Cuidando do meu Jardim
Eu só quero poder acreditar em Deus, cara.
Do meu jeito, à minha maneira e com um objetivo real e prático. Sem nenhum religioso fanático, me dizendo o que eu não posso fazer. Sem nenhum cientista lunático, me dizendo o que eu devo fazer.
Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobeiras de uma comédia trágica.
Nas Crônicas de um Espelho Meu,
Bobagens de uma tragédia mágica.
Já Eu, bem, escrevo com meu fígado,
Estômago, pâncreas e todo líquido biliar,
Ácido gástrico e pancreático,
Que seja humanamente possível secretar.
Se tu quiseres serei hélice quando voares,
Serei asas enquanto planares,
Sereia minha, água em meu aquário,
Sobre os planaltos elevados, receptor e emissário.
Um dia eu ouvi meu Pai dizer:
Só morre de verdade quem não viver,
Porque quem vive e faz por merecer,
Jamais verá o eterno anoitecer.
Silenciadores
Os armários chaveados,
Meu orgulho arranhado,
As carteiras arrumadas,
Meu estômago revirado.
Testemunhas silenciadas,
Depondo silenciosas.
Em meu silenciador,
Após silêncio a dor.
Silenciador,
Silencie a dor.
Desmontamos os pedestais,
Anulamos a exposição,
Rochas nocauteadas por cristais,
Desparcerados pela discrição.
Ela foi vítima,
Eu fui vil,
Ela é discreta,
Eu sou sutil.
Sentimentos silenciados,
Depoimentos sussurrados,
Enlaçados capturamos a libertação.
Silenciadores,
Silenciem as dores.
Eu amo-a, mas meu amor é egoísta, interesseiro, individualista e ao invés de ambicionar a felicidade dela ilimitadamente, eu a oprimo, pondo-lhe na cabeça minhas falhas como se fossem dela, meu amedrontado como sendo dela, e puno-a por minha falta de caráter e insuficiente audácia, que são salientes e impactantes nela.
Cíclicos são calendários,
Periódicos são aniversários,
Meu bom-humor é sazonal,
Reservado a feriados.
