Cuidando do meu Jardim
Um amor impossível.
Uma taça de fel.
Um amargo destino.
Um abrigo no céu.
Um desejo etéreo.
Uma dura sentença.
A ausência do mundo.
Uma vida em vão.
Um poeta.
Uma musa.
Divina ilusão.
Foram dados um ao outro
em tempos diferentes:
um viverá na morte,
o outro na inconsciência.
— Evan do Carmo
Não sei se devo perguntar, mas como devo ser pra você me amar? Não se preocupe com a resposta, minha insuficiência me ajuda a me adaptar.
A concessão de bençãos de Deus aos Seus filhos, de maneira ilimitada, os tornaria mimados.
Eis a razão porque muitas delas nos são negadas e Seus "nãos" são por vezes ouvidos.
Mas isso anularia o fato de que Ele tem para nós apenas o melhor?
(Fabi Braga, 24/09/2014)
Um piano chorava no bar.
Na penumbra da noite carioca
Um piano chorava no bar
Vestido de sonho e fumaça
Fazia a cidade escutar
Johnny Alf chegava mansinho
Sem alarde, sem querer reinar
Mas o toque que vinha dos dedos
Fez a música se transformar
Mas quem vive de verdade sabe:
felicidade mesmo é quando o peito descansa.
É poder ouvir um rádio baixo ao longe,
sentir o vento entrando pela janela
e perceber que, apesar das batalhas,
a alma ainda samba.
Porque a vida castiga, sim.
Mas também abraça.
Filho da luta e da esperança
Doce mestre da sutileza
Transformou silêncio em beleza
E fez do jazz nossa herança
Nas boates de Copacabana
Entre copos, fumaça e luar
O Brasil descobria baixinho
Uma nova maneira de amar
Às vezes, a maior força mora justamente no homem que já não consegue levantar sozinho, mas continua acordando todos os dias para enfrentar o próprio corpo.
Por isso tanta gente anda cansada sem entender exatamente do quê.
Às vezes não é o corpo. É o excesso de peso invisível.
Viver minha liberdade, sem aceitar as liberdades dos outros , me faz um psicopata de desejos e impulsos.
Um adolescente doente, tentando mudar algo que nunca entendeu e talvez nunca entenderá, é uma fase da vida que não dá para replicar, a revolta antiga sonhos passados, o que queria para um futuro mas não vai alcançar.
As tragédias que o tempo não nos deixam revisar e voltar fazer diferente tentar consertar ...O paradoxo eu.
São quase zumbis conscientes um vício irônico ,não tenho certeza, uma tapa trágico e cômico.
Se pudesse julgar talvez eu diria com toda certeza, filhos bastardos dos mestres da persuasão, mas talvez seja eu um deles, sem ver com clareza, com argumentos certeiros , mas sem serem verdadeiros.
O grito da mídia domina você, quer dormir acordar sempre ao teu lado te fazer de irmão te fazer de escravo.
Mas agora não importa mais, vivemos a brevidade da vida.
E fizemos o contrário , acumulamos conhecimento, que era coisa de otários.
Por mais real que ainda pareça ser, as mentiras bem contadas dizem que nosso choro é em vão, mas são clichês repetitivos ao longo de milhares de anos, mas não me parecem reais.
O mundo pela janela e os muros dessa prisão, fazem da minha vida numa história um filme, de ficção, meus olhos nos olhos dela numa cena de emoção.
Ô Johnny Alf...
Teu piano acendeu a alvorada
Antes mesmo da Bossa nascer
Tua harmonia já iluminava
O caminho do novo viver
Ô Johnny Alf...
Gênio simples da noite vadia
Te escondeste da fama e da cor
Mas teu nome ficou na poesia
Como estrela maior do amor
Segundo Shakespeare, nascemos chorando nesse teatro de loucos.
Eu nasci negando.
Nego tudo, nego a origem.
Nego o passado, nego o presente, nego o futuro.
Nego a ideia de túmulo eterno,
a ideia do pó que volta ao pó.
A intensidade do pensamento é tão grande, tão imensa,
mas a gente pensa que isso, essa energia etérea,
aprendeu a migrar para outros mundos,
outros fundos, outros abismos.
E aí, mesmo essa ideia que seria sublime, confortante, eu nego,
porque não há plenitude na mente que estaciona
e aceita qualquer coisa como verdade absoluta.
