Deixar de ser Vitima dos Problemas

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A maledicência pode muitas vezes corrigir-nos, a lisonja quase sempre nos corrompe.

A dissimulação algumas vezes denota prudência, mas ordinariamente fraqueza.

De todos os sentimentos, o mais difícil de simular é o orgulho.

Há grandeza mais verdadeira numa boa ação do que num bom poema ou numa grande vitória.

Podemos estrangular os clamores, mas como vingarmo-nos do silêncio?.

Se a pobreza é a mãe dos crimes, a falta de espírito é o seu pai.

A memória dos velhos é menos pronta, porque o seu arquivo é muito extenso.

O homem de palavra é aquele que menos fala.

As crenças religiosas fixam as opiniões dos homens, as teorias filosóficas perturbam-nas e confundem.

Uma casa sem mulher não tem tormentos nem glória.

Há muita gente boa e feliz, porque não tem suficiente liberdade para se fazer má e desgraçada.

O desejo de igualdade levado ao extremo acaba no despotismo de uma única pessoa.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental

A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham.

As ideias novas são para muita gente como as frutas verdes que travam na boca.

Na admissão de uma opinião ou doutrina, os homens consultam primeiramente o seu interesse, e depois a razão ou a justiça, se lhes sobeja tempo.

Os moços de juízo honram-se em parecer velhos, mas os velhos sem juízo procuram figurar como moços.

Todos se queixam, uns dos males que padecem, outros da insuficiência, incerteza, ou limitação dos bens de que gozam.

A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.

Os que não sabem aproveitar o tempo dissipam o seu, e fazem perder o alheio.