Dedicatória para Amigo
“Atrasarei mas chegarei” Frase dita por um grupo de amigos, onde na faculdade eles diziam quando perguntavam se iriam comparecer a aula.
Entre risos e lembranças, a roda de amigos vira máquina do tempo — e a nostalgia dança com a saudade.
Eduardo Santiago
“Cuidado com amigos frustrados — muitas vezes é da frustração deles que nasce o veneno que amarga relações felizes.”
Oração curta
Jesus, afasta da minha vida, do meu trabalho e das minhas amizades toda pessoa negativa e maldosa que possa me prejudicar. Protege-me de todo mal, de toda inveja e falsidade. Guarda meus caminhos e meu coração. Amém!
Se não levar nada de você um dia, que leve sua amizade a qual eu roubei com carinho só para você me notar.
Minha amizade com Noêmia e Maurício do Valle, filhos da artista me legou um saber na obra da Rosina. Sendo os dois, dos quatro filhos da artista, a convivência e a afetividade comigo, tem um peso maior, pois representam em si a historia de Rosina Becker do Valle. Essa amizade explica como Barradas, tive acesso privilegiado e legítimo às obras guardadas pela família, desde os anos de formação. Alguns destes trabalhos deixadas aos filhos e hoje em posse e propriedade legal de Ricardo V. Barradas, registram o momento em que Rosina, incentivada por Ivan Serpa no MAM-RJ, iria se tornar uma das principais pintoras naïf do Brasil. Para o mercado, por estas obras terem vindo diretamente dos filhos confere a Barradas o nível máximo de confiabilidade de proveniência deste acervo.
Entre minhas historias das noites cariocas, me lembro bem do saudoso amigo o grande cronner Jamelão, como gostava de ser chamado. Sempre ouvia ele a cantar nos fins de noite no antigo Café Nice, na Avenida Rio Branco no centro do RJ. Todo embecado de smoking no ápice da elegância masculina. Conhecido internacionalmente como black-tie que eu falava para ele que era alugado na Casa Rolas que ficava na Avenida Augusto Severo, mas ele sorria e negava, e ele me falava carinhosamente com ar de deboche, sai fora moleque.
Eu e Caio Mourão, fomos parceiros e amigos íntimos, na troca de experiências no que tange técnicas de trabalho do metal e técnicas de lapidação. Nos encontrávamos quase que três vezes por semana em seu atelier em Ipanema. Com isto, em pouco tempo me tornei consultor e marchand de suas obras de pintura e esculturas realizadas em aço. Freqüentei durante anos seu refugio criativo em Iguaba, na região oceânica do Rio de Janeiro como também por diversas vezes encaminhei para restauração e mesmo negociei, a seu pedido obras de arte de se acervo particular. Com isto guardo grande ternura pela família, em especial a filha Paula Mourão, que deu continuidade ao Atelier Mourão em Ipanema, como centro de excelência na formação.
Além de parceiro, amigo íntimo, consultor e marchand de Caio Mourão, fui discípulo no conceito da arte jóia de autor. Não um mero lapidário e ourives copista de modelos e padrões estrangeiros mas um artista plástico joalheiro brasileiro, seguindo a corrente do pensamento e do oficio da arte dos metais da escola da moderna joalheria brasileira pós Caio Mourão. Em si Caio, foi um divisor entre o ensino técnico da ourivesaria e o desdobramento para ser um artista plástico joalheiro, e com isto passar a criar, a Arte Jóia assinada. Destruindo a atribuição genérica usual de valores pela gramatura por peso da obra e passando para a valorização pela idéia, criatividade e a execução.
Vivo rodeado de grandes nomes da sociedade. Meu amigos são todos eles importantes, o mais simplesinho do meio, sou sempre eu que aprendi com o tempo a cultivar e zelar pelas boas e generosas amizades.
Com vocês eu vou
Sempre vou
Porque a amizade
É uma benção
Uma luz
Uma graça
Sabendo cultivar
É de graça.
Sinto saudade de quando os professores eram quase amigos, quando a sala parecia pequena demais para tantas conversas e os intervalos se estendiam entre risadas e partidas de xadrez. Até das aulas que matávamos para sentar juntos diante do tabuleiro eu sinto falta, e o mais engraçado era ver os professores rindo da nossa ‘rebeldia’, porque, enquanto outros matavam aula para ir embora ou ficar presos ao celular, nós simplesmente fugíamos para um canto para disputar uma partida de xadrez. É estranho sentir saudade até das pequenas transgressões de uma época em que nossos maiores problemas cabiam em um tabuleiro, algumas peças espalhadas e a certeza de que a próxima jogada seria motivo para outra risada.
Sinto saudade dos corredores da escola, das amizades que pareciam eternas e das conversas que não precisavam chegar a lugar nenhum. Saudade das risadas que nasciam por coisas bobas, das manhãs que pareciam longas e da leveza de não carregar o mundo sobre os ombros. Talvez eu não sinta falta apenas da escola, mas da época em que a felicidade cabia em uma conversa tranquila, uma gargalhada inesperada e algumas horas ao lado de quem fazia tudo parecer mais simples.
Talvez você esteja lendo isso agora e rindo com seus amigos sobre como eu implorei para você ficar. Talvez você use essa sinceridade que finge ter, mas que nós dois sabemos que não é real.Eu escrevo apenas para te dizer uma coisa: continue vivendo na sua ilusão.É impressionante como é fácil para você agir como se eu não existisse e como se nada disso te afetasse. Você se esconde atrás de aparências e finge que está tudo bem, enquanto eu preciso lidar sozinho com o estrago que você causou. Sei que ignorar a realidade é muito mais confortável para você.Você pode fazer piada com o meu sofrimento e transformar a nossa história em conversa de bar. Pode tentar convencer as pessoas e a si mesma de que fez a coisa certa. Mas, no fundo, existe uma verdade que você nunca vai conseguir apagar: você não faz a menor ideia do quanto eu precisei de você.Siga a sua vida fingindo ser a vítima ou a heroína dessa história. Eu vou ficar aqui encarando a realidade e superando o que você me fez passar, enquanto você finge não carregar nenhuma culpa pelo que deixou para trás.Aproveite a sua consciência limpa enquanto ela durar. O choque de realidade, quando vier, vai ser muito mais doloroso do que o seu fingimento.Com a indignação de quem não esqueceu o que você fez,(Aquele que você deixou para trás)
