Desabafo de um bom Marido

Cerca de 466003 frases e pensamentos: Desabafo de um bom Marido

Um bom retrato é uma biografia pintada.

O bem raramente é produzido por um bom conselho.

Um poema só é bom enquanto não sabemos quem foi que o escreveu.

Um bom conselho a tempo e em certas conjecturas é um benefício precioso.

Um bom casamento seria aquele em que esqueceríamos, de dia que somos amantes e de noite que somos esposos.

Um homem bom pode ser pouco inteligente. Mas é imprescindível que um homem mau tenha a cabeça funcionando muito bem.

Um bom livro é um bom amigo.

Um rei muito bom

Conta-se que um fanático rei mandou construir uma cama de ouro,
muitíssimo valiosa, adornada com milhares de diamantes e mandou
que a colocassem no quarto de hóspedes do palácio. Sempre que
havia convidados o rei elogiava a cama e dizia do prazer que
sentia por receber pessoas tão ilustres. Porém, existia uma
condição: o convidado teria que se encaixar na cama que fora
fabricada sob medida. Se fosse gordo, o hóspede deveria ser
cortado para caber na cama, com a desculpa do preço e do valor da
cama.

Era impossível encontrar alguém que se ajustasse ao tamanho do
leito real, porque o homem médio não existe e o móvel do
político-rei era de tamanho único, mas as pessoas são diferentes.
Sendo o rei matemático, mandou medir a altura de todos os cidadãos
e dividiu o resultado entre os cidadãos de sua cidade, assim
obteve o tamanho do homem médio.

Na cidade havia pequenos, gente jovem, gente idosa, pigmeus,
gigantes, porém o homem mediano não havia. E a cama do rei
continuava matando o gordo, o magro, o baixo, o alto... O rei não
tinha culpa nenhuma, ele tinha o maior prazer de receber as
pessoas, elas eram culpadas, porque não cabiam na cama preciosa do
rei. Tão hospitaleiro e tão bom! Ele tinha uma equipe de
funcionários aptos para esticar o baixinho até caber na cama.
Chegava morto, claro! Eram muito esforçados aqueles funcionários
públicos, mas o homem era baixinho, a culpa era dele!

Que lição pode-se aprender! As políticas públicas existem, lindas,
perfeitas, humanas, caríssimas, preciosas! Só que o cidadão não se
ajusta a elas; eles não se encaixam nos hospitais abarrotados e
com filas de espera, não se encaixam nas escolas sem professores,
não se encaixam nas ruas infestadas de bandidos soltos, atirando
pra todo lado, mas o rei tem o maior prazer de fazer o enterro do
hóspede de graça - de graça não - toma o dinheiro do baixo, do
gordo, do magro, do alto e o investe num cemitério pobre, cheio de
mato, abandonado e triste, sem flores. O defunto foi culpado,
porque não teve dinheiro para fazer um plano de saúde e um plano
pós-vida. Que culpa tem o rei?

A educação, esta sim, é a verdadeira culpada! Por que não se educa
para a competência de enxergar e distinguir políticas públicas de
políticas privadas, mas, principalmente, aquelas que deveriam ir
diretamente para as privadas públicas?

Desabafo

Não entendo que sentido faz viver um relacionamento se for pra pensar no seu fim, sabendo principalmente o motivo pelo qual se iniciou. Tá certo que às vezes é necessário ter o pé no chão, viver um dia de cada vez. Mas, é errado sonhar e fazer planos para um futuro ao lado de uma pessoa? Um relacionamento é uma construção, exige tempo, dedicação, cumplicidade, companheirismo e principalmente de amor, sendo a sua essência. Outro ponto importante é a transparência, ou seja, ser quem você é e ser aceito pelo próximo. É natural que no início você se mostre alguém maravilhoso que esbanja qualidades, e também é natural que com o tempo seus defeitos vão surgindo gradativamente. Isso faz parte do "conhecer o outro", e é nesses momentos que o amor e companheirismo devem se sobressair. Não compensa mascarar desejos e características pessoais. Você, antes de mais nada, deve ter autoconhecimento; deve ser sincero consigo e com quem está ao seu lado. Isso se chama autenticidade.
Todas essas observações são feitas a partir de uma experiência pessoal. Não posso adotar uma visão universal acerca de relações afetivas, tendo em vista que o nosso relacionamento tem uma história única e diferente do comum. São tantos momentos pra recordar sobre um relacionamento que acima de tudo tinha o caráter de amizade... Você fez tanto por mim, e eu por você. Estivemos um ao lado do outro nos momentos mais alegres e difíceis. Como é difícil entrar no meu quarto e ver os objetos que simbolizam a troca que vivenciamos. Sua presença física não está mais ali, mas aquela energia permanece. O que faço com o nosso porta-retrato? Ou com as cartas que me escreveu? Com as camisas que ainda uso ou com as fotos salvar em meu celular? É tão difícil lembrar dos nossos sonhos interrompidos e imaginar o que ainda estaria por vir. É tão difícil passar pelo seu bairro, e lembrar que ali durante uma época foi a minha segunda casa. Enfim, ainda não sei o que fazer em relação a isso, mas preciso seguir em frente, enfrentar o momento que a vida me apresenta. Fico te imaginando no seu apartamento. Espero que esteja bem com a minha ausência. É lamentável deixar pra trás uma convivência tão bonita e um sentimento tão sincero. Aliás, o sentimento ainda carrego comigo. No momento da raiva te crucifiquei, mas olhando para a totalidade, te agradeço por tudo que fizestes por mim. Foi uma experiência incrível com um fim nada agradável. De toda forma, creio que pudemos crescer juntos e aprender um com o outro. Foi um prazer fazer parte da sua vida e ter conhecido a sua família. Para sempre guardarei vocês em meu coração! Mas sabe o que é pior? Não é não ter mais minha namorada, e sim, não ter a minha melhor amiga.
Talvez a dificuldade de expressar tudo isso a alguém me levou a escrever como uma forma de externar aquilo que me sonda.
Desejo felicidades a você e a mim, e pra sempre lembrarei que você foi parte da minha vida. Sentirei saudades.
É isso.

Desabafo de um solitário.

Mais uma noite cai e eu estou aqui mais uma vez no meu quarto, ao lado de um rádio ouvindo músicas as quais me fazem viajar em um mundo completamente esquecido, porém meu. Esquecido ao ponto de não ter com quem dividir essas palavras que ao se juntarem formam verdades que nos fazem lembrar de coisas ou fatos que marcaram muito nossa vida, vida a qual muitas vezes mal vividas, talvez por falta de um alguém ou até mesmo pelo fato de não termos coragem de assumir um amor...
O sono bate, as palavras somem, os olhos pesam... mas de uma coisa ainda tenho plena consciência, de que no dia seguinte será da mesma maneira como foi o ontem...
Será que minha vida só se resume a isso?
Será que um dia, seja perto, seja lonje, poderei ou deixarão eu viver minha vida da maneira que me for mais suficiente para me sentir realmente feliz?
Trago comigo a seguinte frase: "Felicidade não existe, o que existe são bons momentos partilhados com pessoas especiais que nos fazem sentir bem e que não duram muito tempo!"
Infelizmente, felicidade não é para todos, pois nem todos vivem da maneira que gostaria de viver para poder se sentir feliz.
Tudo no mundo depende de uma segunda pessoa para tentarmos sermos felizes, apesar de que a felicidade tem que estar dentro de nós mesmos e não nas pessoas, pois as pessoas apenas nos completam!

Cada lágrima rolada é um desabafo da alma cansada.

Uma esposa acredita de bom grado na inocência do marido.

A única coisa bem distribuída no mundo é o bom-senso. Tanto isso é verdade, que todos acreditam que já têm o suficiente.

Spinoza escreveu: "Percebi que todas as coisas que temia e receava só continham algo de bom ou de mau na medida em que o ânimo se deixava afetar por elas."
O filósofo tem razão. A alegria ou a tristeza só poderão continuar dentro de nós à medida que nos deixamos afetar por suas causas. É questão de escolha. Dura, eu sei. Difícil, reconheço. Mas ninguém nos prometeu que seria fácil.
Se hoje a vida lhe apresenta motivos para sofrer, ouse olhá-los de uma forma diferente. Não aceite todo este contexto de vida como causa já determinada para o seu fracasso. Não, não precisa ser assim.
Deixe-se afetar de um jeito novo por tudo isso que já parece tão velho. Sofrimentos não precisam ser estados definitivos. Eles podem ser apenas pontes, locais de travessia. Daqui a pouco você já estará do outro lado; modificado, amadurecido.
Certa vez, um velho sábio disse ao aluno que, ao longo de sua vida, ele descobriu ter dentro de si dois cães - um bravo e violento, e o outro manso, muito dócil.
Diante daquela pequena história o aluno resolveu perguntar - E qual é o mais forte? O sábio respondeu - o que eu alimentar.

A gente não pode viver só e ser forte. A gente precisa ter alguém a quem segurar a mão!

"De que vale um Harry Potter sem sua Hermione"

Nunca precisei humilhar, debochar, desmerecer ou rebaixar alguém , sofro tudo isso calada, resignada, dói, claro que dói, mas doeria muito mais se eu me igualasse, por que eu sei exatamente como me sinto quando alguém faz isso, e é por esse sentir, que não faço isso com ninguém.

Mas sabe por que liguei? Para dizer que amo você. Sabe para que mais? Pra que você saiba a cada momento que respiro, respiro levemente por saber que você é a pessoa da minha vida. Sabe o que mais? Você é meu anjo, o meu amor, aquele que eu quero a todo instante comigo porque o simples e mais forte fato de todos, aquele que preenche toda a terra, que traz a paz, a alegria, os melhores momentos, a real felicidade: amor. E eu te amo.

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Maria Julia Paes de Silva
Livro: Qual o tempo do cuidado? Edições Loyola, 2004. P. 49

Nota: A autoria do pensamento tem vindo a ser erroneamente atribuída a Fernando Pessoa.

...Mais

Os Três Mal-Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto
João Cabral de Melo Neto - Obra Completa