Dedicatorias Educador de Infancia

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Nenhum ressentimento. Um dia era prova de português, na esquina da escola, a tal raider que eu usava, quebrou. Eu fui descalça mesmo assim. Enfrentei a fila do pátio, para entrar na classe, todos me olhavam e riam. Eu não voltei para casa, lá não tinha nenhuma outra sandália para eu calçar. Nem minha mãe tinha dinheiro para comprar. Ela quebrava pedra brita o dia inteiro, para ganhar 0,50 centavos por lata. Mal dava pra comprar arroz que era também na época, 0,50 centavos o quilo. Eu nunca reclamei, eu sentia vergonha? sentia. Mas desde aquela época, sempre soube que nunca seria fácil.

Minha mãe, tinha uma vida difícil, filha de pais alcoólatras, casou com meu pai que sempre foi violento com ela, ela nunca estudou.
Na escola ela disse que chegou a ir, mas como precisava cuidar dos irmãos menores e ir para a roça trabalhar, ela parou, porque ela disse também que as mãos dela todos os dias voltavam vermelhas, porque era época da palmatória, e ela disse que doía muito, já era judiada pela vida e não ia para a escola mais, que ao invés de aprender, estava sendo espancada e torturada pela professora dela, na época. Então, hoje ela tem 55 anos. Perdeu todos os resguardos dos 5 filhos que teve, inclusive o pai dela obrigou ela a casar com meu pai aos 16 anos de idade. Então, ela na cabeça dela sempre sofreu dizendo que o casamento é para a vida toda, mesmo sendo torturada dia e noite.
Ela, é como uma criança.

A primeira filha dela nasceu morta, porque meu pai deu um chute na barriga dela, já estava com 3 dias em decomposição. Tempo de parteira. A parteira já falecida D. Jesus, salvou a vida dela.


Ela nunca se saiu dele, por obediência ao pai. Como eu disse, ela é igual uma criança.


Em todos os nascimentos dos outros filhos, ela se escondia dele para não ser morta.
Pulava cercas altas, após ser torturada com abusos psicológicos e agressões físicas, á noite inteira. Fugia, mas sempre teve medo de tudo e do mundo!! Porque nunca soube ler, nunca soube lidar com a insegurança dela. Muito ingênua.


Então, ela sempre retornava.

Ela teve muitos distúrbios psicológicos ao longo de mais de 40 anos, com meu pai.

Eu saí de casa aos 16, não suportava mais tantas torturas.


Eu perdi muita coisa naquela época.


Mas, eu me orgulho de uma coisa!!


Eu mesmo aos 16 anos, de menor, sabendo que ela voltaria novamente se eu a levasse, resolvi confiar nela e contar sobre minha fuga.
Se ela quisesse, iria comigo e com meus 3 irmãos, para nunca mais voltar.

Eu havia escrito uma carta, e nela falava para nunca mais me procurarem, porque seguiria a minha vida.


Mas, terminei a carta ás 3 da manhã!! Após alguns minutos que meu pai havia me deixado em paz, pois ele me torturava com um facão e psicologicamente, desde ás 6 da tarde. Porque eu comecei a trabalhar para o estado estagiando na época, graças a uma indicação da mãe de uma colega. E, nesse dia havia recebido meu primeiro pagamento. Ele queria tudo. Mas, eu precisava comprar meu material escolar, não dei. Disse que estava tudo no banco que no outro dia eu sacaria.
Na verdade, eu estava com tudo.


250,00!


Então, terminei a carta...

Mas, observei meus pequenos irmãos, todos ali, acoados e acordados naquele horário.


Eu, tomei uma decisão por eles.


Eu não fugiria sozinha, eu não chegaria muito longe.


Logo, como eu era menor, eu seria mandada de volta.


Eu mesmo sabendo que ela voltaria, como trocentos outras vezes, eu falei meu plano para ela.


Na manhã seguinte fugimos.


Para outro Estado, com a grana que eu havia recebido.

Minha tia, irmã dele pagou a passagem do meu irmão, porque o dinheiro não dava para todos.


19 de fevereiro de 2009!!


Sexta feira de carnaval!!


Chegamos em Teresina Piauí!!


Sem dinheiro, sem rumo, sem nada.


4 da manhã!! Esperamos o dia amanhecer na rodoviária.


Ás 6, saímos!!


Eu tinha 10,00 todinho. Comprei de lanche para meus 3 irmãos e dividi entre eles. Eu e minha mãe, ficamos com fome.


Éramos mais fortes na fome.

Então, atravessei a avenida pela passarela e cheguei em uma rádio. Eu falei com alguém lá, mas essa pessoa deixou a gente esperando umas 2 horas, e não mais apareceu. Então entendi, que ali não teria ajuda.


Mas, até agradeci, porque havia muita gente da minha cidade que eu conhecia lá, e eu estava morrendo de vergonha da situação.


Ao lado, uma igreja católica.


Como a pessoa fez a gente esperar 2 horas do lado de fora da rádio, sem dar retorno, já era 8 da manhã.


Então, a fome bateu.


Eu entrei na igreja, havia uma mulher limpando o local. Falei que queria falar com o padre, alguém responsável.


Eu estava comandando a situação, pois a minha mãe, nunca soube argumentar de maneira que as pessoas entendessem.


Então, eu era a adulta ali, com 16 anos, apenas.


A mulher se retirou para dentro, e logo um padre apareceu.


Expliquei a situação para ele, mas disse que tudo o que eu queria naquele momento era um pouco de comida para todos nós ali presentes.


Ele disse para sentarmos.


Esperamos uns 15 minutos ou menos. Veio pratos de sopa para todos nós.


Comemos, agradecemos e seguimos viagem.

A meta era chegar na assistência social, que ficava no centro.


Mas, não tínhamos nenhum dinheiro.


E, era torcer para não estar fechada.


Retornamos, ao outro lado da avenida, pedimos carona no ônibus até certa distância.
Um motorista muito legal, entendeu a situação e pediu para que a gente entrasse.


Entramos, ele deixou a gente há pelo menos umas 2 horas de onde queríamos estar.


Mas, ao dar meio dia, perguntando todos que apareciam pela frente onde ficava o local, conseguimos chegar...


Avistei o segurança...

Observei que havia uma mulher fechando a porta, eu corri ao encontro dela...


Enquanto eu corria, o segurança ficou sem entender nada, só olhando.


Mas, ao chegar perto dela, cansada, exausta de caminhar e faminta...


Perguntei "aqui é a assistência social?" Ela "sim".


Comecei contar a história...


Ela me olhou gentilmente e abriu a porta novamente.


Não perguntou mais nada.


Fez uma ligação, chamou uma combie e disse: "em 15 minutos, vocês vão ser encaminhados para um abrigo no Deus quer" ...


Em menos de 15 minutos, a combie chegou!!


Fomos levados para esse bairro, bem distante do centro.


Chegamos creio que 1 da tarde, lá!!


Nos acolheram, deram um quarto para nós com beliches, muito limpo, lençóis, creme dental, escova de dentes, sabonete e antitranspirantes.


Falaram que podíamos ir tomar banho e ir comer.


Foi a primeira refeição mais feliz da minha vida, e creio que a dos meus irmãos e da minha mãe também.


Finalmente estávamos livres, em paz e acolhidos. Sem violência, sem torturas...


Era um abrigo onde ficava mulheres que sofriam violência doméstica com os seus filhos.

Mas, antes disso, passamos um dia inteiro e a noite em Timon, em outro abrigo. Onde conheci histórias de crianças violentadas sexualmente.


Havia um garotinho que havia acabado de ser operado do ân*s, porque havia sido violentado por um vizinho. Ele tinha uns 2 aninhos de idade!!


Eu conheci esse lado do mundo, que até então, não fazia ideia que existia. Então, foi quando senti medo de seguir sozinha.


Então, o ônibus chegou e nos pegou ás 6 da manhã do dia seguinte.


Chegamos na nossa cidade, meio-dia!!


Eu desci do ônibus, e não olhei para trás!!


Eu não queria ver os olhos dos meus irmãos, tomados por dor e angústia.


Porque aqueles 28 dias, foram os dias mais felizes das nossas vidas.

Minha tia já estava me esperando. Eu fui para a casa dela, passei 3 meses com ela, depois fui morar com a minha avó paterna.


Com ela, passei 2 anos.


Depois, no último mês! Eu tive que sair da casa dela, porque meu tio era um drogado e violento, então saí, porque ele começou a ameaçar meu namorado, hoje, meu marido.


Então, fui pedir abrigo na casa de uma cunhada da minha avó, ela disse "tú pode ficar, mas não quero nem saber de macho aqui na minha porta".


Eu tinha 19 anos, e esse macho que ela falava estava me esperando e ouvia tudo. A gente tinha marcado o casamento, faltava um mês.


Era só disso, que eu precisava.
Mas, ela fechou a porta para mim.


Eu tinha umas amigas que já não estavam tão próximas de mim, mas foi a minha única solução.


Pedir para a mãe delas, para eu ficar lá por 1 mês!! Até casar.


Foi o que aconteceu.


Fiquei 1 mês!!


Trabalhando, feliz, sendo cuidada por aquelas pessoas, e no dia do casamento, me levaram de carro e ainda participaram comigo.


Recebemos 1 almoço surpresa.


Foi o melhor período da minha vida!!


Continua...

Eu aprendi que nem tudo depende de dinheiro quando a vida está nas mãos de Deus. Houve um momento em que meu corpo chegou ao limite, um colapso séptico que quase me levou. E ainda assim, eu voltei. Hoje entendo que Ele moveu o mundo por mim, colocando as pessoas certas no caminho, na hora exata, para uma cirurgia de emergência. Desde então vivo com serenidade, sabendo que não estou sozinha e que, quando parece impossível, Deus ainda está trabalhando.

Seja elegante, sensual. Mas, não exagere! Pega leve.

Seja por inteira! Linda, inteligente. Tenha o cérebro empoderado.

Se vista como quiser. Mas saiba que roupa, diz sim, quem você é!

Seja feminina. Não feminista! Feministas não sabem quem são. Muito menos o que querem.

Tenha diferentes estilos, saiba ousar, sem causar.

Não beije em muitas bocas. Você pode pegar cáries, e a língua às vezes é suja.