Depoimento de Amizade que Niguem pode Separar

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*Olhar que basta*

Se existe tanta alegria e ternura
em nossa troca de olhar,
pra que procurar tristeza em outros olhos?

O teu riso me desenha calma
e o teu silêncio me conta segredo.
Nenhuma janela alheia
tem essa luz que me encontra cedo.

Fica o mundo lá fora
com suas promessas de sal.
Aqui, teu olhar me ancora
e isso já me faz real.
( Saul Beleza)

*contrato com o tempo*
se o tempo quer que eu te esqueça,
diz pra ele arrumar o que fazer,
porque eu não assino esse contrato,
não vou bater ponto pra te esquecer.

não vou ajudar relógio nenhum
a enferrujar tua lembrança,
vou estar pensando em você
com a mesma teimosia de criança.
(Saul Beleza)

*Saudade Perfumada*

A casa limpa e perfumada,
mas existe um cantinho que não se dissimula.
O pano passou,
a vassoura dançou,
só não tirou
o cheiro que você deixou.
Vem, o sono ainda te espera.
Na cama feita, na luz que acalma,
teu espaço mora aqui,
intacto, na casa e na alma que quer sonhar ao teu lado.
(Saul Beleza)

casa limpa, cheiro bom no ar e um vazio que só você preenche.

A orquídea negra do lençol ainda disfarça, mas não engana. O perfume que ficou na casa é você, e nenhum outro vai substituir.

Vem dormir. O sono te espera aqui do lado, junto com esse cheiro que insiste em ficar.
(Saul Beleza)

*Mulher, Poema Inteiro*

Faço poemas pois existe uma mulher,
desde a mãe que reza baixo ao pé da cama,
até a amada amante que acende a chama
com um só olhar de quem entende e quer.

A menina moça que carrega o mundo
no caderno aberto e no riso solto,
tropeça em sonhos, levanta em tumulto,
e escreve o futuro no segundo.

E a moça flor que desabrocha em calma,
tem pétala no gesto e raiz na alma,
perfuma a casa, a rua, a vida inteira
sem pedir licença pra ser primavera.

Faço poemas pois mulher é verbo:
nasce, cuida, luta, ama, inventa.
E quando o verso pensa que termina,
ela recomeça o ponto onde ele sentiu saudade.
(Saul Beleza)

Quero você,
Quero teu beijo molhado gostoso, intenso, profundo.
Quero você cheirosa, quente, ardente, aquele olhar provocante que
me enlouquece e me deixa com mais desejo.
Te quero ao meu lado sentir o calor do teu corpo.
Quero teu olhar no meu, misturar meu cheiro com o seu.
(Saul Beleza)

*Maluquice autorizada*

Hoje meu juízo tirou folga
e deixou a chave com um grilo
que toca guitarra no meu cérebro
usando fios de macarrão.

O sol me mandou um bilhete
escrito em língua de girafa
dizia "vem brincar de nuvem"
e eu fui, de pijama e guarda-chuva.

Os ponteiros do relógio
fizeram greve por mais alguns segundos,
agora o tempo anda de patinete
cantando funk pro calendário.

Meu café levantou sozinho,
foi dar bom dia pra torradeira,
o pão respondeu com poesia
e a manteiga virou plateia.

Se a sanidade bater na porta
finge que eu mudei de planeta,
tô ocupado sendo astronauta
no espaço entre dois pensamentos, um em Goiás e outro no Mato grosso tomando sopa de osso.
(Saul Beleza)

*O dia depois do campo*

Já me acostumei com o ronco do canhão
e dancei ao som da rajada da metralhadora,
não por gosto, mas porque o corpo
aprende passos até no inferno.

Afiei o sabre pra cortar o catanho do dia,
porque amanhecer também cansa
quando a noite não deixou dormir
só ensinou a sobreviver.

Fingi não ouvir o toque da corneta
anunciando a alvorada que não pedi,
às vezes a guerra acaba lá fora
mas continua batendo no peito

Agora a casa tá limpa, o chá na mesa
e mesmo assim o silêncio vem fardado,
eu tiro o capacete devagar
e lembro que paz também é treino .
(Saul Beleza)

*Poeminha de casa arrumada*

Casa limpa, silêncio lavado
roupa no varal dançando pro vento
chá de hortelã, a chaleira apita, um som com cheiro
desenhando e a tua ausência em espiral pelo bico evapora.

Torrada estala, geleia vermelha,
espalho no pão, não espalho a falta
porque tem vazio que não cabe
nem na mesa posta pra um.

O dia tá organizado por fora, mas cá dentro tem um cômodo com a porta e janela abertas esperando,
só que hoje! ela não vi passar.
(Saul Beleza)

O lençol tem formato de dúvida
o teto conta piada sem graça,
e o relógio finge que não tá vendo
eu tentando domar a preguiça.

O sol bate na janela
pedindo pra entrar sem convite
eu digo "já vai"
e volto pro travesseiro, que tem teu cheiro.

Hoje o plano é simples:
respirar fundo três vezes
e deixar o dia chegar
no tempo dele, mesmo sem você aqui.
(Saul Beleza)

Aceito teus mimos, você é muito mimenta, dengozinha, beijoqueira, natural e sem etiqueta, sem medo, sem preço.
Porque amor que chega de madrugada com gosto de canela no arroz doce, hummm, merece verso.
(Saul Beleza)

O que mais incomoda as pessoas não são as suas idiotices, mas o fato de você ser idiota.

Se a salvação é um ato onde Deus determina o resultado, o conceito de livre-arbítrio autônomo deixa de existir nesse processo.

Brejaúba guarda no peito das suas montanhas a simplicidade de um tempo que não passa, apenas permanece.

A névoa que cobre Brejaúba não esconde a vila, apenas veste sua beleza com o silêncio da poesia.

Vive rezando porque está sempre pecando.

Bom dia!


Tem manhãs que chegam devagar, como quem abre a janela sem fazer barulho e deixa a luz entrar aos poucos.
Talvez a vida não tenha mudado durante a noite. Talvez as perguntas ainda estejam aí, sobre a mesa, esperando respostas.
Mas existe alguma coisa bonita em recomeçar o dia mesmo assim.
Preparar o café, arrumar a casa por dentro e por fora, respirar fundo e seguir.
Que Deus visite os seus pensamentos nesta manhã e coloque serenidade onde o coração anda cansado.
E que, entre uma tarefa e outra, você perceba: a vida também se revela nas pequenas delicadezas.


Edna de Andrade

Muitas pessoas acreditam que o dinheiro está dentro de um grupo fechado, protegido por poucos. Mas a verdade é outra: o dinheiro não está no grupo. Ele está com quem consegue ficar entre os dois grupos, se mover, observar e ligar as informações que os outros não enxergam. Quem apenas trabalha duro, sem olhar ao redor, muitas vezes fica parado no mesmo lugar.
Pense no boi de uma fazenda. Ele é quem mais trabalha. Arar a terra do nascer ao pôr do sol, puxar peso, suar no sol quente. No entanto, no final do dia, não é dono sequer de um palmo da terra que arou. O boi entrega a força, mas não decide o destino da colheita. Quem decide é quem observa, conecta e age com inteligência.
Pare e pense com honestidade. Às vezes o dinheiro chega até você. Surge uma oportunidade, uma ideia, um caminho novo. Mas uma mente miserável, acostumada a se sentir pequena, repeli logo dizendo: “isso não é pra mim”. E assim a chance se afasta.
O mundo não recompensa só o esforço cego. Recompensa quem aprende a se posicionar entre as partes, quem liga pontos e quem acredita que merece avançar. Trabalhe, sim. Mas não seja apenas o boi. Seja também quem enxerga além da cerca e decide o próprio caminho.

*Ocupar a cama*

vou pra cama hoje
e vou ocupar todos os cantos,
o lado direito, o esquerdo
o meio, o frio onde você não está.

Vou deitar em diagonal,
esticar braços e pernas,
até não sobrar espaço vazio
pra saudade não caber junto.

porque se eu não te tenho aqui,
que eu a tenha pelo menos
no tamanho inteiro da cama,
cheio de você em volta.
(Saul Beleza)

*O Cordel do Zé Beleza*

Numa terra boa de gente valente,
Nasceu Zé Beleza, figura da gente.
Homem de riso fácil e mão de ajudar,
Que onde pisava fazia o sol brilhar.

Dizia o povo: "Chegou o Zé Beleza!"
E a tristeza pegava a mala e ia nessa.
Porque o homem tinha um dom de verdade:
Transformar aperto em felicidade.

Contava causo, dava conselho,
Ajeitava a vida com jeito de velho.
Deixou pro mundo um monte de proeza:
Amizade, respeito e muita leveza.

Partiu o Zé, mas não levou tudo não,
Deixou semente boa no coração.
E o filho veio pra continuar
Esse ofício bonito de alegrar.

Se alguém perguntar quem foi esse senhor,
Responde alto, com orgulho e amor:
"Foi o Zé Beleza, pai da alegria,
Que ensinou que tristeza aqui não cabia!"
(Saul Beleza)