Depoimentos Saudades do Passado

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Luz e Salvação

Evan do Carmo

Em Belém nasceu
uma luz que veio brilhar
num mundo mergulhado em escuridão.

Com humildade
veio nos salvar.
Em seu sacrifício
deu-nos redenção.

No calvário de amor se fez dor.
Seu sangue lavou nossas feridas,
e na ressurreição nos deu a vida.
O reino de Deus é a luz que se revela,
que guia nossos passos na escuridão.

Ó Senhor Jesus,
Teu legado é nossa esperança.
Em teu amor encontramos proteção,
em teu exemplo achamos o sentido da vida.
Luz e salvação.

No calvário de amor se fez dor.
Seu sangue lavou nossas feridas,
e na ressurreição nos deu a vida.
O reino de Deus é a luz que se revela,
que guia nossos passos na escuridão.

Ó Senhor Jesus,
Teu legado é nossa esperança.
Em teu amor encontramos proteção,
em teu exemplo achamos o sentido da vida.
Luz e salvação.

RIO DE JANEIRO

Evan do Carmo

Que poeta passaria sobre ti, adormecido
em tuas ruas estreitas, a um mar imenso?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Os meninos da Candelária
não se esqueceriam de ti
ao descreverem um paraíso.

Teus poetas atingem
ainda em vida
a perfeição.

Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Sol e Poesia,
hermética canção, bruxo de Cosme e Mil de Castro, Chico, Buarque.
Embarque, EMBARQUE à perdição.

Que estrangeiro não morreria
para que tu estejas sempre linda?

Todo carioca um dia vai ao morro,
caminho reto,
da queda à ascensão.

Qual dos deuses não desceria
do Olimpo
para viver
um dia apenas
em tua copa ou em tuas cabanas?

Tese sobre o Caos e a Consciência

Antes da inteligência humana, havia o caos — não mero desarranjo, mas um abismo fecundo, um entrelaçar de forças indomáveis e silenciosas que pulsavam sem testemunha. A expansão do universo — efeito da grande explosão — moveu massas, gerou órbitas, incendiou estrelas; e ao longo de milênios incontáveis, dessas forças surgiu uma ordem apenas aparente: uma harmonia caótica, tão tênue quanto ilusória.

Os humanos, criaturas de um lampejo tardio de consciência, acreditam enxergar perfeição onde há apenas fluxo, perceber mistério onde existe apenas processo, e, com vaidade, tentam nomear o que escapa a toda nomeação. A inteligência, ainda jovem, nasce dos erros involuntários do próprio caos, e é com ela que se edifica a pergunta — não a resposta.

A consciência — esse clarão que se anuncia no “penso, logo existo” — produziu infindáveis interrogações. Mas que respostas poderia oferecer a criatura que emergiu de uma ignorância tão profunda? É impossível que uma mente tão jovem compreenda o abismo anterior a si mesma, o princípio inominável de onde tudo se ergueu, o silêncio primordial que, ao se desfazer, fez nascer não apenas o universo, mas também a angústia de quem o contempla.

— Evan do Carmo, 14-10-205

"A poesia é dor que dilacera,
indomável fera que
me come as vísceras."

o ciúme é a infância do amor

Se eu fosse falar a verdade
Talvez você se comovesse.
Perdi meu pai aos onze anos — e com ele, o lar.
A casa deixou de ser abrigo, tornou-se lembrança.
O conforto e a segurança que uma infância promete
se desmancharam na poeira do tempo.

A vida se desenrolou como um fio invisível
que eu apenas seguia, sem saber aonde levava.
Mas não escrevo para comover ninguém.
Sou um homem realizado no pouco que premeditei:
ser poeta — não por escolha, mas por destino.

Desde menino, tive uma clarividência silenciosa
sobre o que viria a ser.
Uma voz interior me dizia
que havia um mandato das alturas:
cantar, mesmo que o canto fosse triste;
dar forma ao invisível;
soprar o fio de Ariadne
que me conduziria pelo labirinto da vida.

Entre fragmentos e quedas,
fui forjado por dores que não escolhi.
E nelas, descobri a necessidade inevitável
de escrever — sempre com lágrimas,
sempre com o sangue secreto da alma.

Não havia mapa, só o instinto e a necessidade.
E foi nas escolhas, muitas vezes cegas,
que aprendi a me reconhecer.

Hoje compreendo que minha existência,
apesar de comum, sempre esteve repleta de sentido:
era o ensaio do homem que eu me tornaria —
um ser moldado pela perda,
mas iluminado pela busca.

Clair de Lune
(Paul Verlaine)

Tua alma é um jardim escolhido
onde andam mascarados e bergamascos
tocando alaúdes e dançando,
meio tristes sob seus disfarces.

Cantando ao tom menor do amor vitorioso
e da vida em tom maior,
eles não parecem crer em sua própria felicidade,
e suas canções se misturam com o luar,

com o tranquilo luar triste e belo,
que faz sonhar os pássaros nas árvores
e chorar de êxtase os jatos d’água,
os grandes jatos d’água esguios entre as mármores.

A Crueldade da Poesia


A poesia é uma fera que lambe o sangue que ela mesma faz jorrar.
Finge consolar, mas apenas prolonga o suplício.
Diz que salva — e salva mesmo —
mas do modo como um naufrágio salva o mar: afogando.
Ela exige do poeta o que o mundo não ousa pedir:
a própria carne transfigurada em verbo,
a memória queimada até virar luz,
a alegria ferida até soar como canto.
O poeta, escravo e cúmplice,
aprende a sofrer em métrica,
a chorar com ritmo,
a morrer devagar, para que o verso viva.
E quando a palavra enfim o liberta,
já é tarde:
a poesia partiu, deixando-o vazio,
com a alma exaurida e os ossos repletos de beleza.
Porque toda poesia é uma crueldade sagrada
e o poeta, o único animal que agradece
por sangrar com estilo.

A Crueldade da Poesia


A poesia me abriu o peito
e pediu meu sangue.
Quando a entreguei,
ela leu em silêncio, sorriu
e foi embora.


Fiquei ali,
com o coração pingando,
verbo amputado, sem sentido,
entendendo — tarde demais —
que a poesia não consola,
nem o poeta, nem a musa.
Poeta não é herói:
ela o consome,
o destrói.

Consumimo-nos por algo maior que nós mesmos — pela posteridade, pelo futuro ausente.
Ser poeta é mergulhar no abismo e reconhecer,
no seu riso frouxo, o eco dos aplausos do caos,
sentir no âmago do desespero,
e mesmo assim se sentir contente.

Sou um renascentista


Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.

Às vezes é bom cancelar algum compromisso,
relaxar a gravata, dar folga ao ofício.
Ser um homem comum,
que não raro se passa por outro
neste teatro do absurdo,
como personagem de um drama fictício.


Às vezes é bom calar a voz,
segurar a pressa, suspender o vício.
Ficar sozinho, sem ser solitário,
num pacto mudo como um sacrifício.


Às vezes é bom cancelar algum compromisso,
relaxar a gravata, dar folga ao ofício.


Andar nas nuvens, dançar na chuva
e aprender o caminho do vento.
Saber que tudo passa
e que a vida cobra o tempo esquecido
no porão da memória.

CLARIDADE DO INDIZÍVEL




Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.


Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.


O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.


E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.


É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.

Não posso sucumbir à melancolia — esse monstro noturno que nos vigia sem descanso, esperando o mínimo gesto de fraqueza para invadir o que ainda resta inteiro em nós. Sei que ele ronda. Sei que respira atrás de mim quando caminho pela casa silenciosa. Mas não lhe devo reverência. A melancolia exige joelhos; eu ofereço coluna.


E há dias em que o desespero se insinua no corpo como febre: o amanhã se esconde, o dia seguinte perde o rosto, a existência inteira parece um quarto escuro. Mas sigo. Não por esperança — essa palavra envernizada — mas por teimosia. Por força. Por desafio. O futuro não precisa prometer nada para que eu avance. Basta que exista.


Poeta ou homem comum, não importa: todos carregamos a mesma condenação. A consciência — essa lâmina autônoma que nos enfrenta sem pedido, sem permissão, sem dó. Ela não nos observa: nos disseca. E cobra de nós o sentido que nunca lhe devemos.


Ela pergunta, com insolência: por que continuar? Onde repousa a coragem humana? O que sustenta o passo no meio do caos?


E a resposta não está no conforto, nem na fé, nem em algum alicerce secreto. Está no movimento. Na recusa em tombar. No ato bruto e insubordinado de permanecer, mesmo quando nada, absolutamente nada, garante o chão.


O caos é vasto. A consciência é cruel.
Ainda assim, eu existo.
Isso basta. Isso é tudo.

Há acontecimentos na existência que marcam como amor ou paixão avassaladora. E, às vezes, tentamos reescrever essa história — mover o enredo, deslocar o sentimento, transplantar a emoção para outro contexto, outra pessoa, outro encantamento. Mas não funciona.


No universo emocional, certos eventos só acontecem uma vez.
Não é possível reconstruir o que o caos, em sua precisão secreta, nos ofereceu como vivência única.


Há experiências que pertencem a um instante irrepetível, e nenhuma tentativa humana consegue reescrever aquilo que nasceu para acontecer apenas naquele momento — e nunca mais. Evan do Carmo

O AMOR, QUANDO ELE CHEGA


I
O amor, quando ele chega,
altera o tempo e o clima,
transforma a rota do vento,
desloca o eixo da Terra
e o hemisfério se inclina.
II
O amor, quando ele chega,
organiza o caos infindo,
desmantela o imponderável,
rasga as vestes da razão,
e o que antes era utópico,
nas cordas do coração,
desamarra o improvável.
III
O amor, quando ele chega,
desperta o desconhecido,
faz oscilar estações
pra confundir os sentidos.
IV
E, nessa linha de sombra,
respira uma verdade fatal:
o amor, quando ele chega,
nos expõe à vil tragédia
que não raro é seu final.

Estamos vivendo uma nova era imperial. Hoje, 03 de janeiro de 2026, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e sequestraram Nicolás Maduro, presidente do país. Sob a justificativa de que ele é um ditador, Donald Trump acredita ter feito um favor ao povo venezuelano.


Todavia, quando observamos exemplos históricos de invasões semelhantes promovidas pelos EUA, o padrão se repete de forma trágica. Todos os países que eles alegaram ter “libertado” da ditadura transformaram-se em cemitérios. O Iraque e o Afeganistão são provas irrefutáveis disso: Estados destruídos, sociedades dilaceradas, milhões de mortos e nenhuma democracia estável no lugar.


A era Trump ameaça o mundo, sobretudo a América Latina. O próprio Trump já afirmou que a Europa é decadente, sem atrativos estratégicos, e que a verdadeira riqueza do mundo está na América. Essa afirmação não é retórica: é projeto. Se esse governo não for contido, o mundo sofrerá uma profunda e violenta reconfiguração geopolítica.


E o Brasil entra nesse tabuleiro como alvo evidente. Em 2026 teremos eleições, e Trump já se posicionou claramente a favor da direita radical. A interferência direta no processo eleitoral brasileiro é uma possibilidade real, com o objetivo de garantir favores, alinhamento automático e submissão estratégica de um futuro governo que ele tentará ajudar a eleger.


Não se trata de paranoia nem de teoria conspiratória. Há, sem sombra de dúvida, campo, espaço e precedentes históricos suficientes para que isso ocorra. O imperialismo não precisa mais de bandeiras fincadas no solo. Ele opera por pressão econômica, manipulação política, guerra informacional e cooptação interna.


O perigo é real. E o silêncio, cúmplice.

Sobre hoje, no café, e no mundo, escrevo para aliviar a tensão.
O café esfriava lentamente, como se também estivesse cansado de notícias. Ao redor, pessoas falavam baixo, riam por educação, mexiam no celular como quem procura abrigo. O mundo ardia do lado de fora, mas ali dentro o tempo ainda fingia normalidade. Há algo de profundamente humano nesse gesto pequeno de segurar uma xícara enquanto impérios se movem, fronteiras tremem e homens decidem destinos como quem move peças distraídas num tabuleiro gasto.
Vivemos dias em que o poder voltou a falar alto, sem pudor, sem metáfora. A força reaprendeu a se chamar virtude, e a violência se veste novamente de salvação. Enquanto isso, o cidadão comum segue escolhendo o pão, pagando o café, tentando manter a sanidade intacta. O contraste é obsceno: o mundo range, e nós respiramos como podemos.
Escrever, hoje, não é vaidade nem ofício. É necessidade fisiológica. É a forma mais discreta de resistência. Uma maneira de dizer a si mesmo que ainda há pensamento, ainda há silêncio possível, ainda há um intervalo entre o caos e a consciência.
Termino o café. O mundo continua.
Mas, por alguns minutos, a escrita cumpriu sua função essencial:
não salvou nada — apenas **impediu que tudo desabasse por dentro**.

Todo pensador, cedo ou tarde, percebe que, para manter a lucidez, precisa de algum tipo de anestésico.

Todo e qualquer projeto ao qual o homem se dedique está fadado ao fracasso quando confrontado com a complexidade do universo.