Desprezo para Homem
Toda civilização é uma negociação inacabada entre aquilo que o homem é, aquilo que teme ser e aquilo que imagina poder tornar-se.
Uma invenção verdadeiramente grande não é aquela que torna o homem mais poderoso, mas aquela que o torna mais capaz de compreender o poder que possui.
Aquele que interroga a natureza, o homem e a sociedade com a mesma curiosidade transforma o conhecimento em uma forma de descoberta.
O homem renasce intelectualmente quando deixa de escolher entre os saberes e começa a compreender suas relações.
O homem que precisa convencer alguém de seu valor já começou a negociação em posição de dependência.
O homem que trabalha obsessivamente para parecer superior continua dependente daqueles diante de quem precisa parecer superior.
O homem que teme profundamente ser abandonado pode acabar abandonando a própria autonomia antes mesmo que alguém o abandone.
O homem que transforma sua paz em condição para qualquer relacionamento talvez tenha compreendido algo que muitos descobrem tarde demais: nenhuma companhia vale o preço da própria desintegração.
O homem que precisa constantemente provar sua masculinidade talvez ainda esteja procurando fora de si uma identidade que deveria ter construído por dentro.
O homem que conhece o valor do silêncio descobre que nem toda ausência precisa ser combatida com ruído, romance ou distração.
Um homem pode viver sozinho e ainda estar profundamente conectado ao mundo; solitude não é necessariamente isolamento, mas uma forma particular de presença.
O homem que aprendeu a viver sem aplausos começa finalmente a perceber a diferença entre reconhecimento e valor.
O homem livre não pergunta qual vida será mais admirada; pergunta qual vida poderá habitar sem vergonha diante da própria consciência.
O homem que aceita a possibilidade de partir torna-se paradoxalmente mais capaz de permanecer sem submissão.
Doces venenos
(1Evaristo)
Ontem eu vi o Homem-Aranha
Pintando as paredes de um edifício
No Brasil o político honesto (?) só ganha
Em cima de milhões de sacrifícios.
As palavras são doces venenos
Na boca de qualquer vulgar,
A justiça humana pesa no pequeno
Porque ao grande demora muito tocar.
Poemas são códigos sutis
(Mais poderosos que fuzis)
Levando gerações ao raciocinar
Que neste vasto incógnito país
A porta da prosperidade se abrirá,
Mas precisam muito estudar.
feradapoesia.blogspot.com
Quanto mais o homem tenta possuir o instante, mais rapidamente percebe que nunca possuiu sequer o próprio tempo.
A justiça criminal precisa compreender o homem que praticou o ato sem transformar a compreensão em absolvição automática.
... cada homem
implica num Ser condenado
à edificação de sua inalienável
liberdade, acentua a 'filosofia cristã'...
Uma vez que, lançado ao mundo,
será ele o único responsável
pelo que fez, faz e dedicado
fará do seu estimado
destino!
