Crônicas de Felicidade
Deixe que o vento leve o que não tem mais lugar... Mágoas, angústias, receios, rancores... Enfim…
Deixe que o vento lhe despenteie os cabelos, desarrume a rotina, desafie a mesmice...
Deixe os sapatos do lado de fora e traga novos caminhos para dentro de si...
Plante sementes de dias melhores, colha seus frutos, ignore os espinhos, abra a porta para o rumor que se aproxima e sinta que é a felicidade quem está chamando:
Jesus... A verdadeira felicidade.
Esses tempos são tão incertos
Há um anseio indefinido
Pessoas cheias de raiva
Todos nós precisamos de um pouco de ternura
Como pode o amor sobreviver
Numa época tão sem graça
A confiança e a auto-confiança
Que podem levar à felicidade
Nós as matamos, todos os dias
Orgulho e competição
Não podem preencher braços vazios.
Dizem que é tão fácil ser feliz!
Porém a prática coloca dúvidas na teoria, porque passamos ao longo do dia por uma montanha russa de emoções.
Uma hora estamos felizes e na outra deixamos de sorrir.
Num momento estamos no topo, aproveitando a paisagem e em outros, somos surpreendidos com a descida que nos joga pra baixo, antes mesmo de percebermos.
Na verdade, a felicidade mora escondida nos pequenos gestos que demonstramos e recebemos diariamente.
Quando a felicidade piscar para você, plante suas sementinhas e quando menos perceber, estará rodeado por um lindo jardim.
O coração floresce quando está feliz!
A paz reside no coração de quem nunca desejou semear o desamor!
De quem soube se despedir sem odiar...
De quem soube deixar o outro trilhar o seu caminho sem especular...
De quem soube ver a felicidade do outro sem invejar...
De quem soube ver a dor do outro e não vibrar mas sim boas coisas desejar...
De quem soube que ser um inimigo não fará nossa vida melhorar...
A paz reside no coração de quem busca harmonizar e a vida só tem a retribuir!
Portanto, feliz é quem tem paz no coração!!!
O VELHO E O MENINO.
Autor : Soélis Sanches
Era manhã, começava o raiar de um novo dia, resolvi ir até à janela do apartamento, e, então, eu vi um menino correndo pela calçada todo sorridente, seus pezinhos e suas mãozinhas encardidos pelas sujeiras eram sinais de que há muito tempo não viam um sabonete e uma água.
No aglomerado de pessoas entre aqueles arranha-céus, uns passavam pelos outros e nem notavam que aquele pequeno personagem infantil era um de nossos semelhantes.
Suas roupinhas maltrapilhas deixavam à mostra parte de suas necessidades, e as pessoas que o viam correr pela calçada feliz da vida pouco se importavam.
Mais adiante vi também um senhor barbudo, suas vestes estavam tanto quanto sujas ao da pequenina criança que corria pela calçada. Estava eu, na janela de meu apartamento observando aqueles dois personagens, e não enxergava mais nada além daquelas figuras, não conseguia ver a multidão que transitava pela rua, meus olhos apenas vislumbravam o velho e a criança.
Fiquei imaginando como dois seres que nada tinham podiam ser tão felizes. Também vi quando o garotinho estendeu suas mãozinhas imundas, e pediu a um transeunte que lhe desse uma moeda. O homem abanou as mãos em atitude de reprovação, e ameaçou ainda, a jovem criança.
Da mesma forma, ao passar diante do velho barbudo e maltrapilho fez novamente ameaças ao ouvir o pedinte suplicar-lhe por uma moeda.
Meus olhos, por uns instantes se dirigiram à mesa que estava logo atrás de mim, e vi como o meu café da manhã era farto.
Resolvi colocar em uma sacola algumas fatias de pão com manteiga.
Na geladeira, servi-me de algumas frutas também, e decididamente, saí à rua para levar aquele pouco para o velho senhor e a pequenina criança.
Entreguei as frutas e as fatias de pão, ao velho e à criança, que avidamente se apoderaram e os devoraram com um apetite voraz.
Suas alegrias eram tantas que não sabiam como me agradecer.
Nunca em toda a minha vida me senti tão feliz e realizado como naquele momento.
Todo o meu interior era felicidade pura !
Voltei ao apartamento, troquei de roupas e dirigi-me ao trabalho com a minha moto. Começava a chover, e em uma determinada curva do caminho perdi o controle e fui me chocar contra um poste, foi a única coisa que me lembro na vida. O resgate chegou imediatamente, e levaram-me para o hospital onde fiquei em coma por vários dias.
Então, duas figuras apareceram-me em visão, o velho maltrapilho e a pequenina criança, que sorrindo me falaram :
“Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20).
Embora inconsciente, percebi que estava diante de DEUS, imediatamente recuperei-me dos traumas do acidente e chamei pelos médicos.
Ficaram perplexos ao notarem como eu havia me recuperado, já que meu estado de saúde era crítico. Passei por uma bateria de exames e nada constataram, e, sem o que terem para explicar, me deram alta hospitalar.
Então compreendi, que DEUS atua em nossa vida de uma forma que nós não conseguimos enxergar, as vendas que colocamos nos olhos, quais sejam : da ambição, do orgulho, do preconceito e do desprezo, não nos permite ver além da materialidade e das aparências.
Não espere que DEUS venha rotulado de terno e gravata para te abençoar, Ele, certamente, retornará da forma mais humilde que possa imaginar.
A humildade diante de DEUS se estende aos nossos atos perante às pessoas com as quais convivemos.
Aprender com nossas vitórias e com nossas derrotas;
coragem pra seguir, assumir e aprender;
Ser responsável por tua vida e por tua felicidade...
Todos somos passiveis de erros e acertos.
Não existe somente uma pessoa, um momento e um acerto ou uma pessoa um momento e um erro.
Existem várias pessoas, varios momentos entre erros e acertos...
O que vale na balança de minha evolução, sob minha responsabilidade, é ter a certeza de que há muito mais acertos do que erros.
De que tenho em mim, mais coisas boas do que ruins...e que errar sempre fará parte do caminho...Não me julgo e não me culpo. A vida já é dura demais para me prender no erro. Aprendo. Levanto a cabeça e sigo na certeza de que amanhã, talvez não erre mais...
Isto me faz crer que estou no caminho certo. Mais acertos do que erros.
Na simplicidade e na busca da evolução...todos somos humanos.
Tome contigo meus sonhos
Mas, também, meus pesares
Do meu corpo pesado faça seu abrigo
Escave fundo, abra portas e janelas
Desfolhe minhas entranhas
Encontre oberço das manhãs
E a gema das utopias.
Das folhas vermelhas
Se puder, faça brotar novamente
Aquelas primaveras esquecidas.
de: Gema das Utopias
Foi aqui onde nasci
E pude dar meus primeiros passos
Escutava o cantar dos pássaros
Que traziam tranquilidade
Não sei definir felicidade
Só sei que não se compra e nem se fabrica
Só havia paz, não havia intriga
Sem falar das grandes amizades
Hoje moro na cidade
Mas não nego a minha ORIGEM.
As pessoas são mutáveis, mas insubstituíveis. Por mais que tente substituir alguém, verás o quão falho serás. Cada uma, de forma única, representará um significado particular a nós.
Sendo o principal, transmitido pelas essências.
A essência da alma é a obra prima de mais valor que alguém poderá lhe oferecer.
A partir dela, algumas pessoas serão primordiais para seu crescimento intelectual e emocional.
Umas irão ir embora quando a tempestade ficar mais forte. Já outras, ficarão por saber que nenhuma tempestade dura para sempre. Essas sim, irão transmitir a essência mais verdadeira. As que partiram, estavam só interessadas na utilidade momentânea, e nem um pouco com o puro significado.
É difícil, mas distinguir quem soma de quem subtrai, se fará necessário para alcançar a felicidade.
Tua presença me faz invulnerável, invencível
Teu olhar me fascina e teu toque me provoca,
despertando meus desejos mais secretos e insanos.
Ah! Estes lábios tocando nos meus,
num beijo insaciável, incendeiam meu corpo
e enlouquecem meus sentidos.
Como um lobo conversando com a lua,
me perco em êxtase e sinto-me escravo deste amor.
Quero ser teu homem, teu amigo, teu confidente e teu amante...
Quero deitar minha cabeça no teu colo
e ouvir os apelos do teu corpo.
Voar nas asas dos teus sonhos
e mergulhar no oceano dos teus desejos
Quero tirar tua tristeza
e colocar um sorriso nestes lábios rosados e carnudos
Quero ver estes olhos azuis brilhando de felicidade
e te trazer pro meu mundo.
Quero embriagar-me com teu cheiro
Queimar no calor da tua boca
Numa noite de amor sem fim
E quando amanhecer o dia
ver teu sorriso sorrindo pra mim!
Cada um tem sua caverna. Todo mundo tem aquele lugar na alma, escondido e escuro, onde cai e se machuca de vez em quando. E são tantas as vezes que a gente ainda se vê perdido ali, sem saber o caminho seguro pra voltar. A gente para, senta e chora, olha para cima e fica esperando uma mão amiga ou um fio de luz para nos salvar. Fundo de poço não é nosso lugar. A vida, muitas vezes, nos deixa sem rumo, assim meio confusos, desenganados, largados à própria sorte. Dores na alma ainda doem muito mais que cortes na carne. Mas ainda é vida, não morte.
Nesses buracos sem luz criados por nós mesmos, nos mantemos presos, engaiolados e enjaulados nesses refúgios psicológicos. O perigo é quando só se sabe entrar, mas não consegue sair sozinho. Esses escuros na mente tornam-se lugares de fuga da realidade e se transformam em um grande problema quando viram prisões emocionais. Prisão da autoestima, prisão da liberdade, prisão do pensamento, da ousadia, da voz ativa, coração, prisão do amor. Quando se embarca nessa viagem para a caverna escura sem saber como regressar, é preciso saber gritar e pedir por ajuda sempre que precisar. Depois da escuridão, você percebe que a luz não está no fim do túnel, ela está dentro de você e não se deve apagar a própria luz e desistir do caminho de volta para acendê-la. A chama da vida e do amor próprio deve estar sempre acesa. Esteja vigilante quando esses lugares vazios de sua mente e de seu coração estiverem a sua frente, chamando-os com a porta aberta, somente ansiando que entrem, pois pode ser um caminho difícil de voltar. Ocupe, invada e preencha essa falta de luz, coloque energias positivas, fé, esperança, amor, sol e flores no lugar. Saia da nuvem cinza, da caverna vazia e encontre um arco-íris de cores. A gente só carrega aquilo que pode suportar.
Levar uma caverna escura dentro de si é somente uma tentativa de escapar de alguma coisa que deveria ser combatida. Cabeça erguida, pois seu herói é você mesma. Desistir de se salvar não é atitude de gente de fé, de gente que mantêm a esperança acesa, de gente que acredita que em cada coisa há uma beleza. Quando precisar sumir, de um tempo, vá. Mas, esteja completamente ciente e fortalecida para o caminho de voltar. Tem muitas pessoas boas do lado de fora dessas cavernas da vida, que te amam, te querem bem e que por ti fariam a caminho mais difícil do mundo para resgata-la, apenas por um abraço de recompensa. Nem toda caverna é tão escura. Nem toda paulada é tão dura. Nem todo herói terá superpoderes. Alguns, aqueles maiores, terão apenas uma mão amiga, boa vontade e um sorriso. Entre em seus refúgios quando precisar, busque neles o tesouro que precisa ser encontrado. Mas, se deixe resgatar sempre e nunca aceite como natural aquilo que você sabe que é errado.
Procure sempre o Caminho, a Verdade, a Vida.
Procure sempre a Luz.
Na vida você aprende, ensina, se decepciona, se sente feliz, você briga, ama, você tem pesadelo, mas também sonha. Você pode ser infeliz, se sentir menosprezado mas também pode escolher traçar a rota de um caminho para felicidade. Você pode chorar, mas também pode escolher lhe dar com a tristeza através de um sorriso. Você pode se sentir indiferente, mas também pode escolher ser o melhor de você mesmo.
Já parou para pensar o quanto nós “PODEMOS” na vida?
A reflexão é: O que queremos ser, o que quero e posso sentir, onde estou e onde posso chegar. A felicidade é escolha, isso sempre se tornará um problema individual. ESCOLHA-SE!
Ouvi em uma música que buquês são flores mortas. De fato, buquês são flores mortas, flores que de ti foram colhidas, que das mais belas a vida foi de ti arrancada e aos poucos esvaída. Buquês são o embelezamento de vidas arrancadas, cortadas pela metade. Usados de maneira que trazem felicidade. Mas há felicidade em algo que foi arrancado e interrompido em seu momento mais lindo?
Ouvi também em outra música que as flores de plástico não morrem. Não seria mais fácil que os buquês fossem de plástico? Seria sim, a artificialidade faria durar o sentimento que de início se teve, se é pra trazer felicidade, que ela ao menos dure. Não é mesmo?
Mas porquê há mais beleza no que é morto e ainda continua intacto? Mesmo sabendo que uma hora ou outra vai ser jogado no lixo sem nenhum valor. Não poderia vê o belo em algo que imita o real e deixar que a vida em ti ainda esteja?
De fato a beleza do natural chama mais atenção, mas o natural apodrece quando morre, quando é arrancado. O natural quando arrancado é interrompido, a vida e a beleza acaba não sendo a mesma, porém ninguém pensa dessa maneira.
E porquê a beleza acaba quando as flores murcham? Não deveria ser assim. Se o natural é bonito, porque não deve haver beleza no morto apodrecido? Se é belo o viver das flores e mesmo assim não às mantem, porque não encontrar a beleza peculiar das flores que foram mortas, porém desta vez secas, representando assim de fato, sua vida arrancada de ti. Será que porquê dói lembrar que um dia foram belas? Ou simplesmente porque só é bonito o que os convém?
A vida é fugaz, poucos valorizam. A beleza é fugaz, muitos ainda se importam muito com ela.
Porque não há beleza no diferente? Porque não admirar a beleza de uma coisa que é morta mas de fato relembrar que não há viver alí, admirar a flor enquanto ainda há frescor é fácil, é típico, é muito comum, clichê. Quero ver existir felicidade ao receber uma flor morta que representa a beleza de maneira diferente do comum.
Se uma flor viva pode um dia acabar murchando e um buquê se acabando da mesma forma, porque não dar logo uma flor morta e assim poupar vê-la apodrecer e perder a beleza que é relativa aos olhos de quem vê?
Essa flor pra mim é linda, você vê beleza nela?
O que é maturidade?
Maturidade é procurar os seus pontos fortes e coloca-los em evidência
Admitir os seus pontos fracos e muda-los, transformando-os em fortes.
Você é grosso? em vez de dizer "Sou mesmo!", que tal se controlar para ser mais gentil? Isso é domínio próprio.
Parar de se vitimizar nos próprios erros e crescer.
Olhar no espelho e ver-se como somos realmente, refletindo todos os dias sobre os nos nossos erros e acertos com consciência de que amanhã pode ser melhor em vez de nos auto-sabotarmos como vítimas de si mesmo, de Deus e da sociedade.
Amadurecimento não precisa vir somente com a dor, que nos torna amargos, rancorosos. Pode-se escolher amadurecer pelo raciocínio, pela análise de nossos erros e acertos. Mas se a dor vier, a escolha é individual se preferimos ficar amargos ou se, mesmo doendo, seremos felizes!
Ei psiu, o mundo vai mal
E parece que todo mundo acha normal
Ei, o mundo não tá legal e tu não precisa acompanhar
Não deixe eles que ditem como tu deve andar
É, tá tudo por um triz
Não deixe que te construam embaixo do teu nariz
Tenha pensamentos e os exponha em voz
Não se afogue em silêncios, não se embarace em nós.
Ei psiu, o mundo não tá normal e existir humanamente parece um desafio
E cade o manual, quem inventou as regras?
Diga a esse sujeito que única regra que aqui rege é ser feliz.
Tua pele, teu cabelo, teu corpo há de ser seu maior prazer
Diga a esse sujeito que é tu quem escolhe como vai viver
E pra quem disser ao contrário, que cale a opinião, que vá lá pra esquina com seu padrão
Pois o padrão que aqui rege é de felicidade, respeito e reciprocidade.
Como eram boas as manhãs de domingo durante a minha infância. Acordava com aquele barulhinho bom do chiado da panela de pressão e o cheirinho inesquecível de feijão fresquinho cozinhando. O rádio sintonizado em alguma “Estação AM” e o radialista conversando com a gente como se estivesse de visita na sala, tocando alguma moda sertaneja caipira ou músicas do Rei Roberto.
Quando o cheiro de café coado tomava de conta de casa era a hora de levantar apressado pra não perder o passeio à feira com pai e meu irmão, às vezes trazia uma galinha viva outras vezes um pacotão de costela, que ia nos servir no almoço. Nos tempos de poeira e vento como agora, não era raro ver os redemoinhos pelo caminho, e a meninada dentro dele fazendo festa e saindo com terra até as cuecas.
Domingos eram diferentes, era o único dia que papai almoçava com a gente durante a semana, então era obrigatório usar a mesa, nada de sentar no chão da sala (não tínhamos sofá ainda) e nem ficar assistindo o “Domingo no Parque” com o Seu Sílvio, só depois (sempre quis ganhar um tênis Montreal). Eu amava aquilo, comida quentinha, às vezes tinha alface, tomate e macarronada pra misturar com o arroz, feijão e a galinha. O cachorro ao pé da mesa esperando os ossinhos, era presença confirmada.
Sinto minha salivação ativar até hoje todas as vezes que me pego relembrando. Como eu comia aquilo feliz, nossa! Quando o dinheiro dava, o guaraná de garrafa de 1 litro era certeza. Geralmente o primeiro domingo depois do pagamento era farto, só alegria, até iogurte na geladeira tinha, 1 pra cada 1, éramos 5 irmãos e outro da minha tia que morava com gente. Papai e Mamãe não tinha esse privilegio, naquela época o pacote vinha com um brinquedinho na embalagem (dava briga pra ver quem seria o dono).
Família unida à mesa, Roberto Carlos e o radialista no rádio de madeira fazendo visita, barriga cheia e a tarde toda esperando a gente pra brincar ou ver TV. Antes era assim: Canal 2, 4, 6, 8 e 10 e era só isso que a gente tinha, e em preto e branco. Mas tinha tanta coisa que pra gente era bom, que duvido quem não se lembra das programações, dos desenhos, das personagens e dos programas. Mais tarde tomar banho, roupa limpa, kichute lustrado e ir à missa, agradecer por ter escapado mais uma semana! Glória a Deus!
Hoje tenho meus domingos felizes com a família que formei, vou pra cozinha, coloco no meu sonzinho alguma música, arrisco alguma coisa no violão e fico imaginando se daqui a 20, 30, 35 anos minha filha irá lembrar-se de tantos bons detalhes, quanto os que eu lembro até hoje. E é assim: Vamos construindo nossa história de família, vamos formando lembranças nas memórias de nossos filhos e assim vamos passando por essa vida tão cheia de coisas boas pra lembrar e pra fazer.
O cheirinho do feijão hoje não me saiu da cabeça...
'PAREDES'
As paredes dizem muitas coisas.
São olhos que rodeiam.
Algumas parecem falar.
Presenciam.
Quando mudamos e elas ficam,
um pedaço fica ali.
Gravado.
Cada parede é um retrato
que tanto presenciou.
E quando se tem uma ligação íntima,
elas fazem parte.
É um velho amigo de infância.
Tantas lembranças vêm.
Algumas estão intactas.
Vigorosas.
Outras caíram.
Rachaduras perceptíveis
quando mal construídas.
Tantas escondem suas vulnerabilidades com tintas.
Têm aquele esplendor aparente,
mas por dentro, apenas resíduos.
Poucos não a percebem.
Ali. Parada. Muda.
O essencial é saber que,
elas permanecem vivas.
Com suas particularidades.
Fazendo parte das nossas vidas.
A maioria delas, sem importância.
'AMOR INDULGENTE'
Quisera descrever o Amor na sua maior extensão. Amor que outrora faz-se tenro. Novo nos corações que suplicam um caminhar aquém.
Ver-se tanta admiração nos equívocos do Amor, que o próprio Amor, deixa de ser peculiar. E vai se transformando nessa dimensão sem precedentes. Ora opaco. Ora lúcido. Sem dissensão. Mas que deixa rastro. Uma trilha que, sem a qual, não se teria muito de significado.
Tantos minutos deteriorados na tentativa de abraçá-lo e outros para deixá-lo ausente. Quando próximo, quis-se distância. Quando distante, quis-se imediato.
Eu te ovaciono. Não pelo que fazes, mas pela autenticidade da tua essência. De estar presente mesmo na ausência. Do poder transformador de dá compreensão ao que no fundo, nunca se compreendeu. O mais admirado e extenso das abstrações que se faz presente. Que esse mundo de confusão te admita e te segure no ombro.
'QUERER'
Queremos tantas coisas. Mas apenas uma é relevante. Custa-nos descobrir o que realmente é. Tem descobertas que assolam. É conveniente guardarmos a sete chaves, pois, pouco importa extravasarmos o que nos pertence. O contíguo sufoca.
Quisera termos a ingenuidade dos loucos. Sim. Desses que não se importam com a chuva e o sol. Temos mundos diferentes, porém, a direção é a mesma. E seguimos... sem saber o que realmente queremos. Sabemos, mas fingimos com habilidade. Que nosso eu extravase. Que sufoque. É isso que nos deixa parcialmente vivos: o querer que inquieta e o extenso caminho a prosseguir.
'PARÁGRAFOS'
Às vezes acordo na madruga e
ponho-me a pensar sobre o universo.
O meu universo.
Tão fechado.
Tão inóspito.
Aos meus tímpanos barulhos vários
e à minha inquietude o frio matinal.
Sou levado a filmes que
repetidas vezes já o assisti.
A melancolia e o desespero assombra-me.
Encoraja-me.
Olho para o reflexo embaçado no espelho.
Penso: já não sou o mesmo do café da manhã de ontem.
A cama há muito está vazia, exceto por uma sombra
que durante décadas não se achou.
Encontra-se perdida.
É uma alma penada com decreto temporário.
Aprisionada.
Não a prisão destinada aos malfeitores.
Quisera fosse.
É a prisão do inacabado.
Do incômodo.
Do inconformismo.
