Desabafo de um bom Marido
A vida é um caminho cheio de aprendizados onde cada passo ensina algo novo, cada dificuldade nos torna mais fortes e cada amanhecer traz uma nova chance de um início com amor no peito, coragem na alma e fé de que dias melhores virão.
O Ontem: A Identidade Sob Medida.
No passado, a identidade feminina era um figurino desenhado por mãos alheias.
O conceito de família era, muitas vezes, uma estrutura de posse e não de afeto compartilhado.
A sabedoria daquela época era a da sobrevivência e da resiliência silenciosa.
O preconceito não era uma opinião, era a lei; a violência não era um crime, era um método de controle aceito pelo tecido social.
" Um brilho de um sorriso de uma criança faz o coração pulsar, sabendo que tua ação de dar atenção a um simples cidadão, e aquele aperto na mão que nenhum coração aguenta de tanta emoção".
Eu acho que preciso sumir, sabe? Dar um tempo de tudo isso. É algo que escuto diariamente. Mas eu não me vejo sumindo da família, dos amigos e das coisas fúteis do dia a dia.
Tem algo de silencioso nessa sensação, como se as emoções estivessem atrás de um vidro. Você vê que elas existem, mas o toque não chega.
“Você devia se cuidar mais.”
“Há um tratamento.”
Sobre mim mesmo eu disse: “Eu nunca me cuidei ou me tratei.”
Entre as feridas que o tempo deixou,
nasce um sopro de luz que insiste em ficar.
E mesmo onde dói, a alma aprende a florescer.
lembrando que até as marcas mais profundas guardam sementes de recomeço.
Historia, não drama
Minha ansiedade me acompanha
como um ruído constante,
um alerta que nunca desliga,
e junto dela
o medo de exagerar,
de sentir demais,
de parecer dramática
por simplesmente sentir.
Ela nasceu cedo.
Entre olhares atentos demais,
expectativas grandes demais,
e a sensação de que sentir
era sempre exagero.
Cresci ouvindo
que tinha tudo.
Casa, cuidado, conforto,
um berço chamado de ouro
— como se isso anulasse
qualquer vazio que coubesse em mim.
Quando doía,
não era dor:
era drama.
Quando eu reclamava,
era vitimismo.
Aprendi cedo
a engolir sentimentos
antes que alguém dissesse
que eu estava exagerando.
Meus irmãos gritavam mais alto,
quebravam mais coisas,
ocupavam mais espaço.
O do meio, o mais difícil,
recebeu colo em excesso,
atenção dobrada,
como se o amor fosse um prêmio
para quem dá mais trabalho.
E eu?
Fiquei quieta.
Aprendi a merecer afeto
sendo fácil.
Sendo compreensível.
Sendo grata.
Mesmo quando algo em mim
pedia socorro —
em silêncio.
Hoje, no amor,
minha ansiedade aparece
com cuidado demais,
palavras medidas,
e o medo constante
de ser intensa demais.
Não é ciúme,
é receio.
Não é cobrança,
é medo de perder.
Carrego um receio silencioso
de depender,
porque no fundo
ainda busco validação
como quem pede permissão
para existir
sem pedir desculpas.
Já disse a ele
sobre meu medo de abandono.
Não nasceu agora.
Veio de casa.
Veio das vezes em que fui ouvida
só quando não incomodava.
Tenho amor,
mas também tenho feridas.
Tenho entrega,
mas carrego alertas.
Não sei sempre explicar
nem organizar o que sinto,
e ainda assim
sinto —
mesmo com medo
de parecer dramática.
Não quero amar por carência.
Não quero ficar por medo.
Quero escolher.
Inteira.
Mesmo ainda aprendendo
a confiar
que meus sentimentos
não são exagero,
são história.
Entre nós
Entre nós
existe um silêncio pesado,
daqueles que não nascem da paz,
mas da falta de conversa.
Vocês me olham
como se meus passos
fossem erros inevitáveis,
como se amar
fosse algo a ser condenado.
Palavras duras
pisam em assuntos frágeis,
e o que poderia ser cuidado
vira julgamento.
Até pediram
que outra pessoa falasse por vocês,
numa conversa fria,
desconfortável,
como se meus sentimentos
pudessem ser resolvidos
sem o calor de um abraço.
E eu me pergunto:
por que tentar se aproximar
se cada gesto
acaba me afastando mais?
Pai,
seu silêncio pesa
como uma porta fechada.
Mãe,
suas reclamações
ecoam mais alto
do que qualquer tentativa de entender.
Eu estou cansada
de lutar sozinha
por um espaço
que deveria ser meu por direito.
Só quero que entendam
uma coisa simples,
mas difícil de aceitar:
o tempo passou.
Eu cresci.
E embora ainda seja filha,
já não sou mais criança
para viver presa
às correntes do controle.
A solidão é um povoado de uma pessoa só, onde o silêncio ecoa mais alto que o vento nas copas dos ervais.
"Compreendo o sujeito como um processo consciente que emerge do corpo e da mente, capaz de observar, regular e atribuir sentido às próprias experiências, sem estar totalmente determinado por elas."
*
"As palavras
são revestidas
de um determinado poder,
então que haja reflexão ao escrever,
afinal as rimas costumam dar rasteiras,
em versos ao vento..."
*
( Francisca Lucas )
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