso distraído na calçada, como quem não quer nada, mas quer tudo, principalmente esse teu jeito de ficar.
Que horas eu te pego
pra caber no intervalo do teu abraço,
onde o mundo desacelera sem pedir licença e o tempo aprende a esperar por nós.
Que horas eu te pego
pra dizer baixinho o que o silêncio já grita, que teu nome mora fácil no meu peito e faz casa em cada batida que eu dou.
Que horas eu te pego?
Porque desde que você chegou em mim, qualquer hora virou perfeita
— desde que seja contigo.
Distraídos com a paisagem, as escolhas não parecem importantes; mas, quando o abismo chega, o desvio pode já ter ficado para trás.
Lhe peço desculpas,
andava tão distraído a
ponto de não perceber que era amor..
Que era borboleta,
Que era flor.
Carnaval, pão e circo ...
povo bobo e distraído
(ovelha, cabra e hirco)
no final, é povo traído.
Carnaval, pão e circo na avenida,
máscara sorrindo pra dor escondida.
Tambor que bate, razão que cala,
promessa velha em discurso que embala...
Povo distraído na luz do clarão,
dança algemado sem ver a prisão...
Entre serpentinas e brilho barato,
vendem-lhe sonhos a prazo e contrato...
Ovelha que segue, cabra que berra,
hirco que insiste em lamber a terra...
Ruminam slogans, engolem refrão,
mastigam migalhas de falsa nação...
Enquanto o circo levanta poeira,
a mão do administrador limpa a carteira...
Riem na festa, choram depois,
contam-se perdas, dividem-se em dois...
No fim da folia, cai o véu colorido,
resta o silêncio do povo traído...
E a história repete, sem dó nem pudor:
trocam-se as máscaras…permanece a dor...
✍©️@MiriamDaCosta
"Alguns ditos humoristas são tão distraídos, tão incompetentes, tão injustos, tão mal humorados - ou tudo isso junto - pois só sabem fazer o tipo de 'humor' que esculhamba os outros, a mãe dos outros, os filhos dos outros e nunca eles proprios!"
Frase Minha 0511, Criada no Ano 2011
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
Há quem passe pela vida distraído,
procurando perfeição em vitrines vazias,
sem perceber o amor simples que espera,
de mãos abertas, pedindo apenas verdade.
Já doeu amar quem não soube ficar,
já doeu entregar o que era inteiro.
Mas ainda acredito num amor que compreenda minhas cicatrizes
e não tenha medo do que sou por inteiro.
Que não me queira em partes editadas,
nem me peça silêncio quando eu for tempestade.
Que saiba que trago falhas nos bolsos,
mas também trago um coração que nunca aprendeu a amar pela metade.
Eu não busco contos perfeitos —
busco alguém que fique quando o encanto passar.
Alguém que veja minhas rachaduras
e ainda assim escolha, todos os dias, ficar.
Os dois lados do amor
O amor começa simples,
quase distraído,
uma mensagem,
um toque sem intenção.
Depois vira costume,
vira abrigo querido,
vira medo de perder,
vira tensão.
Tem dias de riso fácil e café dividido,
e outros de silêncio pesado no ar.
O mesmo “fica” dito no ouvido
é o “vai” engasgado que ninguém quer falar.
Amar é errar tentando acertar,
é prometer hoje e falhar amanhã.
É machucar sem querer machucar,
e ainda assim pedir pra ficar.
O amor não é só filme,
nem poesia bonita,
é cansaço, escolha, repetição.
E mesmo quebrado,
às vezes insiste,
porque partir também
dói no coração.
A leitura não somente apenas te mantém distraído e entretido, ela faz muito mais que isso, transforma o ser ignorante em um ser mais sábio. Tem transformação mais mágica do que isso?
As Aguadas Aventuras do Homem Mexilhão
Tenho estado tão distraído,
Que ultimamente quando trombo comigo,
Me dou conta, que há muito perdido,
Eu não reencontrava meu eu por aqui.
Só me notei enfim,
Por estar junto a ti.
Contigo, desbravo o melhor em mim.
Ela avança em direção à proa,
Em tua orla, não há como detê-la,
A poesia infante só vem à tona,
Quando há quem possa concebê-la.
Capitã ao manche,
Liderando o convés,
Conduzi-me avante,
Afluente ao revés.
Timoneiro em tua esquadra,
Tripulante embaraçado,
De tuas embarcações.
Eis me aqui,
Teu marujo em terra firme,
Mergulhando em queda livre.
Às vezes a alma se cansa não porque falta promessa,
mas porque o coração vive distraído com o “ainda não”
e esquece de agradecer, proteger e desfrutar do “já recebi”.
miriamleal
O povo… ah, o povo.
Cansado, ferido, distraído
entre promessas, novelas e sobrevivência.
Um país onde a corrupção
já nem se esconde mais nas sombras;
ela sorri diante das câmeras
enquanto o trabalhador conta moedas no fim do mês.
Não entendo essa democracia
em que os rombos são anunciados em voz alta
e, ainda assim,
muitos seguem aplaudindo os próprios algozes.
Trocam indignação por espetáculo,
consciência por conveniência,
e o futuro vira refém
de discursos embalados em bandeiras.
Enquanto isso,
os mesmos colocados no poder
esfregam na cara da população
a indiferença, o descaso, o abandono.
E nós?
Seguimos divididos,
gritando lados, defendendo nomes,
quando talvez devêssemos defender pessoas.
Porque um país não se destrói apenas pela corrupção dos poderosos…
mas também pelo silêncio
de quem se acostumou a sobreviver dentro dela.
— Helaine Machado
Efêmero tempo que me acha distraída e não percebo a impermanência da vida a sorver o ar de persistente melancolia, que combato com bravura a tecer a alegria em fios de teia que fragmentam a pintura e o espaço, onde versos calados salvam os dias ilustres de paz e calmaria. Em um rio perene correm todas a margens e as várzeas crescem clandestinas. Saudades de águas desconhecidas como todas as partidas que levam no peito despedidas na plenitude serena que não encontra oposição e seguem todos em uma nova direção. A candura de um gato dormindo lembra a plenitude de estados oníricos e busco palavras que vão além do meu vocabulário, pois mais se faz encarnado o verso corretamente nomeado. Em devaneios lúcidos sinto o resplendor de minha respiração e um fulgor de esperança segue firme desde criança, pois eis que a terra árida arde desde de tenra idade. Estou proibida de sofrer, pois muito me acusam de ter prazer mórbido em comer miséria. E eis que sou obrigada a chorar calada, pois há quem se diz amigo e mais julga minha caminhada. Quisera a todos talvez entender que a dor não é um verso estilístico, mas é minha própria vida que me leva a estados que eu não gostaria. No entanto, são vãos todos os meus argumentos e sorrio abertamente tendo em meu peito correntes de longas privações de liberdade, que deixam um trauma de grades e luto diariamente para não me ausentar a realidade. Noite longa, noite insone. Amanhã será um novo dia e talvez eu floresça em poesia na cintilação de uma mente em estado de euforia, pois que é minha sina e me justifico várias vezes e inútil gastar minha língua se devo fingir utopia estando presa em minhas armadilhas. Em um arroubo eu diria que cada sabe de sua vida e há margaridas que encantem os meus olhos na noite de hoje. O idílio do amor idealizado mais me deixa fatigada se não conhece estrada de novos alentos a fazer do vento o frio cortante da madrugada no âmago de uma dor calculada, se é perigoso se expressar loquaz onde mora a censura dqueles que me são mais próximos. E sigo a escreve eloquente minha própria apatia que já não distingue a noite do dia. Sinto um cansaço na alma e é sublime minha resistência se em êxtase de dureza encontro a volúpia do poema e tento fazer valer a pena minhas fartas palavras que exigem um leitor compenetrado a se demorar com singeleza ao ouvir o poema na mesa de minhas confissões. Uma anônima na cidade a escrever pormenoridades como se altas glórias fossem. Faço minha serenidade na noite escura da cidade e te encontro em algum ponto da eternidade e não fingirei uma falsa felicidade, pois o orvalho conhece minha sinceridade e abro o meu diário público a quem quer que seja, haja visto que minha vida é um livro aberto e a alegria me espreita e tenta achar meu endereço. E por isso escrevo.
